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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Anáguas À Bordo - Operation Petticoat

Anáguas À Bordo - Operation Petticoat

O filme a seguir era muito reprisado na televisão quando eu era criança, lá pela década de 1980, especialmente na Rede Globo. Esta película de 1959 não pode ser incluído na categoria "filme de guerra" pois são poucas as cenas de combate e a maior parte do filme é de cenas de humor.

O filme se passa três dias após começar a Guerra do Pacífico. O obsoleto submarino USS Sea Tiger é afundado em sua doca nas Filipinas. O comandante do submarino, Tenente Comandante Matthew Sherman, interpretado por Cary Grant, decide repará-lo, mesmo com as dificuldades de conseguir suprimentos em virtude da guerra. Depois de conseguir reparar o que era possível, ele decide levar o submarino para o porto de Darwin, na Austrália. No caminho ele acaba aceitando resgatar cinco enfermeiras do exército americano, por influência do Tenente Nicholas Holden, interpretado por Tony Curtis. Holden é um "Bon Vivant" que se alistou na marinha pensando apenas em se "dar bem". Apesar de não ser um bom oficial, ele consegue ajudar o comandante do submarino a conseguir peças de reposição para o submarino nos portos onde atracam, enquanto isso a presença das cinco enfermeiras rende cenas engraçadas entre elas e a tripulação.

O filme tem algumas curiosidades. Tony Curtis se alistou na Marinha dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, pensando em ser submarinista, logo após ver o filme Rumo à Tóquio (Destination Tokio), que tinha Cary Grant interpretando o papel de capitão de um submarino. Teria sido Curtis quem sugeriu convidar Grant para interpretar o papel do Tenente Comandante Sherman. Segundo a página do filme na Wikipédia, o roteiro do filme se inspirou em casos reais ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial.

Filme em inglês: (infelizmente a única cópia legendada foi apagada e não há cópias dubladas)

Dublado em espanhol:

Dublado em francês:

Dublado em italiano:


sábado, 14 de junho de 2014

I Fought The Law - II

I Fought The Law

Origens
“I Fought The Law” foi composta por Sonny Curtis em 1958 (ainda não tenho a data precisa). Logo após a morte de Buddy Holly, de quem era amigo de infância, Curtis se juntou aos Crickets, tomando o lugar que era de Holly na guitarra. “I Fought The Law” é a canção de mais regravada de Curtis, e talvez a de maior sucesso dos Crickets, no período pós-Buddy Holly. Ela foi gravada em 18 de maio de 1959 e foi foi lançada originalmente como um single, tendo no lado B a canção “A Sweet Love”, vindo a fazer parte do LP In Style With The Crickets, de 1960.


Primeiro sucesso nacional
Em 1965, Bobby Fuller e sua banda gravaram a "I Fought The Law" pela sua própria gravadora, o selo Exeter, em El Paso, o que solidificou a popularidade da banda no Texas. Depois de desfrutar o sucesso regional, Bobby Fuller e banda decidiram mudar para uma grande gravadora, a Del-Fi Records (subsidiária da Mustang Records) e mudaram o nome da banda para The Bobby Fuller Four. Ainda naquele ano, a versão deles para “I Fought The Law” alcançou a posição número nove da parada de sucessos americana.


Apenas seis meses após a canção fazer sua primeira aparição na parada de sucessos, Fuller foi encontrado morto por asfixia no banco da frente do carro de sua mãe em um estacionamento perto de seu apartamento de Los Angeles, Califórnia. O Departamento de Polícia de Los Angeles não encontrou sinais de violência e declarou que a morte de Fuller, então com 23 anos, foi suicídio, mas parentes e amigos nunca aceitaram essa versão. Fuller foi o primeiro a modificar a letra original, principalmente em apresentações ao vivo. Ao invés dele cantar "zip gun", ele cantava "shotgun" ou "six gun", além de fazer outras modificações na letra.


