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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Por Que A Revolução Industrial Aconteceu Aqui? - Why The Industrial Revolution Happened Here?

Por Que A Revolução Industrial Aconteceu Aqui? - Why The Industrial Revolution Happened Here?


Neste documentário, de 2013, o professor Jeremy Black explica as causas que levaram a Revolução Industrial ocorrer no Reino Unido e não em outros países como França, Alemanha ou mesmo Estados Unidos. A feliz combinação de recursos energéticos, como carvão, minerais, como o ferro, a liberdade de pensamento e criação, que permitiram a diversos cientistas criar novas técnicas a partir de descobertas científicas recentes e o liberalismo econômico, que permitiu que diversos inventores e investidores criarem máquinas, empresas e mercados sem que o Estado atrapalhasse o desenvolvimento de seus negócios, tudo isso fez do Reino Unido a primeira nação industrial do mundo.

Um aviso e explicação: Horas mais cedo, eu havia publicado um documentário sobre Geologia, mas resolvi tirá-lo. A explicação é que quando me preparava para publicar o segundo vídeo da série, descobri que o mesmo havia saído do ar, e outras cópias disponíveis no YouTube haviam sido apagados ou bloqueados. Para não deixar a série incompleta resolvi tirar aquela publicação e substituir por esta.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Detroit Em Ruínas - II

Algum tempo atrás, vi esse post (que reproduzo abaixo) de autoria blog do jornalista Ricardo Setti. O tema das fotos chamou minha atenção, pois trabalha com imagens de edifícios e outras construções em ruínas, e decidi reproduzí-las. Para não perder tempo pensando em um texto diferente daquele escrito pelo Ricardo Setti, pedi e consegui autorização para reproduzir a matéria. As fotos exibidas são do fotógrafo Camilo José Vergara. O link para o site do fotógrafo é: http://camilojosevergara.com

Quero avisar que não reproduzi todas as fotos que aparecem no post original. Fiz isso para que o meu post não fique muito extenso. O link para o post original do Ricardo Setti: http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/vasto-mundo/fotos-a-decadencia-de-detroit-parte-ii-agora-em-registros-noturnos/

FOTOS: A decadência de Detroit, Parte II: Agora em registros noturnos

Vista da Temple Street, a partir da Cass Avenue: parece um cenário de
guerra, mas é apenas Detroit à noite (Fotos: Camilo José Vergara)

Neste post, publicado em julho do ano passado, repassamos a decadência da falida Detroit, nos Estados Unidos, por meio de fotografias de uma exposição do canadense Philip Jairmain, ocorrida em galeria de San Francisco. A mostra privilegiava os edifícios que um dia foram importantes na cidade.

Agora voltamos ao assunto, novamente com a ajuda de um fotógrafo, para visitar uma ainda mais desoladora e sombria faceta, a noturna e periférica, da ex-Motor City, a metrópole que se tornou sinônimo de indústria automobilística na primeira metade do século XX:

Nascido em 1944 no Chile, mas residente nos EUA há décadas, o escritor, fotógrafo e documentarista Camilo José Vergara se dedica a, entre outras coisas, registrar a precariedade dos bairros mais pobres do país desde o início dos anos 1970.

Tal enfoque rendeu livros como American Ruins (Tradução: “Ruínas Americanas”). Em muitos casos, estas áreas também são conhecidas por reunirem as várias minorias étnicas que compõem a sociedade americana.

A relação fotográfica de Vergara com Detroit começou há 25 anos.

E mais recentemente, em 2013, gerou By Night in Motor City, o ensaio tema deste post, originalmente publicado pelo site da revista americana Time, formado por fotografias feitas na cidade à noite, em locais parcial ou totalmente abandonados.

“O mais notável é o horripilante vazio da cidade”, diz o autor. “Eu vi uma sombra escura e imaginei ser um enorme animal. Mas era um indigente, com sua barriga exposta”. Ainda segundo Vergara, as poucas pessoas que encontrou pela rua pareciam vagar sem rumo. “Ei cara, por que você está tirando fotos?”, lhe perguntou uma delas.

Confiram:








quinta-feira, 24 de abril de 2014

De Gaivotas A Mulheres Frankenstein

No ano passado, mais precisamente em março, escrevi e publiquei o texto abaixo. Resolvi republicá-lo agora em meu blog, mas antes, fiz algumas modificações em relação ao texto original. Então, quem conhecia a primeira versão, pode estranhar a mudança de algumas palavras.

