Mostrando postagens com marcador t. Comportamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador t. Comportamento. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de abril de 2019

"O STF Decreta Censura" - Editorial Do Estadão

"O STF decreta censura"
Não há outras palavras para descrever a decisão de Alexandre de Moraes. Num Estado Democrático de Direito, a informação é livre. Não cabe à Justiça determinar o que é verdadeiro
Uma coisa é a instauração de um inquérito criminal para investigar ameaças veiculadas na internet envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Outra coisa bem diferente é um ministro do STF determinar, no âmbito desse inquérito, o que pode e o que não pode ser publicado por um veículo de comunicação a respeito do presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli. Isto é censura e, no Brasil, a Constituição de 1988 veda explicitamente a censura.

Não há outras palavras para descrever a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Ao determinar “que o site O Antagonista e a revista Crusoé retirem, imediatamente, dos respectivos ambientes virtuais a matéria intitulada ‘O amigo do amigo de meu pai’ e todas as postagens subsequentes que tratem sobre o assunto, sob pena de multa diária de R$ 100.000”, o relator do inquérito ordenou a censura de dois veículos de comunicação. O assunto tem especial gravidade tendo em vista que a missão do STF é precisamente proteger a Carta Magna.

Num Estado Democrático de Direito, a informação é livre. Não cabe à Justiça determinar o que é e o que não é verdadeiro, ordenando retirar – ordenando censurar, repita-se – o que considera que não corresponde aos fatos. Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes alega que o conteúdo publicado pelos dois veículos de comunicação foi desmentido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e, portanto, não caberia sua publicação – raciocínio que ofende a liberdade de expressão e de imprensa.

“O esclarecimento feito pela PGR tornam falsas as afirmações veiculadas na matéria ‘O amigo do amigo de meu pai’, em típico exemplo de fake news – o que exige a intervenção do Poder Judiciário, pois, repita-se, a plena proteção constitucional da exteriorização da opinião (aspecto positivo) não constitui cláusula de isenção de eventual responsabilidade por publicações injuriosas e difamatórias, que, contudo, deverão ser analisadas sempre a posteriori, jamais como restrição prévia e genérica à liberdade de manifestação”, escreveu o relator do inquérito.

Não cabe à Justiça determinar o que é e o que não é fake news. Numa sociedade livre, o Estado não tem autoridade para arbitrar o que é verdadeiro e o que é falso. Além disso, por mais que se possa qualificar com segurança que uma notícia não corresponde inteiramente aos fatos, isso não significa autorização para que a Justiça a censure. A ideia de que uma fake news “exige a intervenção do Poder Judiciário”, como disse Alexandre de Moraes, não tem respaldo na Constituição.

Vale lembrar que, no período eleitoral, vigem regras específicas sobre propaganda eleitoral, cabendo à Justiça Eleitoral averiguar se o material produzido por um candidato guarda correspondência com os fatos. Dependendo do caso, um conteúdo considerado ofensivo pode ter sua veiculação proibida e dar direito à resposta do candidato ofendido. Essa atuação da Justiça Eleitoral, específica do período eleitoral, não guarda nenhuma correspondência, no entanto, com a iniciativa do Judiciário de assumir a função de árbitro da veracidade das informações que circulam na sociedade.

Todo cidadão tem o direito de recorrer à Justiça para a proteção de sua honra para postular direito de resposta, bem como exigir as correspondentes consequências cíveis e penais. No entanto, isso não significa entender que uma notícia supostamente equivocada sobre o presidente do STF é uma agressão às instituições nacionais e mereça ser censurada.

A Justiça deve atuar com rigor contra as ameaças proferidas contra ministros do Supremo e seus familiares. Essas agressões representam uma grave violação das garantias do Estado Democrático de Direito, na medida em que tentam subjugar a independência do STF. A difusão de notícias mentirosas também pode representar uma forma de ameaça contra o Poder Judiciário. Nada disso, no entanto, é justificativa para esquecer a Constituição e decretar a censura de meios de comunicação.

Nesses tempos revoltos, é de especial importância o respeito às garantias e às liberdades fundamentais. A resposta do Estado a quem deseja subverter a ordem deve ser a mais plena fidelidade à lei e ao Direito. Não há outro caminho de liberdade.

domingo, 27 de maio de 2018

Coca-Cola VsPepsi: Um Duelo de Gigantes - Coca-Cola Vs Pepsi: A Duel Between Giants

Coca-Cola Vs Pepsi: Um Duelo De Gigantes - Coca-Cola Vs Pepsi: A Duel Between Giants

Este é outro documentário sobre a Coca-Cola que eu não sei dizer se chegou a ser lançado oficialmente no Brasil, e com qual nome, apenas que foi produzido em 2002 para a televisão francesa. Eu traduzi o título a partir do título em inglês, mas a cópia em espanhol, que está abaixo, chama-se Coca-Cola Vs Pepsi: La Guerra De Titanes. Como título original diz, o documentário trata da disputa entre a Coca-Cola Company e a Pepsi Company, desde o início do século até os dias atuais. O documentário é bem direto e isso é muito bom, e o interessante é que fala da disputa entre as empresas por diversos mercados, inclusive pelo mercado brasileiro, o que é algo raro de se ver. A cópia dublada em espanhol está completa, enquanto que a cópia em inglês, está com alguns trechos suprimidos.

Em espanhol:

Em inglês:

A Conquista Das Colas - The Cola Conquest - III

A Conquista Das Colas - The Cola Conquest - III

Não sei dizer se o documentário a seguir chegou a ser lançado oficialmente no Brasil, e com qual nome. Eu traduzi o título a partir do original, mas na internet existem cópias dessa série de documentários com o nome de A História Da Coca-Cola, o que além de ser um nome bem genérico e ser usado por outros documentários, na prática está errado. Como título original diz, o documentário The Cola Conquest trata da histórica disputa tratada entre a Coca-Cola Company e a Pepsi Company pelo mercado mundial de refrigerantes. O interessante, é que ao longo da série, o mercado de refrigerantes global, é tratado como sendo sinônimo de refrigerantes a base de cola. Claro que nós sabemos que existem refrigerantes de diversos tipos (soda, limão, guaraná, quinino, etc), mas parece que nos Estados Unidos não é bem assim.

