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domingo, 8 de abril de 2018

Civilização - Civilisation - X

O Sorriso Da Razão - The Smile Of Reason

A primeira vez que assisti a essa série de documentários, roteirizados e apresentados por Kenneth Clark, foi no final dos anos 80, não me lembro mais se foi em 1987 ou 1988 quando vi um dos capítulos ser exibido na TV Cultura, canal 2, de São Paulo. Lembro que fiquei fascinado. Falava de arte, de religião, costumes, política e principalmente história. Tudo junto em um dos melhores documentários já realizados.

Neste episódio Kenneth Clark trata de alguns personagens que participaram e deram forma ao Iluminismo. O Iluminismo, também conhecido como Ilustração, ou ainda Século das Luzes, foi um movimento intelectual e filosófico que dominou o século XVIII e tinha sua base em uma série de ideias centradas na razão como a principal fonte de autoridade e legitimidade. Na França, onde o iluminismo ganhou força, os filósofos do movimento preconizavam a liberdade individual, a tolerância religiosa, com a separação da Igreja do Estado, a liberdade, de movimento, e de expressão, e um governo constitucional.

Ainda que o Iluminismo esteja profundamente ligado à França, pois foi neste, e deste, país que surgiram os maiores expoentes desse movimento, foi inspirado na Inglaterra, mais especificamente na tolerância desse país para com as opiniões diversas, o que resultou na liberdade de expressão, de pensamento e de imprensa que muito cedo tornaram-se marcas da sociedade inglesa. Foi para lá que muitos intelectuais europeus se refugiaram das perseguições que sofriam em seus países. E foi nesse ambiente que muitos filósofos encontraram inspiração para suas obras. Entre esses, estava Voltaire, o maior e mais famoso representante do Iluminismo.

Mas Kenneth Clark não fala apenas da filosofia. Ele fala da vida dos senhores de terra ingleses do século XVIII e de suas propriedades rurais, da incipiente democracia britânica, com suas suspeitas e, em muitos casos, comprovadas fraudes eleitorais. Ainda que aquela tenha sido uma época de grande de grande efervescência cultural, de um estilo de vida gracioso e delicado, com a nobreza e a burguesia aproveitando um estilo de vida gracioso, em salões de festas em seus palácios e palacetes, temos ao mesmo tempo uma vida urbana repleta de tipos grosseiros levando uma vida que faria a vida descrita nos dias de hoje pelas letras de Rap e Funk parecer inocente. Não é à toa que o iluminismo e a graciosa vida dos salões do Antigo regime acabaram com a Revolução Francesa de 1789.

Com legendas em português: Não encontrei a versão dublada e infelizmente essa cópia está com as imagens meio borradas.

Em inglês:

domingo, 1 de abril de 2018

Civilização - Civilisation - IX

A Procura Da Felicidade - The Pursuit Of Happiness

A primeira vez que assisti a essa série de documentários, roteirizados e apresentados por Kenneth Clark, foi no final dos anos 80, não me lembro mais se foi em 1987 ou 1988 quando vi um dos capítulos ser exibido na TV Cultura, canal 2, de São Paulo. Lembro que fiquei fascinado. Falava de arte, de religião, costumes, política e principalmente história. Tudo junto em um dos melhores documentários já realizados.

Neste episódio Kenneth Clark trata da arte do século XVIII, da arte que conhecemos de forma genérica como Barroco, da música clássica produzida por gênios como Handel, Haydn, Bach e Mozart, com seu fluxo harmonioso e sua complexa simetria, e da sua elaborada arquitetura Rococó. Mas antes, Clark fala um pouco sobre o Classicismo, o estilo arquitetônico que precedeu a arquitetura Barroca e seu Rococó. Ainda que o Classicismo, fosse muito apreciado pois era o "estilo arquitetônico oficial" do regime centralizado francês, e a França era, e seria por muitos anos, quem ditava a moda em todos os estilos artísticos, o Barroco, criado e desenvolvido na Itália, seria quem melhor se adequaria ao estilo e necessidade da nobreza de língua germânica. 