De Gaivotas A Mulheres Frankenstein

Nos últimos dias de fevereiro de 2013, acompanhei no noticiário a ocorrência de um fenômeno que não é recente, mas que ficou mais visível durante o carnaval daquele ano. Estou falando dos corpos deformados de algumas “rainhas”, “madrinhas” e outras “inhas” de escolas de samba. Em especial, chamou minha atenção as fotos de uma dessas “inhas” chamada Gracyanne Barbosa, cuja maior notoriedade é ser a atual companheira do cantor Belo. Observem a foto abaixo.

(foto: Roberto Filho / AgNews)

Nessa foto e em outras (que são fáceis de achar pela internet) é possível observar que há algo muito estranho no corpo dela. As nádegas estão anormalmente grandes e pontudas (como se fossem duas bolas tivessem sido colocadas sob a pele). Suas pernas e canelas finas contrastam com as enormes e musculosas coxas. As costas e braços têm uma definição muscular que mais parece de um sapo, ou um fisiculturista. Cheguei a pensar que as fotos fossem de um travesti. O que leva uma pessoa a deformar seu corpo desta forma? E ainda achar belo, ou pelo menos satisfatório o resultado?

Antes de dar a resposta para estas perguntas, algumas considerações e informações pertinentes. O carnaval sempre foi a "festa da carne", por isso não é recente essa exposição de corpos modelados, com exercícios físicos, ou transformados com próteses de silicone. É difícil dizer quem foi a primeira mulher a transformar o próprio corpo de forma tão “drástica”, mas com certeza a mais famosa de todas foi Ângela Bismarck. Por sinal, ela tornou-se uma celebridade exatamente pelo fato de anunciar que havia se submetido a dezenas de cirurgias plásticas (realizadas pelo então marido) para participar de desfiles e bailes de carnaval.

Com o passar dos anos, começaram a aparecer outras mulheres, que transformavam seus corpos com o intuito de ficarem famosas, e não apenas durante a época do carnaval. Algumas repetiram o exemplo da Ângela Bismarck, fazendo modificações por todo o corpo, outras preferiam fazer musculação para desenvolver, principalmente, as coxas e nádegas. Entre as mulheres “bombadas”, a mais famosa de todas foi Viviane Araújo. Lembro-me de quando ficou famosa, em meados dos anos 90, logo após sua participação no concurso das Panteras. Nesta época, era uma moça normal, sem nada exagerado, mas com um belo corpo feminino. No início dos anos 2000, avistei-a em um shopping de São Paulo, em companhia do esposo, naquela ocasião, o cantor Belo (curioso o gosto deste rapaz por mulheres com aparência de homem). Ela estava peituda (com certeza era silicone), estava com a musculatura (principamente das pernas) bem desenvolvida e definida, e vestia uma roupa tão apertada que era difícil acreditar que ela conseguia se mexer sem desconforto.

Mas ela parecia feliz... Talvez por chamar a atenção de todo mundo, ainda que pelos motivos errados, pois todos olhavam aquela “esquisitice” em que ela havia se transformado. Apesar do bundão e dos peitões (estes parecendo saltar para fora da roupa agarrada) o corpo dela havia ficado "desequilibrado" e pouco feminino. Pode-se afirmar que ela acabou tornando-se a pioneira deste fenômeno atual, que chamo de “mulheres Frankenstein”. Não é a toa que, durante uma reportagem do programa “Fantástico” (17 de fevereiro de 2013), um sujeito descreveu a Viviane Araújo como sendo: a “mistura perfeita entre músculos e samba no pé”.

Por que uma a pessoa modificaria seu corpo com exercícios e silicones, mesmo quando não precisa, pois já tem um corpo belo? Uma possível explicação poderia ser o desejo de ganhar alguns minutos de fama e consequentemente ganhar uns trocados participando de eventos. Essa resposta não me parece muito satisfatória, pois bastaria apenas manter a boa aparência corporal (com uma alimentação saudável e alguns exercícios físicos moderados) para obter essa exposição desejada e os trabalhos com “eventos”, que vem com a fama.

Outra explicação, aliás muito citada, explica esse "fenômeno" como sendo fruto da “ditadura da moda”. É como se essas mulheres fossem vítimas de uma imposição social, econômica, ou outro tipo, e não tivessem condições de escapar. É claro que essas mulheres não são obrigadas a fazer isso com seus corpos, fazem porque querem! Este é o ponto onde quero chegar. Na mesma matéria do “Fantástico”, uma moça (que não faço ideia de quem seja) fez uma declaração mais ou menos assim: “As pessoas ficam esperando a mulher com coxão, com peitão, mulherão... O carnaval pede isso”.