Esse terceiro episódio trata da conquista de novos mercados pela Coca-Cola e a Pepsi, principalmente nos países emergentes. O título original é muito melhor que o criado por quem legendou o vídeo. É Coca-colonização. 

Essa série é de 1998, por isso ele parece um pouco antiquado e até mesmo desatualizado, mas não deixa de ser de interesse geral. Como expliquei anteriormente, não sei se o título em português é oficial, nem quem colocou as legendas, mas parece que o documentário foi bem traduzido, apesar de alguns pequenos erros.

Legendado em português:

Em inglês:

domingo, 20 de maio de 2018

Coca-Cola: A História De Um Ícone Americano - Coca-Cola: The History Of An American Icon

Coca-Cola: A História De Um Ícone Americano - Coca-Cola: The History Of An American Icon

Este é outro documentário sobre a Coca-Cola que eu não sei dizer se chegou a ser lançado oficialmente no Brasil, e com qual nome. Eu traduzi o título a partir do original, mas na internet existem cópias desse documentário com o nome de A História Da Coca-Cola, o que além de ser um nome bem genérico já vem sendo usado para nomear outros documentários. Como título original diz, o documentário Coca-Cola: The History Of An American Icon trata da história da Coca-Cola Company desde a criação do produto, passando pelos diversos proprietários, e como a empresa soube aproveitar as oportunidades que surgiram, como a Lei Seca norte americana, as Guerras Mundiais, a internacionalização/globalização dos negócios e as mudanças culturais para expandir a empresa e as vendas. O documentário é de 2001, mas não parece estar "datado" ou desatualizado. O único problema é que quem fez as legendas cometeu vários erros de grafia e de tradução, mas o documentário não deixa de ser de interesse geral.

Legendado em português:

Em inglês:

A Conquista Das Colas - The Cola Conquest - II

A Conquista Das Colas - The Cola Conquest - II

Não sei dizer se o documentário a seguir chegou a ser lançado oficialmente no Brasil, e com qual nome. Eu traduzi o título a partir do original, mas na internet existem cópias dessa série de documentários com o nome de A História Da Coca-Cola, o que além de ser um nome bem genérico e ser usado por outros documentários, na prática está errado. Como título original diz, o documentário The Cola Conquest trata da histórica disputa tratada entre a Coca-Cola Company e a Pepsi Company pelo mercado mundial de refrigerantes. O interessante, é que ao longo da série, o mercado de refrigerantes global, é tratado como sendo sinônimo de refrigerantes a base de cola. Claro que nós sabemos que existem refrigerantes de diversos tipos (soda, limão, guaraná, quinino, etc), mas parece que nos Estados Unidos não é bem assim.

Esse segundo episódio já fala da disputa entre a Coca-Cola e a Pepsi. A série não é perfeitamente linear, então ela começa falando da disputa entre as empresas pelo mercado consumidor dos países que compunham o antigo bloco comunista, e depois volta no tempo para falar sobre como as empresas estavam após a Primeira Guerra Mundial. Enquanto a Coca-Cola eram a grande empresa, que foi comprada por 25 milhões de dólares, a Pepsi estava ameaçada de falência. Fala sobre a expansão da Coca-Cola pelo mundo antes e depois da Segunda Guerra. Por sinal a Segunda Guerra foi boa para a Coca-Cola, por motivos que vocês verão. 

Essa série é de 1998, por isso ele parece um pouco antiquado e até mesmo desatualizado, mas não deixa de ser de interesse geral. Como expliquei anteriormente, não sei se o título em português é oficial, nem quem colocou as legendas, mas parece que o documentário foi bem traduzido, apesar de alguns pequenos erros.

Legendado em português:

Em inglês:

domingo, 13 de maio de 2018

A Conquista Das Colas - The Cola Conquest - I

A Conquista Das Colas - The Cola Conquest - I

Não sei dizer se o documentário a seguir chegou a ser lançado oficialmente no Brasil, e com qual nome. Eu traduzi o título a partir do original, mas na internet existem cópias dessa série de documentários com o nome de A História Da Coca-Cola, o que além de ser um nome bem genérico e ser usado por outros documentários, na prática está errado. Como título original diz, o documentário The Cola Conquest trata da histórica disputa tratada entre a Coca-Cola Company e a Pepsi Company pelo mercado mundial de refrigerantes. O interessante, é que ao longo da série, o mercado de refrigerantes global, é tratado como sendo sinônimo de refrigerantes a base de cola. Claro que nós sabemos que existem refrigerantes de diversos tipos (soda, limão, guaraná, quinino, etc), mas parece que nos Estados Unidos não é bem assim.

Esse primeiro episódio dá um enfoque muito maior para a Coca-Cola, deixando a Pepsi em segundo plano. A série não é perfeitamente linear, ou seja, ela não vai contando os fatos conforme o tempo vai se passando, ainda que esse primeiro episódio conte os primeiros anos do produto Coca-Cola, da empresa Coca-Cola Company e das concorrentes, da qual se sobressaiu a Pepsi Co., Em alguns momentos o episódio avança no tempo e fala da publicidade dos produtos.

Essa série é de 1998, por isso ele parece um pouco antiquado e até mesmo desatualizado, mas não deixa de ser de interesse geral. Como expliquei anteriormente, não sei se o título em português é oficial, nem quem colocou as legendas, mas parece que o documentário foi bem traduzido.

