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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Prêmio Pulitzer De Fotografia: Ano 1952

Mais uma fotografia vencedora do Prêmio Pulitzer. Dessa vez, o ganhador do prêmio de fotografia de 1952. Sempre que possível irei contar as histórias por trás de cada fotografia (contexto em que foi tirada, autor da foto, como foi tirada, a repercussão, etc), uma vez que nem sempre poderei ter todas as informações a minha disposição na hora em que postar, pode ser que eu reveja os textos, acrescentando ou corrigindo informações.

Um aviso importante para aqueles que estão acompanhando a série: O prêmio de fotografia de 1946 não teve ganhador. Não sei explicar o motivo.

Prêmio Pulitzer de 1952: Categoria Fotografia

Vencedores: John Robinson E Don Ultang do periódico Des Moines Register

Título: "O Incidente De Johnny Bright".

Câmera: Desconhecido


Lente: Desconhecido


Velocidade E Abertura Do Obturador: Desconhecido


Filme: Kodak







À primeira vista, as 6 fotografias que aparecem na capa do Des Moines Sunday Tribune parecem nada terem demais, Mas a sequência delas mostra como o jogador Wilbanks Smith, do Oklahoma A&M, quebrou a mandíbula do jogador Johnny Bright, da Universidade De Drake fora da jogada e de forma proposital. O evento, conhecido como "O incidente de Johnny Bright", tornou-se conhecido nacionalmente (nos Estados Unidos) e teve consequências.

A história: Jogando futebol universitário pela Universidade de Drake, uma pequena instituição de ensino cujo time de futebol americano fazia parte da primeira divisão, Bright era um notável jogador, que concorria a diversos prêmios esportios e, graças a sua habilidade, liderou seu time em uma série de 5 vitórias, levando o time do Drake para o jogo contra o Oklahoma A&M. Além de sua habilidade, Bright chamava a atenção por ser o primeiro jogador negro a jogar contra o Oklahoma A&M (agora conhecida pelo nome de Universidade Estadual de Oklahoma). Isso foi em uma época em que o racismo era disseminado e declarado em estados sulistas norte americanos, como Oklahoma. Bright recebeu ameaças antes do jogo, mas jogou mesmo assim.

Durante os primeiros sete minutos do jogo, Bright foi derrubado e ficou inconsciente três vezes por golpes do atacante Wilbanks Smith, do Oklahoma A & M, um jogador branco. Ainda no primeiro quarto, Bright passou a bola para o zagueiro Gene Macomber. Mesmo sem a posse da bola, e fora da jogada, Bright foi atingindo no rosto pelo antebraço e cotovelo de Wilbanks Smith, e teve a mandíbula quebrada. Bright permaneceu no jogo, apesar de sua mandíbula quebrada, e completou um passe de 61 jardas para o meia-zagueiro de Drake Jim Pilkington algumas jogadas mais tarde (depois de outro golpe) ele foi forçado a deixar o jogo e o Oklahoma A&M venceu o jogo por 27-14. A mandíbula de Bright teve que ser ligada, um dente extraído, e ele precisou beber através de um canudo durante semanas.

Bob Spiegel, um repórter do Des Moines Register, entrevistou vários espectadores após o jogo, publicando um relatório sobre o incidente na edição de 30 de outubro de 1951 do jornal. De acordo com o relatório da Spiegel, vários dos alunos do Oklahoma A & M que ele entrevistou ouviram por acaso um técnico do Oklahoma A&M dizer repetidamente "Peguem aquele crioulo" sempre que o A&M treinava contra o Drake antes do jogo de 20 de outubro. Spiegel também contou as experiências de um homem de negócios e sua esposa que estavam sentados atrás de um grupo de jogadores da Oklahoma A&M. No início do jogo, um dos jogadores se virou dizendo: "Nós vamos pegar esse crioulo".

Dan Ultang e John Robinson foram fotógrafos designados para cobrir o jogo pelo Des Moines Register, Ultang usava uma câmera fotográfica normal e Robinson uma câmera que tirava fotos em sequencia. Eles estavam lá por causa das ameaças que haviam sido feitas e por causa dos rumores de que Bright receberia uma "atenção especial". Suas fotografias mostram claramente que o ataque a Bright aconteceu bem depois de ter passado a bola e por trás da jogada. As fotografias foram publicadas no dia seguinte na primeira página do Des Moine Register. Em uma entrevista em 1999 para um projeto de história oral conduzido pela escola de jornalismo da Universidade de Iowa, Ultang disse que sua fotografia da peça era idêntica à sequência final da sequência de Robinson. Robinson morreu em 1972

JB Whitworth, o treinador do Oklahoma A&M, inicialmente negou que houvesse acontecido algo errado, alegando que a lesão de Bright havia ocorrido durante o jogo normal. Diante das provas fotográficas apresentadas, e que também foram publicadas pela revista Life, Whitworth declarou que estava envergonhado com o que havia acontecido, apesar dos rumores de que Whitworth havia ordenado a seus jogadores que atacassem Bright.


Quando o Des Moines Register publicou suas fotos do ataque em 1951, o editor de esportes Sec Taylor escreveu uma coluna furiosa dizendo que a camiseta de Smith deveria ser retirada, fumigada e exibida em algum lugar como um símbolo das “coisas que o futebol universitário não representa”. Em nenhum lugar do texto Taylor mencionou Wilbanks Smith pelo nome. Ele simplesmente se referiu a ele pelo número da sua camisa. Na legenda sob uma foto de Smith, todo o artigo dizia que era "Número 72". "Não vou manchar nosso diário limpo pelo uso de seu nome", escreveu Taylor.

As conseqüências :
A Universidade de Drake University e a Universidade de Bradley se retiraram da liga estudantil por vários anos em protesto pelo incidente de Bright e porque não houve nenhuma ação disciplinar contra Wilbanks Smith. Novas regras foram introduzidas, exigindo capacetes com proteção para o rosto e exigindo que qualquer jogador que socasse ou agredisse outro jogador fosse expulso.