Com legendas em português: Não encontrei a versão dublada e infelizmente essa cópia está com as imagens meio borradas.

Em inglês:

domingo, 25 de março de 2018

Civilização - Civilisation - VIII

A Luz Da Experiência - The Light Of Experience

A primeira vez que assisti a essa série de documentários, roteirizados e apresentados por Kenneth Clark, foi no final dos anos 80, não me lembro mais se foi em 1987 ou 1988 quando vi um dos capítulos ser exibido na TV Cultura, canal 2, de São Paulo. Lembro que fiquei fascinado. Falava de arte, de religião, costumes, política e principalmente história. Tudo junto em um dos melhores documentários já realizados.

Neste episódio Kenneth Clark começa falando sobre a luz sobre a sua importância para a pintura, para a arte, para a ciência, um verdadeiro simbolo de civilização. A luz esteve no centro tanto de uma revolução artística na pintura (a forma de retratar os temas, mas também os próprios temas que eram retratados), quanto de uma revolução científica que teve no microscópio e no telescópio seus símbolos, e não podemos esquecer que ambos os instrumentos tem como propriedade concentrar ou dispersar os raios de luz. Na Holanda (ou Países Baixos) e depois no Reino Unido uma nova forma de ver, de interpretar o mundo, colocou de lado a autoridade divina e pôs em seu lugar a observação, a experiência e a experimentação. A Holanda (Países Baixos) foi o primeiro país a se beneficiar dessa mudança, que decorreu de transformações sociais e econômicas decorrentes sobretudo do comércio.

Ainda que as guerras religiosas entre católicos e protestantes tenham ensinado que era muito mais proveitoso, em todos os temas, tolerar opiniões diferentes das suas do que simplesmente eliminá-las, católicos e protestantes continuaram a se matar (inclusive dentro de seus grupos religiosos) até meados do século XVII, e mesmo os judeus também perseguiam uns aos outros por questões religiosas. Vale a pena comparar esse episódio com o sexto episódio da série Cosmos, vocês verão como Kenneth Clark, tendo como foco a arte, explica muito melhor a ciência e os costumes do que Carl Sagan, o link está AQUI. 

Com legendas em português: Não encontrei a versão dublada e infelizmente essa cópia está com as imagens meio borradas.

Em inglês:

domingo, 18 de março de 2018

Civilização - Civilisation - VII

Grandiosidade E Obediência - Grandeur And Obedience

A primeira vez que assisti a essa série de documentários, roteirizados e apresentados por Kenneth Clark, foi no final dos anos 80, não me lembro mais se foi em 1987 ou 1988 quando vi um dos capítulos ser exibido na TV Cultura, canal 2, de São Paulo. Lembro que fiquei fascinado. Falava de arte, de religião, costumes, política e principalmente história. Tudo junto em um dos melhores documentários já realizados.

Neste episódio Kenneth Clark fala da vitória da Contra Reforma. Ele não se refere à vitória militar, nem a política. Ainda que tenham existido ambas, com a recuperação de diversos territórios e populações que haviam sido ocupados pelos protestantes. Mas essa vitória demorou algum tempo para ocorrer. Depois do saque de Roma, de 1527, que pareceu atingir de forma profunda não só a autoridade temporal, mas também a espiritual do Papa, parecia que o catolicismo estaria reduzido a encolher e perder sua importância frente ao protestantismo e os poderes seculares. Mas A Igreja Católica reagiu, e conseguiu recuperar sua primazia temporal e recuperar sua importância religiosa. Isso foi obtido sobretudo através do Concílio de Trento, o concílio ecumênico mais longo e que também emitiu o maior número de decretos dogmáticos e reformas, obtendo os mais benéficos, duradouros e profundos resultados sobre a fé e a disciplina da Igreja.