Breaking rocks in the hot sun
I fought the law and the law won
I fought the law and the law won
I needed money cause I had none
I fought the law and the law won
I fought the law and the law won
I miss my baby and I feel so bad
I guess my race is run
Well she's the best girl that I've ever had
I fought the law and the law won
I fought the law and the law won
Robbing people with a six gun
I fought the law and the law won
I fought the law and the law won
I miss my baby and the good fun
I fought the law and the law won
I fought the law and the law won
I miss my baby and I feel so bad
I guess my race is run
Well she's the best girl that I've ever had
I fought the law and the law won
I fought the law and the law won

The Clash
Em meados de 1978, o cantor Joe Strummer e o guitarrista Mick Jones viajaram para San Francisco (Califórnia) para a participar da mixagem do álbum, Give 'Em Enough Rope, nos estúdios Automatt. Havia uma grande uma coleção de jukeboxes com discos clássicos distribuídos em várias das salas do complexo de estúdios. Strummer e Jones ouviram a versão Bobby Fuller de "I Fought The Law" pela primeira vez em uma das jukeboxes, e no momento em que voltaram para a Inglaterra eles trataram de cantá-la em seus shows. A versão que eles fizeram de "I Fought The Law" apareceu pela primeira vez no EP The Cost of Living, de maio 1979. Esta versão ajudou a tornar a banda mais conhecida, principalmente no mercado americano, apesar de não ter conseguido alcançar uma posição alta na parada de sucessos. O Clash também adaptou a canção, para torná-la mais sombria, mudando o verso "I miss my baby"("Eu deixei minha garota") para "I kill my baby" ("Eu matei minha garota").

Dead Kennedys
Em 1987, banda punk Dead Kennedys também gravou sua própria versão de "I Fought The Law", mas tendo como tema o assassinado do prefeito de São Francisco George Moscone e do conselheiro municipal (vereador) Harvey Milk pelo também conselheiro municipal Dan White, em 1978. A maioria dos versos foram reescritos de modo que a canção fosse cantada sob o ponto de vista de White. O refrão foi alterado para "I fought the law and I won ("Eu lutei contra a lei e eu ganhei"). A canção critica o fato de White ter escapado de uma condenação de assassinato em primeiro grau, alegando insanidade temporária após ter comido muitos twinkies (bolinhos). Por conta disso, o vocalista do Dead Kennedys canta de forma irônica "Twinkies are the best friend I've ever had" ("Bolinhos são os melhores amigos que já tive").


Outras versões
Além das bandas citadas acima, diversas outras bandas e artistas gravaram suas versões e covers de "I Fought The Law". Delas, vale citar apenas a versão de:

Roy Orbison, em 1972:

Stray Cats, em 1984:

sexta-feira, 13 de junho de 2014

I Fought The Law - I

I Fought The Law

Fiquei um tempo sem postar nada, mas já estou de volta. Depois da morte de Buddy Holly, sua banda de apoio, formada por amigos de adolescência, continuou tocando e produzindo músicas de grande sucesso como esta gravada em 1959 e intitulada "I Fought The Law".

Agora com vocês... The Crickets!


Não encontrei vídeos com a apresentação da banda, então escolhi esse, cujo endereço é: https://www.youtube.com/watch?v=4hw846vx_uk

A-breakin' rocks in the hot sun
I fought the law and the law won
I fought the law and the law won
I miss my baby and a good fun
I fought the law and the law won
I fought the law and the law won
I left my baby and I feel so bad
Guess my race is run
She's the best girl that I've ever had
I fought the law and the law won
I fought the law and the law won
A-robbin' people with the zip gun
I fought the law and the law won
I fought the law and the law won
I needed money 'cause I had none
I fought the law and the law won
I fought the law and the law won
I left my baby and I feel so bad
Guess my race is run
She's the best girl that I've ever had
I fought the law and the law won
I fought the law and the law won