Bright se recuperou a tempo de jogar mais uma partida da temporada. Ele se mudou para o Canadá, achando que ia conseguir um tratamento melhor jogando na Canadian Football League e se tornou o maior corredor da história da CFL - correndo 10.909 jardas, três títulos da Grey Cup, um prêmio de Melhor Jogador, a única temporada recorde, e ainda um recorde para a maioria dos jogos consecutivos. Os jogadores CFL não ganharam dinheiro suficiente para fazer face às despesas, então ele conseguiu um emprego como professor. Quando sua carreira no futebol terminou, ele se tornou um diretor do ensino médio em Edmonton, treinando a escola secundária do bairro para o campeonato provincial ao lado. Ele morreu de um ataque cardíaco em 1983. Ele foi introduzido no Hall da Fama do Football College no ano seguinte.

Recordando o incidente, sem amargura aparente, em uma entrevista ao Des Moines Register de 1980, três anos antes de sua morte, Bright comentou: "Não há como não ter sido racialmente motivado". Bright continuou acrescentando: "O que eu gosto em todo o negócio agora, e o que eu estou presunçosa o suficiente para dizer, é que ter uma mandíbula quebrada de alguma forma melhorou o atletismo da faculdade. Isso fez a NCAA (a associação norte americana esportiva) dar uma olhada e limpar algumas coisas que eram ruins ".

Em 28 de setembro de 2005, a Oklahoma State University desculpou-se formalmente à Drake University e a Bright pelo incidente em uma carta do presidente da Universidade Estadual de Oklahoma, David J. Schmidly, ao presidente da Drake, David Maxwell. O pedido de desculpas veio vinte e dois anos após a morte de Bright.

O texto acima foi baseado no texto publicado no blog Bytes e as fotografias foram retiradas também desse blog.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Prêmio Pulitzer De Fotografia: Ano 1951

Mais uma fotografia vencedora do Prêmio Pulitzer. Dessa vez, o ganhador do prêmio de fotografia de 1951. Sempre que possível irei contar as histórias por trás de cada fotografia (contexto em que foi tirada, autor da foto, como foi tirada, a repercussão, etc), uma vez que nem sempre poderei ter todas as informações a minha disposição na hora em que postar, pode ser que eu reveja os textos, acrescentando ou corrigindo informações.

Um aviso importante para aqueles que estão acompanhando a série: O prêmio de fotografia de 1946 não teve ganhador. Não sei explicar o motivo.

Prêmio Pulitzer de 1951: Categoria Fotografia

Vencedor: Max Desfor Da Associated Press pela sua cobertura fotográfica da Guerra Da Coréia

Título: “Flight Of Refugees Across Wrecked Bridge In Korea” (“Fuga De Refugiados Através De Uma Ponte Destruída Na Coréia”)

Câmera: Speed Graphic


Lente: Desconhecido


Velocidade E Abertura Do Obturador: Desconhecido


Filme: Desconhecido



Em outubro de 1950, forças chinesas atacaram as tropas das Nações Unidas, que estavam sob comando dos Estados Unidos, que estavam próximas do Rio Yalu, o rio fronteiriço entre a China e a Coréia do Norte. Em dezembro, após serem derrotadas na Batalha do Rio Ch'ongong'on, as tropas norte americanas foram obrigadas a continuar recuando para o sul. Acompanhando os soldados da 101ª Divisão Aerotransportada, que estavam na linha de frente se encontrava o fotógrafo da Associated Press (AP) Max Desfor, que registrou a fuga dos civis através da ponte destruída sobre o Rio Taedong, próximo de Pionguiangue, a capital norte coreana.

Sessenta anos após o início da guerra, Desfor contou sobre aquele dia: Consegui um jipe ​​de alguém e me juntei à retirada. Comigo estavam Tom Lambert da Associated Press e Homer Bigart do New York Times e um paramédico do exército. Atravessamos o rio Taedong em uma ponte flutuante que havia sido construída as pressas pelos engenheiros do exército... [civis] atravessavam o local onde o gelo estava sólido e cobria o rio. Um pouco mais a montante, onde a água ainda estava aberta (sem gelo), eles estavam cruzando em pequenos barcos. A medida que avançávamos para o sul, vi o que havia uma grande estrutura do outro lado do rio, obviamente destruída recentemente por bombas aéreas ... com coreanos fugindo da margem norte do rio Taedong, rastejando... eram como formigas rastejando pelas vigas. Eles carregavam as pequenas posses que tinham em suas cabeças ou amarradas aos ombros, e no lado norte eu vi milhares (deles) em fila esperando para fazer a mesma coisa, esperando para rastejar e se juntar ao resto deles.

Era 4 de dezembro e Desfor teve problemas para tirar a foto com sua câmera devido às temperaturas congelantes. Cair da ponte no rio gelado era provavelmente uma sentença de morte, mas os milhares de refugiados continuavam atravessando a ponte. Anos depois da guerra, Desfor ainda estava impressionado com o "silêncio mortal" da cena. Ele ficou surpreso ao ganhar o Pulitzer: "Eu não tinha a menor ideia de que eu havia sido inscrito ou do que havia no filme quando o enviei (para a ser revelado)".

Comentário sobre a fotografia
Infelizmente não sei dizer onde Desfor estava exatamente quando tirou a foto, mas pelo depoimento, imagino que ele de ter se arriscado muito subindo na estrutura comprometida da ponte. Deve ter sido difícil subir pelas ferragens geladas da ponte, resistido ao ar gelado, e talvez com vento, e utilizado uma Speed Graphic, uma excelente câmera, mas pesada e até meio desajeitada para usar.

Sobre o fotógrafo
Max Desfor (1913 - 2018) nasceu em Nova York, e era filho de imigrantes judeus. Após terminar os estudos, começou a trabalhar na AP como mensageiro. Quando a Segunda Guerra Mundial começou, tentou se alistar na Marinha Americana, mas foi recusado devido a sua idade. Acabou sendo enviado pela AP para cobrir o Teatro de Operações do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial e foi um dos fotógrafos que fotografou a tripulação do Enola Gay quando essa retornou do Bombardeio Atômico de Hiroshima. Ele também registrou a rendição japonesa em 1945.