Para opôr-se ao protestantismo, o concílio emitiu numerosos decretos disciplinares e especificou claramente as doutrinas católico‐romanas quanto à salvação, os sete sacramentos, a doutrina da graça e do pecado original, a justificação, a liturgia e o valor e importância da missa, o celibato clerical, a hierarquia católica, o culto dos santos, das relíquias e das imagens, as indulgências e a natureza da Igreja. Regulou as obrigações dos bispos, criou seminários nas dioceses como centros de formação sacerdotal e confirmou-se a superioridade do Papa sobre qualquer concílio ecumênico. Mas o programa não trata apenas de religião, também trata de arte, e das obras que finalizaram a decoração da Basílica de São Pedro, aconselho que assistam ao programa.

Com legendas em português: Não encontrei a versão dublada e infelizmente essa cópia está com as imagens meio borradas.

Em inglês:

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Escadarias Pelo Mundo - VIII

Escadarias Pelo Mundo

Depois de uma sequência com escadarias internas, vou voltar a exibir escadarias externas. A ideia para publicar esstas fotos veio algumas semanas atrás, quando vi em um site uma lista de escadarias famosas, ou pelo menos inusitadas, espalhadas pelo mundo. Parece que a lista havia sido feita originalmente por um site americano, mas diversos outros sites ao redor do mundo resolveram copiar e fazer modificações na lista original. Gostei da ideia, e por isso, resolvi fazer a minha própria lista.

Duisburg - Alemanha
De longe, parece uma montanha-russa. Mas ao chegar mais perto percebe-se que a atração conhecida como Montanha Mágica, ou Tigre e Tartaruga, na cidade alemã de Duisburg, é uma gigantesca escadaria com 249 degraus e vista sobre o rio Reno.
Para os curiosos: Não é possível andar pelo looping. Esta parte está fechada por uma barreira.

Munique - Alemanha
Essa escultura, que também é uma escadaria é criação do artista dinamarquês Olafur Eliasson, "Umschreibung" ("reescrevendo" em alemão) é uma escadaria com forma de dupla-hélice e com 30 metros de altura.
A escadaria/escultura está situada em frente à sede de uma grande empresa alemã em Munique, é meramente decorativa, e não leva a lugar nenhum.

Escadarias Pelo Mundo - VII

Escadarias Pelo Mundo

Continuando a série sobre escadarias, neste post, como nos dois anteriores estão escadarias internas, localizadas dentro de edifícios. Dependendo do ângulo, algumas são verdadeiras obras de arte. Coletei as imagens a seguir a partir de diversos sites. Infelizmente as fotos não costumam vir com algum texto identificando de onde as fotos foram tiradas, nem os nomes dos edifícios, nem as cidades onde estão localizadas. Assim que descobrir de onde cada foto foi tirada, irei atualizar o post. Enquanto isso, apreciem as inusitadas figuras geométricas que surgem a partir das espirais. Nesse post, a minha escadaria preferida é a quinta foto.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Escadarias Pelo Mundo - VI

Escadarias Pelo Mundo

Continuando a série sobre escadarias, neste post, como nos dois anteriores estão escadarias internas, localizadas dentro de edifícios. Dependendo do ângulo, algumas são verdadeiras obras de arte. Coletei as imagens a seguir a partir de diversos sites. Infelizmente as fotos não costumam vir com algum texto identificando de onde as fotos foram tiradas, nem os nomes dos edifícios, nem as cidades onde estão localizadas. Assim que descobrir de onde cada foto foi tirada, irei atualizar o post. Enquanto isso, apreciem as inusitadas figuras geométricas que surgem a partir das espirais. Nesse post, a minha escadaria preferida é a quinta foto.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Escadarias Pelo Mundo - V

Escadarias Pelo Mundo

Continuando a série sobre escadarias, neste post, como nos dois anteriores estão escadarias internas, localizadas dentro de edifícios. Dependendo do ângulo, algumas são verdadeiras obras de arte. Coletei as imagens a seguir a partir de diversos sites. Infelizmente as fotos não costumam vir com algum texto identificando de onde as fotos foram tiradas, nem os nomes dos edifícios, nem as cidades onde estão localizadas. Assim que descobrir de onde cada foto foi tirada, irei atualizar o post. Enquanto isso, apreciem as inusitadas figuras geométricas que surgem a partir das espirais. Nesse post, a minha escadaria preferida é a segunda foto.