Legendado em português:

Em inglês:

domingo, 29 de abril de 2018

Civilização - Civilisation - XIII - Extra

Heroico Materialismo - The Fallacies Of Hope

A primeira vez que assisti a essa série de documentários, roteirizados e apresentados por Kenneth Clark, foi no final dos anos 80, não me lembro mais se foi em 1987 ou 1988 quando vi um dos capítulos ser exibido na TV Cultura, canal 2, de São Paulo. Lembro que fiquei fascinado. Falava de arte, de religião, costumes, política e principalmente história. Tudo junto em um dos melhores documentários já realizados.

É uma pena que a série Civilização chegue ao fim, mas também é uma pena que a série tenha perdido a "força" nestes dois últimos episódios. Neste episódio, Kenneth Clark deixou de lado a arte para se concentrar mais na história, na ciência e tecnologia (pelo menos foi essa a minha impressão). Entendo que a chamada arte moderna, é ridícula, feita por pessoas sem talento, que na maioria das vezes estão apenas interessadas em "ganhar nome" e vender suas obras de arte por uma boa grana. Também entendo que é mais difícil falar de eventos relativamente recentes, ou que são da nossa época. Mas considero que esse ultimo episódio ficou muito a desejar. Entendo que o episódio tem como intenção transmitir uma mensagem de paz e tolerância, algo que parecia estar em falta na época (na verdade está em falta em todas as época), mas Kenneth Clark poderia ter feito isso, falando um pouco da arte dos séculos XIX e XX. Mas isso não quer dizer que esse episódio seja ruim, apenas não é tão bom quanto os 11 primeiros.

Com legendas em português: Não encontrei a versão dublada e infelizmente essa cópia está com as imagens meio borradas.

Em inglês:

A série Civilização (Civilisation) tem apenas 13 episódios, mas alguns canais do YouTube disponibilizam um depoimento de David Attenborough sobre a produção do programa. Então este fica sendo um extra:

domingo, 15 de abril de 2018

Civilização - Civilisation - XI

O Culto Da Natureza - The Worship Of Nature

A primeira vez que assisti a essa série de documentários, roteirizados e apresentados por Kenneth Clark, foi no final dos anos 80, não me lembro mais se foi em 1987 ou 1988 quando vi um dos capítulos ser exibido na TV Cultura, canal 2, de São Paulo. Lembro que fiquei fascinado. Falava de arte, de religião, costumes, política e principalmente história. Tudo junto em um dos melhores documentários já realizados.

Neste episódio, Kenneth Clark trata daquilo que começou como um modismo, mas que depois se converteu em uma escola de pensamento cujos impactos podem ser sentidos até hoje. Estamos falando do chamado: Culto da Natureza. As origens não são muito claras. Talvez sua origem tenha sido uma das consequências das guerras religiosas, que deixaram um tamanho trauma, com as pessoas se matando em nome do mesmo deus, que a reação acabou sendo de afastamento progressivo da religião, sobretudo entre as classes altas. Talvez tenha sido uma consequência da mudança de postura intelectual motivada pela introdução do questionamento científico. O fato é que aos poucos a religião cristã começou a deixar de ser o foco do pensamento ocidental. Infelizmente, as pessoas não conseguem viver por conta própria, sem crer em algo como um dogma, uma ideologia, uma religião. E naquela época, antes que surgisse o marxismo, o substituto da fé na mente da intelectualidade europeia foi a natureza. O Culto da Natureza.

Como todo o culto, existe pouco de razão e muito de fanatismo entre seus seguidores e "profetas". Um desses profetas, foi Jean-Jacques Rosseau, que ainda hoje causa estragos com o seu mito, porque não dizer mentira, do bom selvagem, aquele que é belo, puro e bom, ainda que nunca tivesse existido algum "selvagem" com essa descrição. Pena que poucas pessoas tenham lido o mordaz e certeiro comentário de Voltaire sobre a obra de Rousseau. Mas Kenneth Clark não se limita apenas a falar do Culto da Natureza, ele apresenta alguns poetas ingleses dos séculos XVII, XVIII e XIX além de avançar um pouco no tempo para falar dos pintores impressionistas. Pena que a série esteja chegando ao seu fim, e com isso perdendo parte de de sua força.

Com legendas em português: Não encontrei a versão dublada e infelizmente essa cópia está com as imagens meio borradas.

Em inglês:

domingo, 8 de abril de 2018

Civilização - Civilisation - X

O Sorriso Da Razão - The Smile Of Reason

A primeira vez que assisti a essa série de documentários, roteirizados e apresentados por Kenneth Clark, foi no final dos anos 80, não me lembro mais se foi em 1987 ou 1988 quando vi um dos capítulos ser exibido na TV Cultura, canal 2, de São Paulo. Lembro que fiquei fascinado. Falava de arte, de religião, costumes, política e principalmente história. Tudo junto em um dos melhores documentários já realizados.

Neste episódio Kenneth Clark trata de alguns personagens que participaram e deram forma ao Iluminismo. O Iluminismo, também conhecido como Ilustração, ou ainda Século das Luzes, foi um movimento intelectual e filosófico que dominou o século XVIII e tinha sua base em uma série de ideias centradas na razão como a principal fonte de autoridade e legitimidade. Na França, onde o iluminismo ganhou força, os filósofos do movimento preconizavam a liberdade individual, a tolerância religiosa, com a separação da Igreja do Estado, a liberdade, de movimento, e de expressão, e um governo constitucional.

Ainda que o Iluminismo esteja profundamente ligado à França, pois foi neste, e deste, país que surgiram os maiores expoentes desse movimento, foi inspirado na Inglaterra, mais especificamente na tolerância desse país para com as opiniões diversas, o que resultou na liberdade de expressão, de pensamento e de imprensa que muito cedo tornaram-se marcas da sociedade inglesa. Foi para lá que muitos intelectuais europeus se refugiaram das perseguições que sofriam em seus países. E foi nesse ambiente que muitos filósofos encontraram inspiração para suas obras. Entre esses, estava Voltaire, o maior e mais famoso representante do Iluminismo.