Após a Segunda Guerra Mundial, ele cobriu a Revolução Nacional da Indonésia, em 1946. e a Guerra da Caxemira na Índia, em 1947. Em 1950 ele retornou aos Estados Unidos, após morar algum tempo com sua família em Roma. Quando a Guerra da Coréia estourou, ele se ofereceu para cobrir a guerra, tirando inúmeras fotos, mas foi a imagem acima que lhe rendeu um Prêmio Pulitzer. Depois e ele se tornou editor supervisor do serviço de fotos da AP. Aposentou-se em 1978.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Prêmio Pulitzer De Fotografia: Ano 1950

Mais uma fotografia vencedora do Prêmio Pulitzer. Dessa vez, o ganhador do prêmio de fotografia de 1950. Sempre que possível irei contar as histórias por trás de cada fotografia (contexto em que foi tirada, autor da foto, como foi tirada, a repercussão, etc), como nem sempre poderei ter todas as informações a minha disposição na hora em que postar, pode ser que eu reveja os textos, acrescentando ou corrigindo informações.


Um aviso importante para aqueles que estão acompanhando a série: O prêmio de fotografia de 1946 não teve ganhador. Não sei explicar o motivo.

Prêmio Pulitzer de 1950: Categoria Fotografia

Vencedor: Bill Crouch do periódico The Oakland Tribune (Califórnia)

Título: “Near Collision At Air Show” (“Uma Quase Colisão Em Um Espetáculo Aéreo”)

Câmera: Speed Graphic

Lente: Desconhecido

Velocidade E Abertura Do Obturador: Desconhecido

Filme: Kodak



Na frente de 60.000 espectadores, que compareceram a um show aéreo, Chet Derby estava realizando acrobacias em seu biplano, quando finalizou sua apresentação fazendo um "loop" de cabeça para baixo. A trilha de fumaça supostamente atravessou o caminho de um dos três bombardeiros B-29 que cruzavam o céu. Abaixo estava Bill Crouch, que também era piloto e participava do show. Crouch trabalhava para o The Oakland Tribune na época e tirava fotos das acrobacias de Derby, buscando tirar uma foto artística. Ele tentava fazer uma composição interessante com o avião de Derby e a trilha de fumaça quando notou o surgimento repentino dos B-29 e bateu a foto. Segundo seu depoimento, o avião de Derby teria passado a cerca de 5 pés, 2 metros, de distância da asa do bombardeiro. A foto seria depois publicada na Revista Life e em jornais de todo o mundo.

Comentário sobre a fotografia
Não há muito o que dizer, além de expressar minha dúvida sobre as distância envolvidas na foto. O bombardeiro B-29 era um avião enorme e, a menos que o biplano de Derby também fosse grande, me parece que a foto seja na verdade uma ilusão de óptica. Olhando contra o céu, sem algum objeto, ou ponto de referência, as distâncias podem parecer menores do que realmente são. Então minha impressão é de os aviões estavam muito mais distantes do que os tais dois metros de distância que Crouch alegou.

Sobre o fotógrafo
Sem informações.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Prêmio Pulitzer De Fotografia: Ano 1949

Mais uma fotografia vencedora do Prêmio Pulitzer. Dessa vez, o ganhador do prêmio de fotografia de 1949. Sempre que possível irei contar as histórias por trás de cada fotografia (contexto em que foi tirada, autor da foto, como foi tirada, a repercussão, etc), como nem sempre poderei ter todas as informações a minha disposição na hora em que postar, pode ser que eu reveja os textos, acrescentando ou corrigindo informações.

Um aviso importante para aqueles que estão acompanhando a série: O prêmio de fotografia de 1946 não teve ganhador. Não sei explicar o motivo.

Prêmio Pulitzer de 1949: Categoria Fotografia

Vencedor: Nathaniel Fein do periódico New York Herald Tribune

Título: “Babe Ruth Bows Out” (“Babe Ruth Aposenta-se”)

Câmera: 4X5 Speed Graphic

Lente: Desconhecido

Velocidade: 1/25 E Abertura Do Obturador: f 5.6

Filme: Kodak


George Herman Ruth Jr (1895-1948), conhecido como "Babe" Ruth foi uma lenda do beisebol norte americano tendo jogado em três times diferentes ao longo de 22 temporadas (1914-1935) na Major League Baseball. Famoso por seu estilo de jogo e por quebrar recordes, é creditado a ele ter ajudado a popularizar o beisebol na década de 1920.

Conhecido por seu carisma e por sua instituição de caridade, "Babe" Ruth foi elevado ao título de maior jogador de beisebol de todos os tempos e é ainda hoje considerado um dos maiores heróis esportivos americanos. Após sua aposentadoria ele tentou ser técnico sem sucesso.

Mesmo com a saúde debilitada pelo câncer, que havia se alastrado pelo corpo, ele participou da celebração pelos 25 anos da inauguração do estádio do Yankee, em 1948. Cinquenta mil pessoas compareceram ao evento, sobretudo para homenagear "Babe" Ruth. Dois meses depois ele faleceria.

Comentário sobre a fotografia
"Babe" Ruth posou para fotografias ao lado de seus companheiros do time de 1923, mas a fotografia que marcaria o evento não foi uma daquelas inúmeras mostrando ele perfilado mas sim a fotografia acima, tirada por trás, mostrando "Babe" Ruth inclinado, apoiado em seu bastão de beisebol, como se fosse uma bengala, com um ar de distinção, como se fosse um senhor. Além de estar distanciado de seus companheiros, como se eles estivessem prestando homenagem, Ruth estava de frente para o "Ruthville", campo direito, para onde "Babe" Ruth sempre jogava suas bolas após rebater. Por fim, na fotografia é possível ver o número 3. O time dos Yankees decidiu aposentar a camisa número três em homenagem a "Babe" Ruth.

A foto foi inicialmente publicada na seção de esportes do New York Herald Tribune, mas depois foi transferida para a capa do jornal, tornando-se um ícone da fotografia esportiva norte americana.

Sobre o fotógrafo
Nathaniel Fein (1914-2000) era um fotógrafo social. Ele sempre procurava os melhores ângulos das pessoas e posses diferentes e interessantes. Fein tirou várias fotografias de Ruth, dentro dos vestiários, com os colegas, perfilado, mas não estava satisfeito com os resultados, até que se posicionou atrás de "Babe" Ruth, lembrou que a camisa "3" seria aposentada e tirou a foto, sem flash mesmo. Fein trabalho para o New York Herald Tribune por 33 anos. Foi um dos mais premiados fotógrafos de sua geração.

sábado, 9 de maio de 2015

Prêmio Pulitzer De Fotografia: Ano 1948

Dando prosseguimento a série com as fotografias vencedoras do Prêmio Pulitzer, hoje vou escrever sobre o ganhador do prêmio de fotografia de 1948. Sempre que possível irei também contar as histórias por trás de cada fotografia (contexto em que foi tirada, autor da foto, como foi tirada, a repercussão, etc), como nem sempre poderei ter todas as informações a minha disposição na hora em que postar, pode ser que eu reveja os textos, acrescentando ou corrigindo informações.