domingo, 30 de agosto de 2015

Escadarias Pelo Mundo - IV

Escadarias Pelo Mundo

Neste post, como no anterior, resolvi publicar fotos de escadarias, mas não escadarias externas, ao ar livre, como em outros posts. Abaixo estão imagens de escadarias internas, localizadas dentro de edifícios. Dependendo do ângulo, algumas são verdadeiras obras de arte. Coletei as imagens a seguir a partir de diversos sites. Infelizmente as fotos não costumam vir com algum texto identificando de onde as fotos foram tiradas, nem os nomes dos edifícios, nem as cidades onde estão localizadas. Assim que descobrir de onde cada foto foi tirada, irei atualizar o post. Enquanto isso, apreciem as inusitadas figuras geométricas que surgem a partir das espirais. Nesse post, a minha escadaria preferida é a segunda foto.









sábado, 29 de agosto de 2015

Escadarias Pelo Mundo - III

Escadarias Pelo Mundo

Neste post, resolvi publicar fotos de escadarias, mas não escadarias externas, ao ar livre, como em outros posts. Abaixo estão imagens de escadarias internas, localizadas dentro de edifícios. Dependendo do angulo, algumas são verdadeiras obras de arte. Coletei as imagens a seguir a partir de diversos sites. Infelizmente as fotos não costumam vir com algum texto identificando de onde as fotos foram tiradas, nem os nomes dos edifícios, nem as cidades onde estão localizadas. Assim que descobrir de onde cada foto foi tirada, irei atualizar o post. Enquanto isso, apreciem as inusitadas figuras geométricas que surgem a partir das espirais. Nessa série, a minha preferida é a quinta foto.





sábado, 1 de agosto de 2015

Escadarias Pelo Mundo - II

Escadarias Pelo Mundo

Alguns dias atrás, vi em um site uma lista de escadarias famosas, ou pelo menos inusitadas, espalhadas pelo mundo. Parece que a lista havia sido feita originalmente por um site americano, mas diversos outros sites ao redor do mundo resolveram copiar e fazer modificações na lista original. Gostei da ideia, e por isso, resolvi fazer a minha própria lista. Para não ficar um post muito longo, vou exibir algumas dessas escadarias de cada vez.

Awaji Hyakudanen - Japão
 "Awaji Yumebutai" (traduzindo "Patamar dos Sonhos") é complexo de edificações localizadas na Ilha Awaji, que pertence à prefeitura de Hyogo, Japão.  Um dos dos jardins de Awaji Yumebutai é o jardim de 100 níveis (em japonês - hyakudan'en), o jardim é composto por 100 casas geminadas de pequenos jardins.
Awaji Hyakudanen foi construído como um memorial do terremoto Hanshin (1995) ao lado de uma montanha, que tinha sido perdido metade do terreno no início dos anos 90 para uso como aterro para a construção de ilhas artificiais na Baía de Osaka Bay (um dos aterros é agora o Aeroporto Internacional de Kansai).

Chand Baori, Índia
Chand Baori é uma escadaria famosa situada na aldeia de Abhaneri perto de Jaipur, no estado indiano de Rajasthan. Foi construída no ano 800 D.C., pelo Rei Chand, da dinastia Chahamana. Seus 3.500 estreitos degraus em 13 níveis, alcançam uma profundidade de 20 metros.
O estado de Rajasthan é extremamente árido, e o complexo foi construído com a intenção de conservar o máximo de água possível. No fundo do poço, o ar permanece de 5 a 6 graus mais frio que no topo. Chand Baori é (ou pelo menos era) usado como um local de encontro para os moradores da comunidade durante os períodos de calor intenso.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Escadarias Pelo Mundo - I

Escadarias Pelo Mundo

Alguns dias atrás, vi em um site uma lista de escadarias famosas, ou pelo menos inusitadas, espalhadas pelo mundo. Parece que a lista havia sido feita originalmente por um site americano, mas diversos outros sites ao redor do mundo resolveram copiar e fazer modificações na lista original. Gostei da ideia, e por isso, resolvi fazer a minha própria lista. Para não ficar um post muito longo, vou exibir algumas dessas escadarias de cada vez.