Mas Kenneth Clark não fala apenas da filosofia. Ele fala da vida dos senhores de terra ingleses do século XVIII e de suas propriedades rurais, da incipiente democracia britânica, com suas suspeitas e, em muitos casos, comprovadas fraudes eleitorais. Ainda que aquela tenha sido uma época de grande de grande efervescência cultural, de um estilo de vida gracioso e delicado, com a nobreza e a burguesia aproveitando um estilo de vida gracioso, em salões de festas em seus palácios e palacetes, temos ao mesmo tempo uma vida urbana repleta de tipos grosseiros levando uma vida que faria a vida descrita nos dias de hoje pelas letras de Rap e Funk parecer inocente. Não é à toa que o iluminismo e a graciosa vida dos salões do Antigo regime acabaram com a Revolução Francesa de 1789.

Com legendas em português: Não encontrei a versão dublada e infelizmente essa cópia está com as imagens meio borradas.

Em inglês:

domingo, 25 de março de 2018

Civilização - Civilisation - VIII

A Luz Da Experiência - The Light Of Experience

A primeira vez que assisti a essa série de documentários, roteirizados e apresentados por Kenneth Clark, foi no final dos anos 80, não me lembro mais se foi em 1987 ou 1988 quando vi um dos capítulos ser exibido na TV Cultura, canal 2, de São Paulo. Lembro que fiquei fascinado. Falava de arte, de religião, costumes, política e principalmente história. Tudo junto em um dos melhores documentários já realizados.

Neste episódio Kenneth Clark começa falando sobre a luz sobre a sua importância para a pintura, para a arte, para a ciência, um verdadeiro simbolo de civilização. A luz esteve no centro tanto de uma revolução artística na pintura (a forma de retratar os temas, mas também os próprios temas que eram retratados), quanto de uma revolução científica que teve no microscópio e no telescópio seus símbolos, e não podemos esquecer que ambos os instrumentos tem como propriedade concentrar ou dispersar os raios de luz. Na Holanda (ou Países Baixos) e depois no Reino Unido uma nova forma de ver, de interpretar o mundo, colocou de lado a autoridade divina e pôs em seu lugar a observação, a experiência e a experimentação. A Holanda (Países Baixos) foi o primeiro país a se beneficiar dessa mudança, que decorreu de transformações sociais e econômicas decorrentes sobretudo do comércio.

Ainda que as guerras religiosas entre católicos e protestantes tenham ensinado que era muito mais proveitoso, em todos os temas, tolerar opiniões diferentes das suas do que simplesmente eliminá-las, católicos e protestantes continuaram a se matar (inclusive dentro de seus grupos religiosos) até meados do século XVII, e mesmo os judeus também perseguiam uns aos outros por questões religiosas. Vale a pena comparar esse episódio com o sexto episódio da série Cosmos, vocês verão como Kenneth Clark, tendo como foco a arte, explica muito melhor a ciência e os costumes do que Carl Sagan, o link está AQUI. 

Com legendas em português: Não encontrei a versão dublada e infelizmente essa cópia está com as imagens meio borradas.

Em inglês:

domingo, 11 de março de 2018

Civilização - Civilisation - VI

Protesto E Comunicação - Protest And Communication

A primeira vez que assisti a essa série de documentários, roteirizados e apresentados por Kenneth Clark, foi no final dos anos 80, não me lembro mais se foi em 1987 ou 1988 quando vi um dos capítulos ser exibido na TV Cultura, canal 2, de São Paulo. Lembro que fiquei fascinado. Falava de arte, de religião, costumes, política e principalmente história. Tudo junto em um dos melhores documentários já realizados.

Neste episódio Kenneth Clark fala da reforma protestante. Esse é talvez o mais fraco de todos os episódios da série. Não quer dizer seja ruim, a série é ótima, mas ao contrário de outros episódios, onde grandes obras de arte da música, da pintura, escultura e arquitetura foram exibidas, neste episódio a narração se concentrou em alguns poucos artistas, como o pintor e gravurista Albrecht Dürer, de filósofos e/ou pensadores como Erasmo de Roterdã, Montaigne e do dramaturgo Shakespeare.

A explicação está no próprio tema do episódio. Os "homens do norte" que deram origem a reforma protestante eram em sua maior parte avessos à cultura. Limitados pelo seu fanatismo religioso, eles tinham raiva de tudo que não fosse a palavra, mais especificamente e leitura da Bíblia. O próprio Clark lembra que a Reforma não produziu uma arte própria. O fanatismo/radicalismo tem seus efeitos nefastos em todas as áreas do conhecimento e da ciência, e, ainda que os autores protestantes não queiram reconhecer, foi a partir do sul da Europa, exatamente das partes católicas, que a arte e o conhecimento continuaram sendo produzidos.

Com legendas em português: Não encontrei a versão dublada e infelizmente essa cópia está com as imagens meio borradas.

Em inglês:

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Civilização - Civilisation - III

Romance E Realidade - Romace And Reality

A primeira vez que assisti a essa série de documentários, roteirizados e apresentados por Kenneth Clark, foi no final dos anos 80, não me lembro mais se foi em 1987 ou 1988 quando vi um dos capítulos ser exibido na TV Cultura, canal 2, de São Paulo. Lembro que fiquei fascinado. Falava de arte, de religião, costumes, política e principalmente história. Tudo junto em um dos melhores documentários já realizados.

Este terceiro episódio Kenneth Clark nos apresenta o surgimento do amor romântico, ou do romantismo no século XIII. Foi época dos romances de cavalheira e do trovadorismo, com seu amor cortês ou cortesão. Foi uma época de intensa produção cultural, tendo produzido entre outros, o escritor e filósofo Dante Alighieri e o pintor Giotto. Também foi uma época de intensa religiosidade na Europa, trazendo uma novidade para a religião cristã, o culto à Virgem Maria, e o surgimento da Ordem dos Frades Franciscanos, de São Francisco de Assis.