Um aviso importante para aqueles que estão acompanhando a série: O prêmio de fotografia de 1946 não teve ganhador. Não sei explicar o motivo.

Prêmio Pulitzer de 1948: Categoria Fotografia

Vencedor: Francis "Frank" W. Cushing do periódico Boston Traveler

Título: “Boy Gunman And Hostage” (“Garoto Armado E Refém”)

Câmera: 4X5 Speed Graphic

Lente: 127mm

Velocidade E Abertura Do Obturador: Desconhecido

Filme: Kodak



Em junho de 1947, o fotógrafo Frank Cushing, do Boston Traveler, estava sentado em seu carro, do lado de fora do restaurante Howard Johnson, enquanto esperava para fotografar vítimas de um caso de agressão. A história era tão rotineira que ele sabia que a fotografia poderia até não ser publicada.

Então, Cushing ouvi o alerta de uma ocorrência que vinha do rádio de um carro da polícia estacionado ao seu lado. O alerta informava que ali próximo, um oficial de policia havia sido baleado e um refém havia sido feito. Cushing correu para o local dos fatos.

Minutos antes, dois policiais haviam parado um jovem de 15 anos para interrogá-lo sobre um assalto. De repente, o rapaz, chamado Ed Bancroft, sacou uma pistola e começou a atirar. Ele feriu um policial no braço e fugiu para um beco próximo, onde fez como refém outro garoto de 15 anos, chamado Bill Ronan. Os policiais rapidamente bloquearam as duas pontas do beco para evitar a fuga de Bancroft, mas ele disparou várias vezes contra a polícia e repetidamente ameaçava matar Ronan.

Cushing conseguiu tirar uma foto de longe, mas como ele sabia que ela não sairia boa devido a distância, procurou um novo local para fotografar. Então ele calculou dos fundos de qual casa estavam os rapazes e se dirigiu até a frente do imóvel. Após se identificar pediu ao proprietário para entrar e com a concordância dele, subiu até a varanda dos fundos da residência e muito cuidadosamente tirou a foto dos dois meninos. Mais tarde, Cushing disse que sentiu medo de que o garoto atirasse nele, mas o desejo de tirar a foto falou mais alto.

A área já estava cercada por mais de trinta policiais. Um deles engatinhou por trás da cerca até o local onde Bancroft mantinha seu refém. No momento certo, o policial levantou-se por atrás da cerca e deu uma violenta coronhada em Bancroft, que desmaiou e foi imediatamente preso.

Comentário sobre a fotografia
Fotografia de Cushing foi um feito notável pois situações envolvendo reféns eram raras e costumam terminar rapidamente, e sua fotografia retratou um evento em andamento. Além disso, ele usava uma Speed Graphic, a câmera usualmente usada pela imprensa na época, mas que tinha muitas limitações, como seu grande tamanho e a necessidade de que o motivo a ser fotografado estivesse próximo da câmera, o que geralmente não é possível em uma situação de refém. Engenhosidade e persistência de Cushing valeu a pena e resultou em uma imagem extraordinária.

Sobre o fotógrafo
Frank Cushing nasceu em 1915 e deixou os estudos aos 16 anos de idade para se tornar um mensageiro para o Boston Traveler. Realizou diferentes funções no jornal até decidir se fixar na função de fotógrafo, permanecendo com o Boston Traveler até se aposentar 1968. Durante a Segunda Guerra foi convocado e trabalhou como fotógrafo aéreo. Cushing morreu em 1975.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Prêmio Pulitzer De Fotografia: Ano 1947

Ano passado iniciei uma série com as fotografias vencedoras do Prêmio Pulitzer. Estou retomando a sequência daquelas postagens, e hoje vou escrever sobre o ganhador do prêmio de fotografia de 1947. Sempre que possível irei também contar as histórias por trás de cada fotografia (contexto em que foi tirada, autor da foto, como foi tirada, a repercussão, etc), como nem sempre poderei ter todas as informações a minha disposição na hora em que postar, pode ser que eu reveja os textos, acrescentando ou corrigindo informações. 

Um aviso importante para aqueles que estão acompanhando a série: O prêmio de fotografia de 1946 não teve ganhador. Não sei explicar o motivo.

Prêmio Pulitzer de 1947: Categoria Fotografia

Vencedor: Arnold Hardy, fotógrafo amador de Atlanta (estado da Georgia). Fotografia distribuída pela Associated Press

Título: “Woman Leaping From Burning Winecoff Hotel” (“Mulher Salta Do Hotel Winecoff Em Chamas”)

Câmera: 4X5 Speed Graphic

Lente: Desconhecido

Velocidade E Abertura Do Obturador: Desconhecido

Filme: Kodak



Nas primeiras horas do dia 7 de dezembro de1946, o Hotel Winecoff, localizado na cidade de Atlanta, foi cenário do mais grave incêndio em um hotel da história dos Estados Unidos. Das mais de 300 pessoas que estavam dentro do estabelecimento, entre funcionários, hóspedes e moradores, apenas 120 conseguiram sair ilesas, 65 ficaram feridas e 119 pessoas morreram.
O Hotel Winecoff na época de sua inauguração

O Hotel Winecoff, um dos mais altos edifícios de Atlanta, foi inaugurado em 1913 como sendo “à prova de fogo”, como mostra o anúncio abaixo, mesmo não possuindo portas corta fogo e escadas de emergência. O incêndio começou no corredor oeste do terceiro andar, próximo da escada para o andar superior. Ninguém sabe explicar direito como o incêndio começou, mas, apartir do testemunho de alguns hóspedes, suspeitasse que um colchão deixado no corredor possa ter sido a origem do fogo. Não se sabe como o colchão teria pegado fogo, e nem se o incêndio foi acidental ou criminoso.