Montanha Bueren - Bélgica
A montanha Bueren na verdade não é uma montanha, mas um morro bem alto localizado na cidade de Liége. Pela altura, e o grande número de degraus, a impressão de quem sobe todos os 374 degraus é de que a escadaria está em uma montanha. A escadaria foi construída em 1881 para permitir que soldados estacionados no alto do morro pudessem chegar ao centro da cidade, rapidamente sem ter que perder tempo pelas ruas sinuosas dessa cidade medieval. 
Do alto da escadaria é possível ver o rio Meuse.

Escadaria Potemkin - Ucrânia
É o cartão postal da cidade litorânea de Odessa. Originalmente o nome era escadaria Richelieu, em referência a estátua do Duque de Richelieu, primeiro prefeito de Odessa, que fica no alto da escadaria. Em 1955, a escadaria teve seu nome mudado para Potemkin para comemorar os 30 anos de aniversário do filme Couraçado Potemkin, no qual aparecia a famosa cena no qual civis eram fuzilados na escadaria. Tal fato nunca aconteceu na verdade, a cena foi criada pelo diretor Sergei Eisenstein. 
 A escada foi restaurada em 1933 e o grès foi substituído por granito rosa oriundo do rio Bug Ocidental e os degraus foram cobertos de asfalto. Oito degraus foram retirados quando a área do porto foi ampliada, chegando-se aos 192 atuais. 
Os degraus tem 12,5 metros de largura no alto da escada, no sopé os degraus tem 21,5 metros de largura. Sua extensão é de 142 metros e, vista de baixo parece ser ainda mais longa por uma ilusão de ótica. São 192 degraus (originalmente eram 200) com 10 patamares intermediários. Sua concepção é tal que um observador no alto da escadaria vê somente os patamares, enquanto que de baixo são vistos somente os degraus.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

São Paulo Antiga - Largo São Bento - III

Nesta última (por enquanto) foto da série "São Paulo Antiga", vemos o Largo São Bento por outro ângulo. Mais à direita está a fachada da Faculdade do Mosteiro de São Bento. Ao lado, o Viaduto Santa Ifigênia e a Igreja de Santa Efigênia, ao fundo. Não faço ideia do que seriam esses dois prédios à esquerda na foto, mas assim que descobrir eu atualizo o post. Não sei dizer também quando a foto foi realizada. A reforma, que resultou na atual configuração, do Mosteiro de São Bento terminou em 1922, portanto, a foto deve ser da década de 1920, ou 1930. A praça que estamos vendo não existe mais, ela foi "aberta" (ou seja, escavaram um buraco) para a construção da estação do metrô... São Bento.

São Paulo Antiga - Largo São Bento - II

Esta foto foi tirada praticamente do mesmo ângulo que a mostrada no post anterior. Apesar de não ter certeza do ano em que esta fotografia foi tirada, e nem a anterior, dá para especular que quase três décadas separam uma da outra. Ao fundo está o Edifício Martinelli, durante muitos anos o edifício mais alto da América do Sul, e que foi terminado em 1938. Mais à esquerda há outro prédio que acredito ser o Edifício Altino Arantes, mais conhecido como o "Prédio do Banespa", e que foi concluído em 1947. Portanto, a foto deve ter sido tirada nesse período entre 1938 e 1947.

domingo, 1 de junho de 2014

São Paulo Antiga - Largo São Bento - I

Nessa fotografia de data incerta, mas que deve ter sido tirada entre os anos 1900 e 1930, vemos o Largo de São Bento, localizado no centro da capital paulista. Aparentemente, a foto foi tirada de dentro do Mosteiro de São Bento. A rua que aparece se afastando, é a Rua São Bento, e que nos dias de hoje é um calçadão. Dos três prédios, que aparecem na imagem, somente o da esquerda ainda está de pé, e suas instalações são usadas para lojas de material elétrico.