Com legendas em português: Não encontrei a versão dublada e infelizmente essa cópia está com as imagens meio borradas.

Em inglês:

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Civilização - Civilisation - II

O Grande Degelo - The Great Thaw

A primeira vez que assisti a essa série de documentários, roteirizados e apresentados por Kenneth Clark, foi no final dos anos 80, não me lembro mais se foi em 1987 ou 1988 quando vi um dos capítulos ser exibido na TV Cultura, canal 2, de São Paulo. Lembro que fiquei fascinado. Falava de arte, de religião, costumes, política e principalmente história. Tudo junto em um dos melhores documentários já realizados.

Este segundo episódio trata do renascimento cultural, econômico e social da Europa, quando, passados quase 5 séculos do fim do Império Romano, os europeus voltaram a construir grandes obras de engenharia, mas não apenas construções, a própria cultura passou por uma eferverscência com grande produção cultural na área da literatura, filosofia, por exemplo. Esse degelo cultural e social, levou a transformações políticas e econômicas que nos séculos seguintes colocariam a Europa como centro transformador do mundo.

Com legendas em português: Não encontrei a versão dublada e infelizmente essa cópia está com as imagens meio borradas.

Em inglês:

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Civilização - Civilisation - I

Por Um Triz - The Skin Of Our Teeth

A primeira vez que assisti a essa série de documentários, roteirizados e apresentados por Kenneth Clark, foi no final dos anos 80, não me lembro mais se foi em 1987 ou 1988 quando vi um dos capítulos ser exibido na TV Cultura, canal 2, de São Paulo. Lembro que fiquei fascinado. Falava de arte, de religião, costumes, política e principalmente história. Tudo junto em um dos melhores documentários já realizados.

Este primeiro episódio se chama Por Um Triz (pois foi por pouco que a Civilização Ocidental salvou-se da destruição causada pelas diversas invasões de povos bárbaros vindo do leste, do sul e do norte). Quase todo o conhecimento da antiguidade clássica, da qual Roma era depositária salvou-se de ser destruída nos monastérios da Igreja Católica. Neste episódio Kenneth Clark fala dos quase seis séculos após a Queda de Roma, e visita lugares que tiveram importância seja na preservação da cultura clássica, seja na construção do cristianismo ocidental (da qual a Igreja Católica é a representante), seja na retomada do conhecimento e construção da Cultura Ocidental.

Com legendas em português: Não encontrei a versão dublada e infelizmente a única cópia disponível em português (do primeiro episódio) está com as imagens meio borradas.

Em inglês: (imagens ótimas!)


sexta-feira, 17 de julho de 2015

A Disneylândia Faz 60 anos

Encontrei o texto abaixo no site de notícias G1. Achei muito interessante, até porquê não lembrava que a Disneylândia havia sido inaugurada em 1955, achei que fosse 5 ou 10 anos mais recente. Como lerão abaixo, o texto publicado no G1 é uma tradução da matéria escrita pelo jornalista Bob Thomas, da agência de notícias Associated Press (AP), e que foi disponibilizada na tarde de ontem pelo site da agência. Para não deixar este post muito longo, estou reproduzindo apenas o texto do G1 (que é a tradução) e deixei um link para o site da AP (no texto do G1 não há esse link). O endereço do G1 é: http://g1.globo.com/turismo-e-viagem/noticia/2015/07/texto-e-fotos-relembram-abertura-de-primeiro-parque-da-disney-ha-60-anos.html

Texto e fotos relembram abertura do primeiro parque da Disney há 60 anos

Disneylândia na Califórnia abriu em 17 de julho de 1955. Entrada custava US$ 1; atrações eram pagas a parte.
Da AP
Em 16 de julho de 1955, o repórter Bob Thomas, da Associated Press, escreveu uma reportagem sobre a abertura iminente de um elaborado parque temático na Califórnia concebido por Walt Disney. O parque abriu no dia seguinte, o primeiro do império – e este marco completa 60 anos nesta sexta-feira (17).

Bob Thomas foi o autor de uma biografia de Walt Disney e morreu em 2014. Em seu relato na época, ele deu detalhes sobre o novo parque.

Para celebrar, a agência disponibilizou o texto original com o relato sobre a então novidade e as fotos da época. Confira abaixo as impressões e as imagens de seis décadas atrás.
Foto de 17 de julho de 1955 mostra crianças durante a abertura da Disneylândia em Anaheim, na Califórnia (Foto: AP)

O sonho de 20 anos de Walt Disney se torna verdade amanhã quando os portões da Disneylândia, que custou US$ 17 milhões, se abrirem pela primeira vez. Este é o país das maravilhas moderno construído por um rato. Bem, foi Mickey Mouse que começou de qualquer maneira. O astro dos desenhos foi o primeiro sucesso da fabulosa carreira de Walt Disney.

Depois surgiram Pato Donald, Pluto, Branca de Neve, os Sete Anões, Dumbo, Pinóquio e vários outros personagens que ficaram famosos ao redor do mundo. Em algum ponto, o mago dos desenhos teve a ideia para um parque de diversões. Não a ideia habitual de Coney Island, mas um parque imaginativo que iria encantar jovens e adultos.

Disney começou sua jogada há um ano. Ele sucumbiu à tentação da televisão e conseguiu ligar um programa de TV (que ele apresentava) a um parque da Disneylândia. Uma pesquisa mostrou que Anahein, a cidade de luz do sol e dos laranjais, acessível a 10 milhões de pessoas, era a melhor opção.

Um ano depois, a brilhantemente pintada Disneylândia está aberta.