Apesar de o fogo ter sido detectado às 3h15, por um mensageiro que foi até o quinto andar e ficou preso lá, os bombeiros só foram avisados às 3h45. Apesar de terem chegado ao local do incêndio em menos de um minuto, o fogo já havia se espalhado por todo o edifício. O trabalho dos bombeiros acabou prejudicado pelos corpos caídos na calçada, dificultando a aproximação dos caminhões com escada, e pela queda de pessoas que tentavam escapar das chamas e atingiam os grupos de combate a incêndio. O Corpo de Bombeiros Atlanta reuniu centenas de bombeiros da cidade e dos arredores, mais de 22 viaturas de combate a incêndio e 11 caminhões com escada.
Fotografia do incêndio, não sei dizer se esta também foi tirada por Arnold Hardy

Por duas horas e meia, os bombeiros lutaram valentemente no frio para salvar os hóspedes, mas suas escadas atingiu apenas o oitavo andar, e as redes de segurança não eram fortes o suficiente para suportar a queda das pessoas que se lançavam a mais de 20 metros de altura. Alguns hóspedes tentavam descer usando cordas improvisadas com lençois e cobertores para tentar chegar às escadas, enquanto que outros caiam nos beco atrás do hotel, tentando pular para o prédio vizinho.
Fotografia do incêndio, não sei dizer se esta também foi tirada por Arnold Hardy

Entre os 119 mortos estavam o proprietário do hotel, o Sr. William Fleming Winecoff, 76 anos, e sua esposa, Grace S. Winecoff, 76 anos. Os corpos foram encontrados em sua suíte no 14º andar. Também morreram trinta alunos do ensino médio que tinham vindo para Atlanta para participar de uma Assembleia da Associação Cristã de Moços (YMCA) no Capitólio Estadual.
Documento da Prefeitura de Atlanta Discriminando as vítimas por sexo e faixa etária.

O incêndio no Winecoff foi o último, e o mais mortal, de uma série de incêndios em hoteis nos EUA naquele ano. Em poucos dias, cidades por todo o país passaram a promulgar leis mais rigorosas para garantir a segurança desses estabelecimentos e de edifícios em geral. O fato de que o incêndio no Winecoff permanece sendo o mais mortal da história americana mesmo tendo se passado quase 70 anos, prova que as novas legislações cumpriram seu papel em evitar novas tragédias.

O fotógrafo
Na noite do incêndio, o estudante de pós graduação da Georgia Tech, Arnold Hardy, de 26 anos, ficou até tarde em seu laboratório da universiade. Quando saiu às 4:00 ouviu as sirenes dos bombeiros, ele pegou sua câmera SpeedGraphic, cinco flashes se dirigiu rapidamente para o local do incêndio. Hardy tirou algumas fotos da frente do prédio e os rostos dos hóspedes nas janelas. Quando lhe restou apenas um flash, decidiu esperar para tirar uma foto com algum hóspede caindo. Quando notou o corpo de uma mulher de cabelos escuros em queda na altura do terceiro andar, ele fotografou a cena sem perda de tempo.

Após tirar a foto, Hardy notou um policial e um bombeiro discutindo com o dono de uma farmácia para que este cedesse suprimentos médicos. Diante da recusa do dono do estabelecimento, Hardy decidiu arrombar a porta a porta com um chute e acabou preso por depredação. Ao ser libertado, sob fiança, horas depois, ele levou sua câmera para revelar o filme e procurou a agência da Associated Press para negociar as fotos. A AP lhe ofereceu 150 dólares pelos direitos exclusivos de suas fotos. Ele negociou e conseguiu 300 dólares. A fotografia da mulher caindo foi reimpressa em todo o mundo no dia seguinte e foi em capas de revistas por semanas. Hardy nunca recebeu um centavo pelo uso subsequente da foto. 

Poucos meses depois, ele se tornou o primeiro fotógrafo amador a ganhar o Prêmio Pulitzer.


A mulher do salto
A "mulher do salto" chamava-se Daisy McCumber, era secretária e tinha 41 anos. Ao contrário do que muitos acreditam, ela sobreviveu à queda de 11 andares, mas quebrou as duas pernas, as costas, e a pélvis. Passou por sete operações em um período de 10 anos e acabou amputando uma perna, mas em seguida recuperou-se e trabalhou até a aposentadoria. Ela morreu em 1992, aos 87 anos, sem nunca ter revelado até mesmo para a família que ela era a mulher na foto de Hardy.

Nota: Pesquisando na internet encontrei um site onde estão listadas todas as vítimas do incêndio e na maioria dos casos tem fotos e dados pessoais. Se quiserem ler, o site é: http://www.findagrave.com/cgi-bin/fg.cgi?page=gr&GRid=62146527

quarta-feira, 4 de março de 2015

Prêmio Pulitzer De Fotografia: Ano 1945

Ano passado comecei a postar uma série com as fotografias vencedoras do Prêmio Pulitzer. Estou retomando a sequência daquelas postagens escrevendo sobre o ganhador do prêmio de 1945. Sempre que possível irei também contar as histórias por trás de cada fotografia (contexto em que foi tirada, autor da foto, como foi tirada, a repercussão, etc), como nem sempre poderei ter todas as informações a minha disposição na hora em que postar, pode ser que eu reveja os textos, acrescentando ou corrigindo informações. Um aviso: O prêmio de fotografia de 1946 não teve ganhador.

Prêmio Pulitzer de 1945: Categoria Fotografia

Vencedor: Joseph John “Joe” Hosenthal da Associated Press

Título: “Raising The Flag On Iwo Jima” (“Hasteando A Bandeira Em Iwo Jima”)

Câmera: 4X5 Speed Graphic

Lente: 127mm

Velocidade E Abertura Do Obturador: Desconhecido

Filme: Kodak



Em 19 de agosto de 1945 os Estados Unidos invadiram Iwo Jima, uma ilha vulcânica, localizada a quase 1.200 quilômetros ao sul de Tóquio. Por estar localizada a meio caminho entre as Ilhas Marianas (de onde partiam os bombardeiros de longo alcance americanos) e o Japão, a conquista da ilha era de grande valor estratégico. Iwo Jima possuia estações de radar (que detectavam a presença das aeronaves americanas) e pistas de pouso de onde partiam aviões que atacavam os aviões e navios inimigos. A captura de Iwo Jima além de dar mais segurança aos pilotos e marinheiros americanos, também forneceria aos bombardeiros americanos danificados uma pista para pousos de emergência.