terça-feira, 3 de junho de 2014

Since I Don’t Have You - II

Since I Don’t Have You

Composição e gravação
“Since I Don’t Have You” foi escrita por Joe Rock (letra) e Jimmy Beaumont (arranjo). Rock, que era o empresário musical dos Skyliners, compôs os versos da canção enquanto dirigia de volta para casa à noite, alguns dias depois de sua namorada ter terminado o relacionamento que tinham. Ele apresentou a letra para Beaumont, que trabalhou com o restante do grupo os vocais da canção. O resultado foi o surgimento de um novo estilo musical, que combinava o Rhythm And Blues com o jeito informal de falar das ruas. Conta a lenda que a vocalista Janet Vogel criou o arranjo vocal final repetindo treze vezes a palavra você (you). O resultado foi tão bom, que acabou incorporada à canção. Graças a essa, e outras contribuições, a canção acabou tendo sua autoria dividia entre Rock, Beaumont e os demais integrantes dos Skyliners.


Mais de dez gravadoras recusaram gravar a canção, até que o selo de Calico Records, de Pittsburgh, assinasse um contrato. “Since I Don’t have You” foi lançada como single, com “One Night, One Night” no lado B, em dezembro de 1958, e fez sua estréia nas rádios locais de Pittsburgh. O sucesso nacional, e depois mundial, veio após a apresentação dos Skyliners no programa “American Bandstand” em 13 de fevereiro de 1959, do canal de televisão ABC. Em menos de um mês a canção alcançou a posição número 12 da parada de sucessos americana, ficando no “Top 100” por 19 semanas.


Cover e versões
“Since I Don’t Have You” é considerada por muitos criticos musicais umas das músicas que simbolizam os anos 50. Sendo reproduzida nas rádios de todo o mundo até os dias atuais, além de ser reproduzida em filmes como “American Graffiti”, “Máquina Mortífera 2” e seriados com “Happy Days”. Muitos cantores e bandas gravaram covers e versões como:

Chuck Jackson, em 1964:

Manfred Mann, em 1965:

Art Garfunkel, em 1979:

Don McLean, em 1981:

O Guns And Roses gravou esta canção para o seu álbum de 1994 The Spaghetti Incident e atingiu a posição número 10 da parada de sucessos do Reino Unido:

quinta-feira, 29 de maio de 2014

That'll Be The Day - I

That'll Be The Day

Agora com vocês uma canção dos primeiros anos do Rock And Roll, na voz de um de seus pioneiros, Buddy Holly. Infelizmente ele morreu em um trágico acidente de avião em 3 de fevereiro de 1959. Com ele estavam os cantores Ritchie Valens e J. P "The Big Popper" Richardson, além do piloto Roger Peterson. Uma perda tão grande, que alguns se referem ao acidente como sendo "O Dia Que A Música Morreu".

Em outro dia falo sofre esse evento. Agora com vocês... Buddy Holly and The Crickets


Tentei achar algum vídeo com Buddy Holly e sua banda, The Crickets, tocando ao vivo ou em algum programa de televisão. Infelizmente as poucas imagens disponíveis eram ruins ou o audio era sofrível, por isso escolhi esse vídeo. O endereço é: https://www.youtube.com/watch?v=tmUd3MXmW38

Well that'll be the day when you say goodbye
Yeah, yes that'll be the day when you make me cry
You say you're gonna leave me, you know it's a lie
'Cause that'll be the day when I die
Well that'll be the day when you say goodbye
that'll be the day when you make me cry
you say you're gonna leave me, you know it's a lie
'Cause that'll be the day that I die
Well, you gave me all your loving
And all your turtle doving
All your hugs and kisses
And your money too,
You know I love you baby
Still you tell me maybe
That someday, well
I'll be through
Well, that'll be the day when you say goodbye
Yeah, yes, that'll be the day when you make me cry
You say you're gonna leave me, you know it's a lie
'Cause that'll be the day when I die
when cupid shot his dart
He shot it at your heart
So if we'll ever part
And I'll leave you
You kiss and hold me
And you tell me boldly
That some day well
I'll be through
Well, that'll be the day when you say goodbye
that'll be the day when you make me cry
You say you're gonna leave, you know it's a lie
 'Cause that'll be the day when I die
Well, that'll be the day
Well, that'll be the day
Well, that'll be the day
Well, that'll be the day when I die