Vinte e dois mil convidados são esperados no parque amanhã para as festas de inauguração. Entre eles estão prefeitos e autoridades, líderes educacionais e empresários do sul da Califórnia, imprensa de todo o país, estrelas de cinema e seus filhos.
Foto de 17 de julho de 1955 mostra Walt Disney durante a abertura da Disneylândia em Anaheim, na Califórnia (Foto: AP)

As cerimônias serão transmitidas pela ABC de 17h30 às 19h, com Disney, Art Linkletter, Irene Dunne, Fess Parker, Davy Crockett e outros.

Cerca de 2,5 mil homens trabalharam para finalizar o parque para a abertura.

Apesar da correria de última hora, todo o parque foi planejado até o último detalhe. E Disney é um grande apegado a detalhes. O interior da estação de trem, por exemplo, teve que ser feito com madeira ornamentada do século XIX. Os 72 cavalos do carrossel Arthur de US$ 102 mil foram refeitos para que parecessem estar pulando ao invés de simplesmente galopando.

O local onde foi instalado o parque era um rancho de laranjas de 160 acres nas proximidades da rodovia Santa Ana. O plano foi elaborado como um parque antigo com os reinos de Fantasyland, Frontierland, Adventureland and Tomorrowland desdobrando-se em quatro direções.

Os funcionários da Disney estimam ser necessário andar não mais do que 2,25 km para conhecer tudo.

Disney estimou os custos em US$ 17 milhões. Quanto custará para um pai amoroso levar sua família? Bem, você terá que desembolsar US$ 1 cada para você, sua mulher e qualquer outro adulto. As crianças pagam US$ 0,50.
Foto de 17 de julho de 1955 mostra o governador Goodwin J. Knight e Walt Disney durante a abertura da Disneylândia em Anaheim, na Califórnia (Foto: AP)

Você provavelmente terá uma boa experiência sem gastar mais. Há muitas coisas interessantes para ver, e muitas empresas criaram exibições fascinantes de graça.

Mas é provável que as crianças vão persegui-lo para comprar os bilhetes para os 35 brinquedos que não são deste mundo. Se você é um glutão e quer testar tudo, custará U$ 8,70 para você e US$ 5,50 para cada criança.

Você pode também dar uma volta completa no parque em uma ferrovia em miniatura, o que custa US$ 0,50 para adultos e US$ 0,2 para crianças. Com os mesmos preços você pode viajar por um rio com Mark Twain, pegar uma excursão de barco, se assustar com animais realistas ou viajar até a lua.

A maior parte das atrações tem valores individuais entre US$ 0,25 e US$ 0,35 para adultos e US$ 0,10 e US$ 0,25 para crianças.

Quanto tempo a visita vai durar? Você poderia provavelmente fazer em um dia, mas não tenha duvidas de que acabará com uma dor de cabeça. A Disney acredita que os visitantes vão passar entre quatro horas e quatro horas e meia no parque. Eles esperam 60 mil pessoas por dia, mas vão tentar limitar ao máximo de 46 mil pessoas ao mesmo tempo.

“Se nós alcançarmos este número, vamos provavelmente fechar os portões”, disse um funcionário. “Não queremos arriscar a diversão daqueles que pagaram para entrar.”

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Com Que Roupa?

Com Que Roupa?

Algum tempo atrás, fui até um shopping na região do ABC Paulista, onde moro. Não que isso seja um grande fato em si, mas como precisava começar meu texto de alguma forma e também situar alguns fatos que vi, considerei melhor começar como se fosse um “explorador”, contando sobre minhas andanças em terras estranhas.

Eu sei! Os shoppings não são terras estranhas habitadas por seres anômalos (se bem que, às vezes, a gente visualiza alguns seres esdrúxulos nesses lugares...). Os shoppings estão bem inseridos no nosso cotidiano e é neles que acabamos passando um bom tempo, seja para fazer compras, alimentarmo-nos ou nos divertirmos (futuramente falarei sobre os “templos do consumo”).
 
Estava na praça de alimentação, comendo um hambúrguer quando avistei, algumas mesas à frente, um grupo de jovens e notei a forma como se vestiam. Nada de anormal para os padrões atuais, mas a primeira coisa que chamou minha atenção foi o fato que dois rapazes usavam camisetas de manga curta sobre camisetas de manga longa. Sempre que olho essa combinação lembro como a moda pode transformar coisas que antes eram bregas e/ou ridículas em algo chique e/ou estiloso, e vice versa.
 
É verdade que esse hábito de vestir camisetas de manga longa por baixo das camisetas de manga curta já tem mais de dez anos. A primeira vez que vi essa combinação foi em um show da banda Blink 182, transmitido pela MTV, isso lá no final da década de 1990. Lembro de ter pensado na época,quando eu era “jovem”, que se eu ou qualquer pessoa nos vestíssemos assim, seriamos ridicularizados e objeto das mais variadas piadas. E não falo apenas dos mais velhos, mas dos próprios colegas de escola, de jovens da mesma idade que não perderiam a oportunidade de rir de um colega se vestindo de forma um pouco diferente.
 
Se não foram eles que lançaram a moda de usar camiseta de manga curta 
por cima da longa, pelo menos eles ajudaram a difundir o costume.

“Você vestiu a roupa de baixo por cima!”, seria o comentário mais comum. Ou ainda: “Você também veste a cueca por cima da calça?” seria uma forma particularmente cruel de arrancar gargalhadas da turma e fazer a maioria dos garotos se arrepender de usar a camiseta de manga curta sobre a camiseta de manga longa. Se há vinte ou vinte cinco anos era ridículo se vestir assim, hoje é tão comum que, com exceção de algumas pessoas com mais de 50 anos, ninguém faria um comentário de reprovação.
 