Cientes da invasão iminente, os japoneses fortificaram a ilha com uma rede de túneis e casamatas de onde resistiriam aos fuzileiros norte americanos. Por ser o primeiro solo pátria japonesa a ser capturado pelos americanos, os japoneses não pouparam esforços e vidas para evitar a queda de Iwo Jima. Diante da encarniçada resistência nipônica, restou aos fuzileiros americanos fazerem uso de cargas de demolição e lanças chamas com o objetivo de “desentocar” os japoneses das casamatas e limpar os túneis. O primeiro objetivo americano se concentrou em isolar e capturar o Monte Suribachi, um extinto vulcão, com 166 metros de altura, situado na ponta sul da ilha, meta que foi alcançada em 23 de fevereiro de 1945.

Os dois hasteamentos da bandeira
A histórica fotografia tirada por Joe Rosenthal retrata na verdade o segundo hasteamento da bandeira norte americana no Monte Suribachi. No início da manhã de 23 de fevereiro de 1945, o sargento Louis R. Lowery, da revista Leatherneck, registrou o primeiro hasteamento da bandeira logo após a tomada do Monte Suribachi. Mas a bandeira era pequena demais para ser vista claramente a partir das praias de desembarque, por isso providenciou-se uma bandeira maior que a primeira. Está foi levada até o cume pelo sargento Michael Strank, o cabo Harlon H. Block, os soldados de primeira classe Franklin R. Sousley e Ira H. Hayes. Logo após o soldado de primeira classe Rene A. Gagnon também foi enviado. Acompanhando a patrulha iam Joe Rosenthal (fotógrafo da Associated Press) e os fotógrafos da Marinha Americana Bob Campbell e Bill Genaust (este último foi morto em ação nove dias após o hasteamento da bandeira). No meio do caminho, os fotógrafos encontraram e conversaram com o sargento Louis R. Lowery, que tinha fotografado o hasteamento da bandeira anterior.

O grupo alcançou o cume, e os fuzileiros imediatamente trataram de substituir a bandeira menor pela maior. Joe Rosenthal largou a câmera e procurou a empilhar pedras, com a intenção de ficar em um ponto de vista mais alto, quando percebeu que os fuzileiros já havia começado a hastear a bandeira com o auxílio do marinheiro de segunda classe John Bradley (que havia participado do hasteamento da primeira bandeira). Rosenthal rapidamente levantou a câmera e tirou uma foto sem olhar pelo visor. Dez anos mais tarde, ele contou: 

"Com o canto do meu olho, eu tinha visto os homens começando a hastear a bandeira. Eu ergui minha câmera e registrei a cena. É assim que a foto foi tirada, e quando você tira uma foto como essa, você não sai dizendo que você tem uma grande foto. Você não sabe".


As imagens em movimento (filme) feitas por Bill Genaust do hasteamento da
bandeira quase que do mesmo ponto de vista de Joe Rosenthal

O destino dos envolvidos na fotografia
Dos seis homens que aparecem na foto (Michael Strank, Rene Gagnon, Ira Hayes, Franklin Sousley, Harlon Block e John Bradley) apenas três (Hayes, Gagnon, e Bradley) sobreviveram à batalha. Strank foi morto seis dias após o hasteamento da bandeira quando estilhaços de um projétil, provavelmente disparado de um destróier americano, abriu seu peito; Block foi morto por um morteiro japonês poucas horas depois de Strank; Sousley foi baleado e morto por um franco-atirador em 21 de março, cinco dias antes da batalha pela ilha terminar.

Ira Hayes, um nativo americano, passou a ter sentimento de culpa por se tornar um herói nacional, enquanto que amigos seus haviam morrido sem glórias militares e reconhecimento. Tornou-se alcoólatra e morreu de coma alcoólico em janeiro de 1955. Foi sepultado com honras militares no Cemitério Nacional de Arlington. Rene Gagnon também se tornou amargurado e um alcoólatra. Trabalhou em empregos mal remunerados e foi demitido da maioria deles. Morreu em outubro de 1979 de ataque cardíaco.

John Bradley nunca falou de seu envolvimento guerra, nem mesmo para sua família, exceto no primeiro encontro com sua futura esposa e durante uma entrevista, em 1985, a pedido de sua esposa por causa de seus netos. Depois de sua morte, em 1994, seu filho, James Bradley, entrevistou todos os familiares dos outros envolvidos no hasteamento da bandeira em Iwo Jima e publicou um livro A Bandeira de Nossos Pais, que mais tarde foi filmado, com Clint Eastwood como diretor. Seu filho acredita que Bradley, ficou traumatizado pelo fato de seu melhor amigo, Ralph Ignatowski, ter sido descoberto horrivelmente mutilado após ter sido capturado pelos japoneses. Bradley foi obrigado a limpar os restos mortais de seu amigo e de muitos outros soldados que encontraram uma morte violenta em Iwo Jima. Ele sofreu com sintomas de estresse pós-traumático e pesadelos por muitos anos.



Polêmica envolvendo a fotografia e sua repercussão
A foto da bandeira sendo hasteada foi rapidamente distribuído pela Associated Press e amplamente divulgada em jornais americanos. Chamando imediatamente a atenção de todos que a viam.

Durante anos, na verdade até os dias atuais, há quem acredite que a foto tenha sido posada. As teorias conspiratórias mais ridículas afirmam que a foto teria sido tirada dentro de um estúdio... A origem para essas teorias seriam:

Inveja de pessoas que não são americanas e quando veem o registro de um triunfo norte americano tentam desmerecer o heróico feito de seus soldados.

Desconhecimento da história por trás do hasteamento das duas bandeiras, que alguns por desconhecimento, outros propositalmente por má fé, creditam como sendo parte de uma encenação para produzir uma “foto perfeita”. Em parte, essa versão acabou ganhando força por conta de um mal entendido. Após ter tirado a foto do hasteamento da bandeira, Rosenthal pediu para os fuzileiros se perfilarem para uma fotografia em frente da bandeira. Poucos dias depois, de volta em Guam, perguntaram à Rosenthal se ele havia tirado uma foto montada (posada). Pensando que a pergunta era sobre a foto com os militares perfilados, ele respondeu: "Claro". Apesar das tentativas de acusar Rosenthal de fraude, O filme de Genaust e o claro testemunhos dos envolvidos no hasteamento das bandeiras, comprovam que a foto tirada por ele é autêntica e sem truques.