sábado, 24 de maio de 2014

Don't Be Cruel - II

Don’t Be Cruel

Composição“Don’t Be Cruel” foi escrita em 1956 por Otis Blackwell, um compositor e cantor responsável pela criação de alguns dos maiores sucessos de Elvis Presley, como "Return to Sender", "All Shook Up" entre outros. Segundo o discotecário e historiador musical Ron Foster, na véspera do Natal de 1955, Blackwell estava na rua em frente ao Edifício Brill (endereço de muitos escritórios de compositores e agentes musicais), em Nova York. As coisas não estavam indo bem para ele - estava chovendo, havia furos nas solas de seus sapatos e ele passava frio. Seu amigo Leroy Kirkland passou e perguntou se Blackwell tinha novas composições. Ele disse que sim e, ao longo da semana, conseguiu vender 6 delas para uma editora por 25 dólares cada. Os agentes musicais no Edifício Brill gostaram tanto de seu trabalho que ofereceram-lhe um emprego como compositor em tempo integral, e Blackwell aceitou.

Algum tempo depois, ele recebeu uma proposta de uma estrela do Rock And Roll em ascenção. O acordo era dividir em meia a meio os direitos autorais da gravação entre o cantor e o compositor. Blackwell inicialmente recusou, afirmando que não abriria mão de metade do que era seu, mas seus amigos o convenceram de que metade de alguma coisa era melhor do que 100% de nada. Além disso, este novo cantor era o único capaz de fazer a música estourar na parada de sucessos, e se isso ocorresse, o lucro de Blackwell com metade de seus royalties seria tremendo. Blackwell por fim concordou. O cantor era Elvis Presley, mas não era ele que queria metade da dos royalties, e sim seu empresário, o Coronel Tom Parker.

Gravação
Presley gravou a canção em 2 de julho de 1956, durante uma exaustiva sessão de gravação nos estúdios da RCA em Nova York. Na mesma sessão ele também gravou "Hound Dog" e "Any You Want Me". A canção contou com banda normal de Elvis Presley de Scotty Moore na guitarra (com Presley geralmente fornecendo guitarra) , Bill Black no baixo, DJ Fontana na bateria e backing vocals dos Jordanaires . O crédito a produção foi dado a RCA Steve Sholes , embora as gravações de estúdio revelam que Presley produziu as canções nesta sessão, selecionando a canção, refazer o arranjo no piano, e insistindo em fazer 28 takes, antes de se dar por satisfeito. Ele também realizou 31 takes para "Hound Dog".


Lançamento
Um single foi lançado em 13 de julho de 1956 com “Don’t Be Cruel” no lado A e "Hound Dog" no lado B. É o único single na história a ter as duas músicas chegando a posição número 1 na parada de sucessos americana. Segundo Joel Whitburn, que escreve livros sobre a música americana, “Hound Dog” foi o primeiro título a ser listado como número 1. A lista dos “Mais Vendidos em Lojas” da Billboard listou a canção em primeiro lugar no dia 18/8/56 como sendo "Hound Dog/Don 't Be Cruel". A mesma forma como alcançou a posição número 1 da categoria “Mais tocadas em juke boxes” no dia 1/9/56. Não há dúvidas de que as vendas e audições iniciais foram para “Hound Dog”. Mas lista de “Músicas mais executadas por disc-jóqueis” indicam “Don’t Be Cruel” como sendo a número 1. Até o fim de 1956, o single vendeu mais de quatro milhões de cópias.

Presley cantou "Don’t Be Cruel” em suas três de suas aparições no programa “The Ed Sullivan Show”, realizadas entre setembro de 1956 e janeiro 1957. Apesar de lançado em single em 1956, somente em 1958 a canção foi lançada em um álbum, Elvis Golden Records.