Quando o grupo de jovens se levantou das cadeiras, vi mais alguns exemplos da atual moda que arrancariam risadas e comentários debochados quinze ou vinte anos atrás. As moças estavam usando umas blusas curtas mostrando o umbigo. Talvez a intenção delas fosse parecer sensual, ou parecer “descoladas”, usando uma roupa que parece ter sido colocada de forma descuidada. Mas o resultado acaba sendo o inverso.

Definitivamente, não é sensual um barrigão à mostra ou um umbigo feio. As gordinhas que me perdoem, mas para poder usar certas roupas, é necessário ter o físico adequado. E mesmo o físico não basta. Já tive acesso de riso com moças que usavam blusas curtas e apertadas. A impressão era que elas estavam usando a roupa da irmã menor. E também, já fiquei mal impressionado com outras moças que ficaram tão vulgares que pareciam garotas de programa. Talvez elas fossem, talvez não, mas mesmo em uma época em que cada um tem o direito de se vestir como bem desejar, é bom preocupar-se com a imagem que transmitimos. São poucos os homens que respeitam o direito de uma mulher se vestir com roupas curtas. Se é que vocês me entendem.

Mas, o mais pitoresco da atual moda jovem é o costume entre os rapazes de usar a calça caindo, como se estivessem com a “fralda cheia”. Conta-se que essa moda originou-se nas prisões norte-americanas. Uma versão conta que“os manos” saiam da prisão mais magros por conta da maravilhosa comida que era servida lá. Por isso, andavam com a calça folgada, então os manés (só podem ser manés) começaram a imitar esse jeito de vestir, usando calças caindo, para parecerem maus... para parecerem perigosos... para parecerem idiotas. Pois, quem é do meio (criminoso) consegue identificar quem é bandido e quem não é.

Mas, olhem só que coisa curiosa... Há algum tempo, ouvi de uma amiga uma outra explicação: A moda das calças caídas teria realmente surgido nas prisões americanas, mas, lá dentro, isso queria dizer que o sujeito com a bunda meio à mostra aceitava relações homossexuais. Ou seja, ele estava disponível para ser a “mulherzinha da cadeia”. Se a origem é mesmo essa, então temos milhões de rapazes se achando muito descolados, durões, machões, mas que, sem saber, estão é sinalizando que seriam homossexuais.

Pensando bem, faz sentido. Se vocês prestarem atenção é sempre a bunda que fica exposta e não o ventre. O que permite concluir que o sujeito quer mostrar a bunda. O que torna isso ainda mais suspeito! Até porque, não existe nenhuma boa justificativa para alguém andar por aí com as calças quase caindo, parecendo que se borrou nas calças. Para os manés que se acham“manos”, a calça meio caída pode se tornar um risco, pois permite que ela realmente caia, limitando os movimentos em caso de necessidade.

Esse desenho é profético! Acreditem!

A moda sempre está mudando, hoje ela é essa, mas dentro de alguns anos, sem que as pessoas se apercebam, será cafona andar com a calça caindo, ou com o umbigo de fora, ou ainda com peças de roupa menores sobre roupas maiores. Um dia, os filhos dos atuais jovens darão risada da forma como seus pais se vestiam, da mesma forma como nós damos risadas das roupas do final da década de 1960 (de inspiração hippie), ou das roupas de 1970 (Lembram aqueles cabelões, aqueles ternos de corte estranho, com gravatas largas e camisas com gola enorme? E as calças boca de sino?), ou ainda das roupas de 1980 (Quem não se lembra das ridículas, já na época, ombreiras e aqueles cortes de cabelo estilo Playmobil?). Preparem-se, no futuro seus filhos rirão de vocês. E vocês não poderão discordar!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

De Gaivotas A Mulheres Frankenstein

No ano passado, mais precisamente em março, escrevi e publiquei o texto abaixo. Resolvi republicá-lo agora em meu blog, mas antes, fiz algumas modificações em relação ao texto original. Então, quem conhecia a primeira versão, pode estranhar a mudança de algumas palavras.

De Gaivotas A Mulheres Frankenstein

Nos últimos dias de fevereiro de 2013, acompanhei no noticiário a ocorrência de um fenômeno que não é recente, mas que ficou mais visível durante o carnaval daquele ano. Estou falando dos corpos deformados de algumas “rainhas”, “madrinhas” e outras “inhas” de escolas de samba. Em especial, chamou minha atenção as fotos de uma dessas “inhas” chamada Gracyanne Barbosa, cuja maior notoriedade é ser a atual companheira do cantor Belo. Observem a foto abaixo.

(foto: Roberto Filho / AgNews)

Nessa foto e em outras (que são fáceis de achar pela internet) é possível observar que há algo muito estranho no corpo dela. As nádegas estão anormalmente grandes e pontudas (como se fossem duas bolas tivessem sido colocadas sob a pele). Suas pernas e canelas finas contrastam com as enormes e musculosas coxas. As costas e braços têm uma definição muscular que mais parece de um sapo, ou um fisiculturista. Cheguei a pensar que as fotos fossem de um travesti. O que leva uma pessoa a deformar seu corpo desta forma? E ainda achar belo, ou pelo menos satisfatório o resultado?

Antes de dar a resposta para estas perguntas, algumas considerações e informações pertinentes. O carnaval sempre foi a "festa da carne", por isso não é recente essa exposição de corpos modelados, com exercícios físicos, ou transformados com próteses de silicone. É difícil dizer quem foi a primeira mulher a transformar o próprio corpo de forma tão “drástica”, mas com certeza a mais famosa de todas foi Ângela Bismarck. Por sinal, ela tornou-se uma celebridade exatamente pelo fato de anunciar que havia se submetido a dezenas de cirurgias plásticas (realizadas pelo então marido) para participar de desfiles e bailes de carnaval.