Os envolvidos no hasteamento da primeira bandeira ficaram ressentidos quando voltaram aos EUA e passaram a ser chamados de mentirosos em público. Durante anos poucos jornalistas tiveram interesse em divulgar a história toda, contando que tinha havido os dois hasteamentos. Somente na década de 1960 todo o evento foi bem divulgado por livros especializados e pela imprensa em geral.

Dado curioso I: A fotografia de Rosenthal é a única fotografia vencedora Pulitzer tomada no mesmo ano em que ganhou o prêmio.

Dado curioso II: A fotografia foi usada como base para a estátua, os EUA Marine Corps War Memorial, localizado no cemitério de Arlington.

Dado curioso III: Se quiserem ver mais fotos e ler sobre a história da foto e como ela ficou famosa, acessem: http://www.bravoartillery.org/IwoJimaPage1.html

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Prêmio Pulitzer De Fotografia: Ano 1944

Vou continuar a série com as fotografias vencedoras do Prêmio Pulitzer. Irei postar cada uma das fotos vencedoras aos poucos, sem uma periodicidade definida, mas pela ordem. Sempre que possível irei também contar as histórias por trás de cada fotografia (contexto em que foi tirada, autor da foto, como foi tirada, a repercussão, etc), como nem sempre poderei ter todas as informações a minha disposição na hora em que postar, pode ser que eu reveja os textos, acrescentando ou corrigindo informações.

Obs: Fiz alterações no texto original no dia 10 de maio de 2015.

Prêmio Pulitzer de 1944: Categoria Fotografia

A categoria de fotografia teve dois ganhadores no ano de 1944, que vou exibir abaixo.

Primeiro vencedor: Earle L. Bunker do periódico Omaha World Herald

Título: “Home Coming” (“Regresso a casa”)

Câmera: 4X5 Speed Graphic

Lente: 127mm

Velocidade E Abertura Do Obturador: Desconhecido

Filme: Kodak


Em 15 de julho de 1943, o Tenente-Coronel Robert Moore voltou a encontrar a família após 16 meses longe de casa. Ele havia sido agraciado com o Distinguished Service Cross por liderar seu batalhão contra os tanques do Marechal de Campo Erwin Rommel na África do Norte. A casa de Moore ficava em Villisca (estado de Iowa), uma pequena cidade no meio da América, com menos de 1.100 moradores. 

Earle "Buddy" Bunker era fotógrafo do Omaha World Herald e havia sido designado para cobrir o regresso ao lar do coronel Moore. Ele esperou durante 24 horas na estação de trens e tirou a fotografia do Coronel Moore instantes após ele descer do trem e, ao avistar a família, largar as malas para abraçar sua filha de 7 anos Nancy. A esposa do Coronel Moore está ao lado, chorando com os rosto entre as mãos.

De acordo com um comentário sobre a foto: 

"A imagem é tão genérica como para representar toda uma nação. Não há nenhuma cara para identificar os indivíduos. No pavilhão a puxar seu patriotismo. Sem marca de identificação que não seja o amor familiar. Pode ser - e foi -. O retorno de muitos heróis de guerra em todo o país e em todo o mundo ."

A fotografia foi escolhida pela Kodak em 1956 como a melhor foto de interesse humano dos últimos 25 anos.

Bunker permaneceu como fotógrafo do Omaha World Herald, até sua morte em 1975, aos 63 anos.

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Segundo vencedor: Frank Filan da Associated Press

Título: “Tarawa Island” (“A ilha de Tarawa”)


Câmera: 4X5 Speed Graphic

Lente: Desconhecido

Velocidade E Abertura Do Obturador: Desconhecido

Filme: Kodak



Tarawa é um atol no meio do Oceano Pacífico, que foi ocupado pelos japoneses durante a Primeira Guerra Mundial. Em 20 de novembro de 1943, o atol foi invadidos pelos fuzileiros navais americanos resultando em uma sangrenta batalha. Após 76 horas de intensos combates, os fuzileiros navais garantiram a posse da ilha. Cerca de 1.700 americanos morreram e quase todos os 4.700 soldados japoneses pereceram durante a batalha.

Frank Filan (1904-1952) tinha entrado para o serviço militar em 1929 e por três anos cobriu a guerra no Pacífico como um fotógrafo da Associated Press. A fotografia por ele tirada mostra os danos causados na ilha após uma das batalhas mais ferozes do Pacífico. O júri que concedeu o Pulitzer para Frank Filan deixou o seguinte comentário:

"A imagem do Sr. Filan, tomada em condições extremamente difíceis, retrata a terrível carnificina de Tarawa em detalhe macabro. Não é uma imagem para estômagos fracos, mas em seu realismo gritante, que conta uma história real de guerra em sua face mais feia. Sr. Filan estava com uma das primeiras ondas de desembarque em Tarawa. Ele perdeu suas câmeras e ele quase perdeu a vida na empreitada. Sobrecarregado com o seu equipamento na arrebentação das ondas, Filan voltou para ajudar um fuzileiro naval que havia sido baleado. Sob fogo pesado, ele conseguiu ajudar o homem ferido em terra e provavelmente salvou sua vida. No processo, ele estava submerso várias vezes quando ele pisou em crateras de bombas sob as ondas, e seu equipamento foi arruinada. Somente após o terceiro dia em Tarawa é que Filan conseguiu uma câmera emprestada de um fotógrafo da Guarda Costeira e conseguiu tirar suas fotos. "

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Prêmio Pulitzer de Fotografia: Ano 1943

Vou continuar a série, iniciada no mês passado, com as fotografias vencedoras do Prêmio Pulitzer. Irei postar cada uma das fotos vencedoras aos poucos, sem uma periodicidade definida, mas pela ordem. Sempre que possível irei também contar as histórias por trás de cada fotografia (contexto em que foi tirada, autor da foto, como foi tirada, a repercussão, etc), como nem sempre poderei ter todas as informações a minha disposição na hora em que postar, pode ser que eu reveja os textos, acrescentando ou corrigindo informações.

Prêmio Pulitzer de 1943: Categoria Fotografia

Vencedor: Frank E. "Poppy" Noel, pela Associated Press

Título: “Water!” (“Água!”)