Outras versões
Diversos cantores gravaram “Don’t Be Cruel”, a lista é enorme, então vou exibir as versões mais interessantes.
Connie Francis, gravação de 1959:


Barbara Lynn (1963). Obs: O vídeo original foi suprimido e tive que improvisar com este abaixo.


Jerry Lee Lewis gravou a música duas vezes. A versão abaixo é de 1963, e é, após a versão de Elvis Presley, a minha favorita: Não consigo anexar o vídeo, não sei explicar o motivo.

A versão abaixo foi gravada em 1972: Não consigo anexar o vídeo, não sei explicar o motivo.

A versão de Cheap Trick foi gravada em 1987 e lançada no álbum Lap of Luxury. Fez grande sucesso, alcançando a posição número 4 na parada americana.


Por fim, esta versão, da dupla de cantoras Country conhecidas como The Judds, que chegou a posição número 10 na parada americana em 1987.

sábado, 10 de maio de 2014

What'd I Say - II

What'd I Say

Todas as músicas tem uma história, mas algumas delas, seja pela importância, ou pelo interesse dos admiradores em contá-las, têm histórias mais ricas em detalhes, como é o caso de “What’d I Say”. Como vocês lerão abaixo, essa canção, escrita por Ray Charles, nasceu de um improviso em uma apresentação. Para que o texto não fique mais longo (do que ficou) irei resumir a história.

Origem
Segundo o relato do próprio Ray Charles, em dezembro de 1958, ele e sua banda de apoio já haviam tocado todo o repertório do cantor em um clube noturno, mas ainda faltavam doze minutos até o fim da apresentação. Ray Charles não costumava apresentar músicas não ensaiadas, mas nessa noite abriu uma exceção. Ele virou-se para a banda e disse que iria improvisar sem saber como terminar a música, portanto todos deviam seguir a melodia e o ritmo com que ele tocava. Para as vocalistas (The Raeletts) pediu que repetissem o que ele cantasse.

Então, o cantor passou a cantar tudo o que passava pela cabeça. Começou a canção como se fosse uma música religiosa (Gospel), mas com um ritmo meio latino (Rumba). Logo, ele combinou o ritmo do Blues com os vocais do Gospel. O sucesso foi instantâneo. Terminada a apresentação, o público aproximou-se do cantor perguntar qual o título da canção, pois queriam comprar o disco. Nas apresentações seguintes, Ray Charles voltou a executar a canção, sempre com grande sucesso. Diante do retornou favorável, Ray Charles gravou a "What'd I Say" tão logo pode.

Uma pequena controvérsia sobre a origem da canção: Segundo algumas fontes, o clube noturno ficava em Milwaukee, mas, outras fontes dizem que o evento deu-se em um clube na cidade de Brownsville, Pensilvânia.


Gravação
O estúdio da Atlantic Records tinha acabado de comprar um gravador com 8 fitas e o engenheiro de som responsável pelo equipamento, Tom Dowd, ainda estava aprendendo a usá-lo. Em fevereiro de 1959, Charles e sua banda gravaram “What’d I Say” no estúdio de pequenas dimensões. Sobre a gravação, Dowd contou que transcorreu de forma corriqueira, sem nenhum fato que indicasse que aquela seria uma música especial.

O trabalho de estúdio não durou muito, apenas dois ensaios antes de gravar, pois a banda já tinha aperfeiçoado o acompanhamento musical durante a turnê. Mas nem por isso faltaram problemas. O primeiro dizia respeito a duração da gravação, que durou quase sete minutos. Na época, as rádios tocavam apenas músicas de pouco mais de dois minutos, logo, era necessário fazer uma versão mais curta. O segundo problema era a letra. Apesar de não ser obscena, ela claramente fazia uma alusão a um encontro amoroso. Como definiu, certa vez, um crítico musical, “What’d I Say” começava na igreja e terminava no quarto. Para não ter problemas judiciais e não provocar a repulsa das rádios e público, a gravadora fez três versões, removeu alguns versos de duplo sentido e lançou um single com duas partes de cerca de três minutos cada. O disco, por fim, foi lançado em julho de 1959.