São Paulo Antiga - Vale do Anhangabaú - II

Nesta fotografia, aparecem os dois Palacetes Prates (que foram demolidos na década de 1970). É interessante observar que os antigos jardins do vale do Anhangabaú formavam um conjunto arquitetônico contínuo, como se fossem "propriedade particular" dos dois Palacetes. Na foto é visível um prédio entre os dois palacetes (na verdade ele está localizado do outro lado da Rua Líbero Badaró). É o Edifício Sampaio Moreira, que ainda existe e é o mais antigo edifício da cidade de São Paulo. A data da fotografia é incerta.

sábado, 31 de maio de 2014

São Paulo Antiga - Vale do Anhangabaú - I

Vou aproveitar que no post anterior descrevi como se deram algumas das transformações arquitetônicas sofridas pela cidade de São Paulo, e vou exibir uma nova série de fotografias com imagens antigas da capital paulista. Não sei precisar o ano em que a foto abaixo foi tirada, mas imagino que tenha sido durante a década de 1920. Na foto, é possível ver: Mais à esquerda o antigo prédio da Light (e que hoje é o Shopping Light), o antigo Viaduto do Chá (que foi demolido em 1938), o Theatro Municipal de São Paulo (mais ao centro da imagem) e o edifíco mais à direita é o antigo Hotel Esplanada.

Dos Campos Elíseos Ao Brooklyn

Escrevi esse texto cerca de 10 anos atrás para uma disciplina da ECA-USP. Estou avisando que o texto é antigo, porque alguns dos professores da FAU-USP citados abaixo já podem estar aposentados. Mas isso não deve ser um empecilho, mesmo tendo sido originalmente escrito uma década atrás, o texto é de interesse permanente, e sei que muitos irão gostar.

Dos Campos Elíseos ao Brooklyn

O Theatro Municipal, o antigo Parque Trianon, o Parque do Anhangabaú, o jardim do Museu do Ipiranga, o casarão de Dona Veridiana Prado, em Higienópolis, entre outras. São várias as construções e intervenções urbanas que revelam a influência estética francesa em São Paulo. O nome de um dos primeiros bairros residenciais das classes ricas de São Paulo, o Campos Elíseos, foi inspirado no Champs Elysées. Uma semelhança que levou Mário de Andrade a escrever: “São Paulo! Comoção de minha vida... Galicismo a berrar nos desertos da América”. Durante a Primeira República, São Paulo sofreu uma profunda transformação urbana e arquitetônica, que mudou radicalmente a feição da cidade e deixou algumas de suas regiões com uma aparência quase parisiense. Essa reforma urbana foi uma consequência da riqueza advinda do ciclo econômico do café.

Nesta fotografia aparecem os antigos Palacetes Prates ao fundo e o antigo Viaduto do Chá, que foi demolido e substituído pelo atual.

Conforme a cidade crescia e ganhava importância como capital econômica do país, surgia a necessidade de um novo plano urbanístico para a cidade. Este foi implementado pelo poder público, por volta de 1890, e implicava na ordenação do traçado urbano, visando tornar as ruas da cidade mais largas, retas e uniformes. Além disso, desejava-se “re-urbanizar” São Paulo, substituindo as antigas casas térreas e sobrados de taipa da área central por edifícios mais altos, mais imponentes, construídos com materiais mais sólidos e com estilos mais europeu. Edifícios mais cosmopolitas, próximos dos padrões adotados nas mais influentes capitais do mundo, surgiram seguindo o gosto arquitetônico vigente na época: O ecletismo, que combinava diversas influências estéticas e estilos arquitetônicos.

O principal modelo para essa transformação foi Paris, que tinha acabado de passar por uma ampla reforma urbana, a maior de que se tinha notícia até então, sendo empreendida pelo Barão Haussmann (prefeito entre 1852-1871). Uma parte considerável da cidade foi demolida, as antigas ruas de traçado medieval, e estreitas, foram destruídas para dar lugar a grandes avenidas, boulevards e edificações modernas e amplas. Esses edifícios foram construídos de forma padronizada, integrando um único projeto, no qual predominava o estilo Neoclássico. A este  eram incorporadas várias outras influências daquela época e de estilos diversos, como o Normando, o Barroco, o Gótico e o Renascentista.