O carnaval não é um ser para pedir ou exigir alguma coisa. O que existe são pessoas que esperam ver mulheres com peitão, coxão, bundão. Existe um culto ao padrão de beleza caracterizado por corpos exagerados. Todos os dias vemos representações desse padrão de beleza a nossa volta em pinturas, histórias em quadrinhos, esculturas, bonecos de plástico, etc. E isso não é um fenomeno recente. Desde que a humanidade começou a produzir imagens artísticas (a partir do neolítico) poucas foram as situações em que produzimos imagens realistas, seja dos seres humanos, seja de outros seres vivos. E qual a razão para isso? E qual a relação com as “mulheres Frankenstein”?

Um neurocientista indiano chamado Vilayanur S. Ramachadran defende em seus trabalhos a tese de que existe um princípio neurológico, nomeado por ele como supernormal stimulus (e que pode ser traduzido livremente como princípio do exagero). A tese do neurocientista pode ser explicado através do seguinte experimento: Percebeu-se que os filhotes de uma espécie de gaivota reconhecem a figura de sua mãe observando uma faixa vermelha no meio de seu bico amarelo. Quando aproximamos um palito amarelo, com uma faixa vermelha, dos filhotes, os mesmos se atiçam. Até aí parece óbvio, pois os filhotes podem estar confundindo o palito com a mãe, achando que serão alimentados. O interessante é quando se aproxima deles um palito com uma faixa vermelha e outro com duas faixas vermelhas, ao mesmo tempo.

Os filhotes ignoram o palito com uma faixa e preferem o palito com duas. Se colocarmos mais palitos com mais faixas vermelhas (três, quatro, cinco...) os filhotes manifestam maior interesse nos palitos que têm mais faixas vermelhas. Quanto mais faixas, mais excitados eles ficam. Ramachadran defende que nós, seres humanos, também possuímos um instinto biológico que leva a nossa mente a preferir uma representação exagerada do corpo humano.

Chegamos onde eu queria. Vamos voltar à frase dita por aquela moça: “as pessoas ficam esperando a mulher com coxão, com peitão, mulherão”. O que ocorre é que essas mulheres percebem que existe um culto a algumas características físicas (grandes e firmes glúteos, seios igualmente grandes e firmes, um corpo com tônus muscular) e elas querem ter corpos assim. Mas não basta ser apenas firme e grande. Por causa do princípio do exagero, os seios e as nádegas têm que ser enormes, tão grandes que chamem a atenção. Pouco importando se o corpo acabe ficando esteticamente estranho, e até feio. As coxas têm que ser grossas, tão grandes que os joelhos e pernas aparentem ser pequenos diante daquela massa de músculos acima deles.

Ao exagerarem seus corpos (ou parte deles) as "mulheres Frankenstein" buscam a fama. Não apenas isso. Também procuram chamar a a atenção para conseguir trabalhos (e dinheiro), ou se sentirem desejadas, e consequentemente mais belas. Ainda que o resultado final de sua transformação corporal não seja harmônico nem belo.

Um comentário final: Não estou desejando mal a ninguém, mas dependendo do que estejam fazendo com seus corpos, dentro de alguns anos as "mulheres Frankenstein" terão sérios problemas de saúde e dores pelo corpo.

domingo, 13 de abril de 2014

"Beatlelândia", Março De 1963

Havia lido esse artigo em março do ano passado, por conta dos cinquenta anos de gravação do primeiro Long Play do Beatles. Ele foi publicado no site do jornal espanhol El Mundo. Tive que fazer algumas adaptações na hora de traduzir do espanhol para o português. Espero que o resultado tenha ficado bom. O link está abaixo:

http://www.elmundo.es/elmundo/2013/03/19/cultura/1363682628.html

Beatlelândia, março de 1963

Por Julian Ruiz
Em uma sexta-feira como esta, sexta-feira 22 de março, faz exatamente 50 anos, a EMI, através de sua pequena gravadora Parlophone, lançou Please Please Me, o primeiro álbum de um grupo de Liverpool chamado The Beatles. A primeira edição apareceu apenas em mono.

Uma semana depois, a versão estéreo foi lançada. Não chegaram a prensar nem 5.000 cópias. Oito das 14 músicas contidas no álbum levavam a assinatura McCartney-Lennon. Ninguém se atrevia a tanto. Os iniciantes só gravavam versões de composições mais ou menos famosos, mas os Beatles disseram que suas composições eram poderosas.

Inicialmente, 'Sir' George Martin, o produtor e diretor musical, queria chamar o álbum de Off the Beatle Track. Até se atreveu a idéia grotesca para a capa. Nada mais e nada menos do que fotografar os quatro Beatles do lado de fora da Casa dos Insetos do Zoológico de Londres, lugar assíduo por Martin, uma vez que não estava longe de Abbey Road.