Apesar de ter uma recepção crítica morna, a gravadora começou a receber telefonemas de protesto. Estações de rádio e lojas de disco se recusavam a tocar a música por considerá-la obscena. Mesmo assim “What’d I Say” fez grande sucesso, chegando a posição numero 6 da parada de sucessos americana, o que rendeu um disco de ouro para Ray Charles.

Algumas rádios (cuja audiência era majoritariamente branca) recusaram-se a tocar a canção por considerar imoral o uso do Gospel (um ritmo religioso, tradicionalmente negro) para fazer menção a um encontro amoroso. Enquanto que outras rádios (cujo público era majoritariamente negro) além de achar imoral a canção, também consideravam um sacrilégio fazer uso do Gospel para fazer sucesso junto ao público branco.

A canção dividiu o público entre aqueles que mudavam a estação de radio, tão logo ela começava, e aqueles que, mesmo sabendo do teor sexual, aumentavam o som do rádio para cantar. Sobre a polêmica, Ray Charles reconheceu que a batida era cativante, mas boa parte do publico foi a traída pelo alusivo verso: “See the woman with the diamond ring” (“Olhe para a garota com anel de diamante”), “She knows how to shake that thing” (“Ela sabe como balançar/agitar aquilo”).

Outras versões
“What’d I Say” foi regravada por diversos artistas de estilos diferentes. Se nos Estados Unidos a música foi recebida inicialmente com ressalvas, na Europa tornou-se um sucesso imediato, e o impacto na cena musical foi mais evidente. A lista de artistas que tocaram a música em seus shows, ou gravaram é enorme: Cliff Richard, Eric Clapton, John Mayal and The Bluesbreakers, The Big Three, Eddie Cochan, Bobby Darin, Nancy Sinatra, Sammy David Jr, etc. Citarei abaixo algumas das versões mais famosas ou representativas.

Etta James:

The Beatles: Paul McCartney ficou impressionado quando ouviu a canção pela primeira vez, ao ponto de se convencer que queria ser realmente músico. George Harrison, contou que ouviu pela primeira vez “What’d I Say” em uma festa, que tocou a canção por 7 horas seguidas. Durante sua permanência em Hamburgo, os Beatles tocavam a música em todas as apresentações, afim de testar a receptividade junto ao publico. John Lennon, impressionou-se com a sonoridade poderosa do piano, e tentou reproduzi-lo com a guitarra. Ele defendia a tese que o uso de riffs de guitarra em diversas músicas de Rock And Roll, se devia a forma como Ray Charles usava o piano.


Jerry Lee Lewis fez uma versão que ficou 8 semanas nas paradas de sucesso, chegando a posição número 30. Por sinal essa é a minha versão favorita:

Elvis Presley, usou a canção em uma cena bem insinuante (explicitamente insinuante) de dança em seu filme "Viva Las Vegas", de 1964, e também lançou um single, com essa canção no lado B:

Roy Orbison:

Johnny Cash, imprimiu seu estilo na versão que gravou ao lado de June Carter, parece que a música é de 1967:

Algumas informações
Ray Charles notou que muitas estações de rádio, que até então nunca tinha tocado suas canções, começaram a exibi-las após diversos artistas brancos gravarem versões de "What'd I Say", e outras canções dele.

Alguns historiadores da música norte americana consideram Ray Charles como o criador do Soul, um subgênero do Rhytm And Blues, a partir da criação de canções como “I Got A Woman”, a primeira a combinar alguns elementos do Gospel e do Blues, e “What’d I Say”, a primeira a ter a fusão perfeita dos dois estilos musicais.

Ainda que a canção seja intitulada “What’d I Say”, Charles sempre insistia que o nome correto da canção seria “What I Say” como, aliás, ele pronuncia.