Com o passar dos anos, começaram a aparecer outras mulheres, que transformavam seus corpos com o intuito de ficarem famosas, e não apenas durante a época do carnaval. Algumas repetiram o exemplo da Ângela Bismarck, fazendo modificações por todo o corpo, outras preferiam fazer musculação para desenvolver, principalmente, as coxas e nádegas. Entre as mulheres “bombadas”, a mais famosa de todas foi Viviane Araújo. Lembro-me de quando ficou famosa, em meados dos anos 90, logo após sua participação no concurso das Panteras. Nesta época, era uma moça normal, sem nada exagerado, mas com um belo corpo feminino. No início dos anos 2000, avistei-a em um shopping de São Paulo, em companhia do esposo, naquela ocasião, o cantor Belo (curioso o gosto deste rapaz por mulheres com aparência de homem). Ela estava peituda (com certeza era silicone), estava com a musculatura (principamente das pernas) bem desenvolvida e definida, e vestia uma roupa tão apertada que era difícil acreditar que ela conseguia se mexer sem desconforto.

Mas ela parecia feliz... Talvez por chamar a atenção de todo mundo, ainda que pelos motivos errados, pois todos olhavam aquela “esquisitice” em que ela havia se transformado. Apesar do bundão e dos peitões (estes parecendo saltar para fora da roupa agarrada) o corpo dela havia ficado "desequilibrado" e pouco feminino. Pode-se afirmar que ela acabou tornando-se a pioneira deste fenômeno atual, que chamo de “mulheres Frankenstein”. Não é a toa que, durante uma reportagem do programa “Fantástico” (17 de fevereiro de 2013), um sujeito descreveu a Viviane Araújo como sendo: a “mistura perfeita entre músculos e samba no pé”.

Por que uma a pessoa modificaria seu corpo com exercícios e silicones, mesmo quando não precisa, pois já tem um corpo belo? Uma possível explicação poderia ser o desejo de ganhar alguns minutos de fama e consequentemente ganhar uns trocados participando de eventos. Essa resposta não me parece muito satisfatória, pois bastaria apenas manter a boa aparência corporal (com uma alimentação saudável e alguns exercícios físicos moderados) para obter essa exposição desejada e os trabalhos com “eventos”, que vem com a fama.

Outra explicação, aliás muito citada, explica esse "fenômeno" como sendo fruto da “ditadura da moda”. É como se essas mulheres fossem vítimas de uma imposição social, econômica, ou outro tipo, e não tivessem condições de escapar. É claro que essas mulheres não são obrigadas a fazer isso com seus corpos, fazem porque querem! Este é o ponto onde quero chegar. Na mesma matéria do “Fantástico”, uma moça (que não faço ideia de quem seja) fez uma declaração mais ou menos assim: “As pessoas ficam esperando a mulher com coxão, com peitão, mulherão... O carnaval pede isso”.

O carnaval não é um ser para pedir ou exigir alguma coisa. O que existe são pessoas que esperam ver mulheres com peitão, coxão, bundão. Existe um culto ao padrão de beleza caracterizado por corpos exagerados. Todos os dias vemos representações desse padrão de beleza a nossa volta em pinturas, histórias em quadrinhos, esculturas, bonecos de plástico, etc. E isso não é um fenomeno recente. Desde que a humanidade começou a produzir imagens artísticas (a partir do neolítico) poucas foram as situações em que produzimos imagens realistas, seja dos seres humanos, seja de outros seres vivos. E qual a razão para isso? E qual a relação com as “mulheres Frankenstein”?

Um neurocientista indiano chamado Vilayanur S. Ramachadran defende em seus trabalhos a tese de que existe um princípio neurológico, nomeado por ele como supernormal stimulus (e que pode ser traduzido livremente como princípio do exagero). A tese do neurocientista pode ser explicado através do seguinte experimento: Percebeu-se que os filhotes de uma espécie de gaivota reconhecem a figura de sua mãe observando uma faixa vermelha no meio de seu bico amarelo. Quando aproximamos um palito amarelo, com uma faixa vermelha, dos filhotes, os mesmos se atiçam. Até aí parece óbvio, pois os filhotes podem estar confundindo o palito com a mãe, achando que serão alimentados. O interessante é quando se aproxima deles um palito com uma faixa vermelha e outro com duas faixas vermelhas, ao mesmo tempo.

Os filhotes ignoram o palito com uma faixa e preferem o palito com duas. Se colocarmos mais palitos com mais faixas vermelhas (três, quatro, cinco...) os filhotes manifestam maior interesse nos palitos que têm mais faixas vermelhas. Quanto mais faixas, mais excitados eles ficam. Ramachadran defende que nós, seres humanos, também possuímos um instinto biológico que leva a nossa mente a preferir uma representação exagerada do corpo humano.

Chegamos onde eu queria. Vamos voltar à frase dita por aquela moça: “as pessoas ficam esperando a mulher com coxão, com peitão, mulherão”. O que ocorre é que essas mulheres percebem que existe um culto a algumas características físicas (grandes e firmes glúteos, seios igualmente grandes e firmes, um corpo com tônus muscular) e elas querem ter corpos assim. Mas não basta ser apenas firme e grande. Por causa do princípio do exagero, os seios e as nádegas têm que ser enormes, tão grandes que chamem a atenção. Pouco importando se o corpo acabe ficando esteticamente estranho, e até feio. As coxas têm que ser grossas, tão grandes que os joelhos e pernas aparentem ser pequenos diante daquela massa de músculos acima deles.

Ao exagerarem seus corpos (ou parte deles) as "mulheres Frankenstein" buscam a fama. Não apenas isso. Também procuram chamar a a atenção para conseguir trabalhos (e dinheiro), ou se sentirem desejadas, e consequentemente mais belas. Ainda que o resultado final de sua transformação corporal não seja harmônico nem belo.

Um comentário final: Não estou desejando mal a ninguém, mas dependendo do que estejam fazendo com seus corpos, dentro de alguns anos as "mulheres Frankenstein" terão sérios problemas de saúde e dores pelo corpo.