Câmera: 4X5 Speed Graphic

Lente: Desconhecido

Velocidade E Abertura Do Obturador: Desconhecido

Filme: Kodak


Em dezembro de 1941, o Japão declarou guerra contra os Aliados Ocidentais, ficando ao lado das forças do Eixo. Valendo-se da surpresa, e de uma estratégia de atacar rápida e selvagemente as forças e territórios dos Alidos, os japoneses conquistaram muitos territórios, chegando às portas de Cingapura, com a intenção de continuar avançando até a Austrália. Além de ser uma colonia britânica, Cingapura era uma estratégica base militar. Achava-se que qualquer ataque inimigo viria por mar, por conta disso, todas as defesas de Cingapura eram viradas para o mar. Mas os japoneses, em vez de atacar pelo mar, avançaram pela península malaia em um ritmo rápido, através das selvas e manguezais. E sob ordens de não fazer prisioneiros, de modo que seu avanço não seria retardado. O ataque em Cingapura ocorreu pouco tempo após o ataque a Pearl Harbor. Os navios de guerra britânicos Prince of Wales e Repulse foram destruídas por torpedeiros japoneses e do exército japonês logo cercou os defensores de Cingapura. Em 15 de fevereiro de 1942, Cingapura rendeu-se para os japoneses. Mais de 100.000 soldados e centenas de civis europeus tornaram-se prisioneiros.

Em janeiro de 1942 Frank "Poppy" Noel cobria a guerra em Cingapura para Associated Press. Ele contraiu malária e, com o agravamento da situação britânica, foi chamado de volta para os EUA. Acontece que o cargueiro onde viajava foi torpedeado a 500 km do porto. Apesar de inicialmente estar preso em sua cabine, ele conseguiu sair e embarcar em um bote salva-vidas, com 27 tripulantes. Após cinco dias à deriva, sob o sol e calor tropicais, eles foram abordados por um outro bote salva-vidas. Ele transportava marinheiros indianos que também escaparam ao naufrágio do cargueiro. Tendo perdido sua reserva de água ao deixar o cargueiro, eles estavam em uma situação desesperadora. Um dos ocupantes indianos do bote salva-vidas estendeu a mão e pediu água. Mas os ocupantes do bote de Noel não tinha água para dar. Apesar da malária, da sede e do mal-estar geral, ele tirou a única fotografia do momento em que o ocupante indiano do outro bote salva-vidas percebe que não há água para ser compartilhada, mostrando sua tristeza desesperada com o rosto e os olhos. Os barcos depois se separaram durante uma tempestade. O outro bote salva-vidas nunca mais foi visto. Noel, posteriormente, cobriu a guerra na Europa, a guerra na Palestina e a Guerra da Coréia. Depois de trabalhar em Nova York, ele se aposentou e morreu em 1966, aos 61 anos.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Prêmio Pulitzer De Fotografia: Ano 1942

Como os leitores do meu blog já perceberam, além de música, também gosto de fotografia. Já postei fotos tiradas por mim e também por fotógrafos profissionais. A partir de hoje, irei postar um nova série de fotográfica. Dessa vez, serão as fotografias vencedoras do Prêmio Pulitzer, o mais importante prêmio jornalístico dos Estados Unidos.

Irei postar cada uma das fotos vencedoras aos poucos, sem uma periodicidade definida, mas pela ordem. Sempre que possível irei também contar as histórias por trás de cada fotografia (contexto em que foi tirada, autor da foto, como foi tirada, a repercussão, etc), como nem sempre poderei ter todas as informações a minha disposição na hora em que postar, pode ser que eu reveja os textos, acrescentando ou corrigindo informações.

Prêmio Pulitzer de 1942: Categoria Fotografia

Vencedor: Milton E. Brooks, do periódico Detroit News

Título: "Ford Strikers Riot" ("Tumulto entre grevistas da Ford")

Câmera: 4X5 Speed Graphic

Lente: Desconhecido

Velocidade E Abertura Do Obturador: Desconhecido

Filme: Kodak

A fotografia original é um pouco maior, mas esta é a única imagem bem nítida que encontrei na internet.

A Ford Motor Company foi a última montadora norte americana a permitir que seus funcionários se sindicalizassem. Em abril de 1941, o chefe da segurança da empresa, Harry Bennett, supostamente deu ordens para abrir fogo contra sindicalistas que faziam piquete na porta da montadora. Alguns autores sugerem que a greve seria na verdade um movimento planejado por comunistas, que tinham infiltrado grande número de trabalhadores ligados ao partido dentro da Ford. A montadora pagava salários mais altos do que os suas concorrentes, contratava empregados negros sem fazer quaisquer discriminação e foi inovadora em conceder compensações monetárias em caso de aumento de produtividade.

Os empregados negros, que apreciavam a igualdade de oportunidades dentro da empresa, e outros funcionários que permaneciam leais a Ford mantiveram-se no interior da montadora, enquanto que do lado de fora ocorriam batalhas campais com tacos de beisebol. Apesar das demandas sindicais, a greve adquiriu ares de conflito racial. Muitos empregados brancos não gostavam de ver negros ganhando o mesmo que eles, nem gostaram de saber que estes não apoiavam a greve. Quando os trabalhadores chegavam para a mudança de turno, encontravam as entradas bloqueadas. Os poucos que insistiam em entrar eram cercados e espancados. Um bloqueio com automóveis virados foi erguido, e instalações da montadora foram sabotadas e danificadas.

Dez dias depois, Henry Ford capitulou, a pedido de sua esposa Clara Ford, e fez concessões para as demandas sindicais. Ele concordou que a Ford Motor Co. seria uma "empresa fechada", ou seja, todos os funcionários teriam de ser sindicalizados, e que permitiria a contribuição sindical, dinheiro que seria deduzido da folha de pagamento e enviado diretamente para o governo.

Na fotografia tirada por Milton Brooks, aparecem diversos piqueteiros dando socos, e batendo com um bastão de beisebol, em um fura-greve, que está tentando proteger-se cobrindo a cabeça. Sobre a fotografia, Brooks comentou: "Eu tirei a foto rapidamente, escondi a câmera debaixo do meu casaco e sumi no meio da multidão. Muita gente teria gostado de destruir essa imagem. "