Felizmente, a capa foi resolvida com uma foto linda de Angus McBean, tirada do mezanino dos escritórios da EMI em Manchester Square (que não existem mais hoje em dia) e com os Beatles três andares acima, olhando para o chão apoiados no parapeito. Finalmente, se chamou o álbum de “Please Please Me”, porque Martin estava convencido de que este título tinha apelo comercial. O dia da apresentação do álbum, os Beatles estavam em turnê e tocaram no cinema Gaumont em Doncaster. No dia anterior tinha sido um dia infernal, já que gravaram para a BBC três de suas canções para o programa “On the Scene”. E pela primeira vez eles se sentiram como se já tivessem alcançado o sucesso. Mas quando? Como? Em que condições se gravou esse primeiro álbum uma carreira milagrosa.





Os Beatles já haviam lançado dois singles, “Love Me Do” e “Please Please Me”, com seus respectivos lados “B”, mas um long play de vinil, naqueles dias, deveria ter pelo menos 14 canções. Caso contrário, pareceria uma farsa. Pois bem, os Beatles tiveram que gravar 10 faixas em pouco mais de um dia. Foi na desagradável, fria e chuvosa segunda-feira, 11 de fevereiro de 1963. Não, não era habitual que os artistas tivessem que gravar em um só dia todo um long play, mas o ranheta “Sir” George Martin acreditou que poderiam fazê-lo para economizar alguns xelins. O produtor disse que a EMI tinha pago nada menos que 400 Libras Esterlinas pelo aluguel de 16 horas do Estúdio 2 de Abbey Road. A miséria sempre perseguiu Martin, que como diretor artístico do pequeníssimo selo Parlophone geria os orçamentos de seus artistas. Anos mais tarde, reconheceu que foi mesquinho e desprezível com os Beatles, tendo como tinha 55.000 libras de orçamento anual.



Os Beatles cobraram para o trabalho naquele dia 7 Libras e 10 xelins cada. O salário mínimo imposto pelo sindicato dos músicos. Outra miséria, já era mais do que notável que um grupo de músicos podudesse gravar 10 faixas válidas em apenas duas sessões. A primeira das 10h00 às 13h00. A segunda, das 14h30 às 17h00, que na prática terminou às 18h00 . Como o resultado não foi o suficiente, Martin exigiu que se fizesse uma terceira sessão das 19h30 até 22h45.

Os Beatles acabaram exaustos, histéricos, mas felizes porque tinham gravado 14 canções. Entre aquelas que não foram usadas no álbum, estava uma versão de “Besame Mucho”, que Paul cantava desde que se apaixonou por essa música e já havia sido exibida na “demo” para a gravadora Decca. A Decca rejeitou o talento Beatles. A piada corrente é que os Beatles viajaram em uma pequena van sem aquecimento. No domingo à noite haviam tocaram em Sunderland e parece que eles tinham de dormir no veículo. Quando chegaram às 09:30 no estúdio 2 da Abbey Road Studio, Paul Mc Cartney estava com muito frio e resfriado. O estado de John Lennon era ainda pior, com febre e congestão.

O pior foi que os Beatles deixaram para o final das sessões, justamente a música mais difícil de cantar, quando eles tinham suas gargantes destruídas. A gravação difícil era uma versão de “Twist And Shout”, uma canção que Phil Spector tinha produzido para os Top Notes dois anos antes. Os Beatles tomaram como referência a versão que os Isley Brothers tinham feito pouco depois do original.

Um John Lennon em estado febril, “cheio de pastilhas” para a garganta, chá, leite e algo mais forte, cantou duas vezes “Twist And Shout” direto. Paul sempre dizia que ele não sabia de onde John obtido forças para cantar. Tentou-se uma terceira tomada de gravação, mas John não conseguia mais. Era quase 23:00 h, e haviam cantado durante todo o dia. A versão no long play foi a primeira tomada. Ouve-se um John com uma voz aguda e rouca de roqueiro negro, talvez por seu estado febril.

Todas as músicas foram gravadas através de uma mesa de apenas quatro canais, projetada pelos mesmos engenheiros da EMI. Mas a fita, uma Série 3 de um British Tape Recorder, só admitia a gravação de dois canais. A Abbey Road usava essas fitas de duas faixas desde que foram testados durante a Segunda Guerra Mundial.

Parece que os Beatles nem sequer dormiram em Londres. Era muito caro e preferiram jantar e voltar para a estrada, porque no dia seguinte tinham duas apresentações. Uma na Arena Ballroom, em Sheffield e mais tarde no Salão Astoria, em Oldham, estivesse como estivesse a febre de John Lennon.

É impossível descrever o frescor, a beleza, o mistério divino deste primeiro álbum dos Beatles há 50 anos. Era como se os deuses se juntassem no mesmo dia para dar o primeiro sopro mágico no grupo mais impressionante em toda a história da música.