O Theatro Municipal de São Paulo, o Hotel Esplanada e o Vale do Anhangabaú, vistos a partir de um dos Palacetes Prates.

Uma cidade italiana
Apesar dos exemplos citados acima, diversos estudiosos e professores que lecionam História da Arquitetura discordam que a arquitetura praticada na época, em São Paulo, tivesse forte predomínio francês. Para alguns, a influência do Neoclassicismo Italiano teria sido preponderante. “Usar o termo estilo francês é complicado. Porque apesar do modelo da época ser Paris, em São Paulo há muito mais influências italianas, devido os imigrantes que aqui se instalaram. No Rio de Janeiro a influência francesa foi maior que em São Paulo”, explica a Professora Doutora Mônica Junqueira do Departamento de História da FAU-USP, que completa: "Na segunda metade do século XIX, quando Haussmann fez a reconstrução de Paris, impôs o estilo Neoclássico, inspirado nos estilos Romano e Grego. Na Grécia e na Roma, antigas, não existiam edifícios de 6 andares, ou seja, foi necessário adaptar toda uma linguagem antiga pra essa realidade. É por isso que quando se vê os edifícios antigos da Rua Líbero Badaró, aquilo lembra muito mais Paris. No pacote pronto, dada a dimensão da obra, a França é a que oferece esse modelo do século XIX, que é a adaptação dessa linguagem antiga, para uma realidade nova".

Em primeiro plano, os jardins do Vale do Anhangabaú e, mais adiante, os dois palacetes Prates, demolidos nos anos 1970.


Até os anos 30, o Vale do Anhangabaú formava o mais homogêneo conjunto arquitetônico de inspiração francesa. De um lado ficava o Theatro Municipal (em estilo Neoclássico com alguns detalhes Neobarrocos), do outro, ficavam os prédios da Rua Libero Badaró, que eram quase do mesmo estilo e gabarito (altura), e dentre eles se destacavam os dois Palacetes Prates. Esses palacetes formavam um conjunto contínuo com o Parque do Anhangabaú, cujo projeto foi elaborado por um francês, chamado Joseph Bouvard, em 1911. O melhor exemplo do ecletismo arquitetônico do período eram os palacetes localizados na região da Paulista: “A Avenida Paulista, por exemplo, era soberbamente eclética. Lá existia um edifício eclético em estilo Neoclássico tardio. Perto havia uma casa com estilo árabe, outra com estilo Fiorentino, outra Neogótico, estilo Art Noveau, e por aí vai. Você tinha esse ecletismo em Paris, mas lá havia uma predominância do estilo neoclássico, e Art Deco também”, conta o professor José Pedro Costa do Departamento de História da FAU-USP.

A nova inspiração
Da mesma forma que Paris foi o modelo de arquitetura e urbanismo, em meados do século XIX, a maioria das cidades se inspirariam em Nova Iorque quando a necessidade, ou o desejo, de verticalização apareceu no século XX. É possível ver essa influência em edifícios como o prédio do Banespa, no centro, que visualmente lembra muito o Empire State Building, principalmente se visto a partir do Parque Dom Pedro II, onde aparece inserido em um “mar” de edifícios. Na Avenida Paulista, o Conjunto Nacional também lembra um prédio nova iorquino, seja pelo formato, com um bloco vertical e outro horizontal fechando o quarteirão, seja pela relação com o espaço público-privado, que passou a ser uma característica dos prédios em Manhatann, a partir do mandato do prefeito John Lindsay.

Arranha-céus do centro de São Paulo, vistos a partir do Parque Dom Pedro II, na década de 1950.

Seguindo o exemplo de edifícios como o Rockfeller Center, uma nova legislação sobre o uso do solo e a construção de edifícios foi aprovada. Em troca da permissão para a construção de imensos arranha-céus, as construtoras eram obrigadas a criar áreas de livre circulação nos seus andares inferiores. Praças públicas surgiram no interior dos edifícios, galerias subterrâneas ligando o prédio com as ruas laterais e os metrôs se tornaram uma característica da maioria dos grandes arranha-céus da cidade, como era o caso do World Trade Center. Outras áreas da cidade de São Paulo não se parecem com Nova Iorque, visual ou arquitetonicamente, como é o caso da região da avenida Luís Carlos Berrini, no Brooklyn. “A região da Berrini tem mais a haver com Los Angeles, com a Costa Oeste dos Estados Unidos, ou Houston, no Texas. Em Nova Iorque existem edificações que muitas vezes geram um estranhamento visual, no entanto o espaço ocupado pela arquitetura não se limita à paisagem. A legislação, que ordena a construção de edifícios, impõe normas que têm em vista a qualidade do espaço da cidade. Enquanto que em Los Angeles é o contrário. Comparando (a Berrini com Los Angeles), elas têm em comum apenas a imagem. O que importa é o impacto da perspectiva exterior, instantânea, desses prédios cheios de reflexos. Em Nova Iorque há o tempo, o uso, a memória, que ajudam a construir uma sensação de fato na memória”, opina Antônio Carlos Barossi, Professor do Departamento de Projetos da FAU-USP.

Os prédios na região da Berrini, em São Paulo, dos espigões de vidro ao aço inox da Costa Oeste dos Estados Unidos, ou as torres do Sudeste Asiático, estão todas em regiões fortemente ligadas à empresas, principalmente multinacionais. Nesse caso, esses edifícios estariam ligados a uma arquitetura internacionalizada, impessoal, que alguns arquitetos chamam de cidades Mundiais. Se no final do século XIX e início do século XX já existiam queixas de que todas as cidades estavam começando a se parecer umas às outras, no século XX a variedade no aspecto das cidades ficou menor ainda, sobretudo nos novos projetos coletivos de moradia e grandes edifícios de escritórios. Os mesmos materiais, técnicas de construção e estilos acabaram sendo empregados em regiões muito diferentes do mundo. As características de estilos regionais foram abandonadas pela crescente homogeneização estética, enquanto as expectativas dos consumidores tornam-se cada vez mais determinadas (nacional e mesmo internacionalmente) por produtos industriais padronizados. Isto é exacerbado pela especulação, que estimula uma certa padronização de gosto (ou mau gosto) que lhe é conveniente.

Imagem retirada da wikipedia, mostrando a praça entre os edifícios que compõem o Rockfeller Center.

Um novo ecletismo
Uma crítica interessante diz respeito a alguns fenômenos que estão acontecendo em São Paulo, em particular com os prédios de estilo Neoclássico, que são um fenômeno exclusivamente paulistano e que os empresários gostam, ou que os corretores impõem. Isso não é arquitetura, é imagem, rebatem os críticos. Muitos destes prédios feitos com painéis de alumínio, vidro, aço inox ou pré-fabricados são, do ponto de vista da produção, modernos, mas esses elementos são usados apenas para construir uma imagem. Essa diversidade é uma característica do momento vigente, como foi no final do século XIX, mas que não foi característica de meados do século XX, em que predominou a arquitetura moderna. Um tempo que se caracterizava pelo uso do concreto aparente, pela unidade de conceito, de uso de materiais e técnicas, e no qual a solução estrutural usada era determinante para o resultado arquitetônico.

“Talvez, fazendo uma aproximação dessa arquitetura do final do século XX (e começo do século XXI) com o final do século XIX (e início do século XX), seja o justamente um (tipo de) ecletismo. Uma diversidade de opções. A arquitetura eclética, que era inspirada nos modelos Clássicos, Medievais, Renascentistas, tudo simultaneamente, é uma característica do século XIX, em que tudo era válido (em termos arquitetônicos)”, analisa a professora Mônica Junqueira. “Hoje temos um novo ecletismo, prédios com pele de vidro, high-tec, fachadas neoclássicas (como os edifícios da Faria Lima). Isso tem uma proximidade. Embora de estilos arquitetônicos completamente diferentes, essa condição de busca de novas alternativas, com um leque de possibilidades muito grandes, são característicos desses dois finais de século”.