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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

De "Abracadabra" A "Revolver", A Gênese De Um Álbum Dos Beatles

Li essa matéria no site do estadão alguns dias atrás, mas somente hoje encontrei-o novamente. Uma nota interessante, é que os Beatles tinham péssimas ideias iniciais para nomear seus álbuns. Abbey Road quase se chamou "Everest". Please Please Me quase se chamou "Off The Beatle Track" (para saber mais leia esse post antigo: http://naomedeixesermalinterpretado.blogspot.com.br/2014/04/beatlelandia-marco-de-1963.html. Felizmente a banda não deu esses nomes ridículos para seus álbuns... O link para o site do estadão é: http://cultura.estadao.com.br/blogs/sonoridades/de-abracadabra-a-revolvera-genese-de-um-album-dos-beatles/

De ‘Abracadabra’ a ‘Revolver’,a gênese de um álbum dos Beatles.

Carlos de Oliveira
08 setembro 2015 | 17:12

Rubber Soul levou os Beatles a Revolver, o álbum que decretou a maioridade musical da banda inglesa. É o disco das surpresas melódicas e da maturidade nas letras. Foi lançado há 49 anos, no dia 5 de agosto de 1966. Por pouco ele não se chamou "Abracadabra", com uma capa bem diferente. Coube ao alemão Klaus Voormann dar a aparência final do álbum.

O que seria do rock sem suas lendas, algumas delas bem verdadeiras? Muito provavelmente, ele perderia um pouco de seu magnetismo, de seu encanto. Por falar de encanto, essa palavra remete a um dos mais importantes álbuns dos Beatles, aquele em que eles deram o salto rumo à maturidade musical. Revolver nada teve a ver com a arma. Foi, sim, uma palavra para definir o movimento de rotação, nesse caso específico, a rotação de um disco na vitrola. Estávamos em 1966 e as vitrolas estavam em alta.
A capa de Abracadabra, rejeitada pelos Beatles. Em seu lugar surgiria Revolver, com capa desenhada pelo alemão Klaus Voormann.

Mas e a lenda? Vamos a ela: faltou pouco para Revolver nem existir. O sétimo álbum da banda quase se chamou Abracadabra. O nome, ligado de alguma forma à magia, ao encantamento, até que não estava muito fora da proposta de renovação, de surpresa, perseguida pela banda desde Rubber Soul.

Espiral – Mas era um título meio infantil, meio insosso, e foi recusado. Com o nome foi-se também a capa idealizada pelo brilhante fotógrafo Robert Freeman: uma colagem em espiral, feita com fotos repetidas do rosto de cada beatle.
A capa de Rubber Soul, que antecedeu Revolver: foto de Robert Freeman.

Freeman era velho conhecido dos Beatles, autor das fotos de outras capas como With the Beatles, Beatles for Sale, Help e Rubber Soul, além de uma série de outras fotos da banda.

Consumada a recusa de Abracadabra, John Lennon lembrou-se de Klaus Voormann, artista plástico e músico alemão, amigo dos Beatles dos tempos em que a banda tocava em inferninhos de Hamburgo, Alemanha, no início dos anos 60.

Existencialistas – Voormann era namorado da fotógrafa Astrid Kirshherr, autora das várias fotos que documentam a passagem dos ainda adolescentes beatles por Hamburgo. Ambos integravam um grupo de artistas orientados pelo existencialismo, os chamados Exis. Rompido o namoro com Klaus, Astrid uniu-se a Stuart Sutcliffe, na época baixista dos Beatles, que morreria pouco tempo depois, em 1962, de um derrame cerebral.
Os esboços de Klaus Voormann para a capa de Revolver: 40 libras de pagamento e um Grammy em 1966.
Klaus Voormann em 1966 e a versão final da capa de Revolver.
A foto que serviu de contracapa do álbum Revolver.

40 libras – A capa do novo disco foi produzida em poucos dias. Voormann fez cinco esboços e o escolhido encaixou-se perfeitamente com a proposta do álbum: ele teria de refletir algo novo, um certo sabor de vanguarda.

Aquele 1966 estava sendo um ano de descobertas, entre elas os tais estados alterados de percepção. Os Beatles haviam entrado na sua fase lisérgica. Terminado o trabalho (uma colagem mesclando fotos e desenhos), Voormann recebeu 40 libras e o Grammy de Melhor Capa de 1966.

Algumas palavras mais sobre Voormann. Além de artista plástico, o amigo alemão dos Beatles também era baixista. Tocou com a banda de Manfred Mann, com George Harrison no álbum All Things Must Pass, com Ringo Starr e com John Lennon, na fase pós-Beatles.

De volta a Revolver. Se era novidade o que os Beatles queriam, ela surgiu logo na primeira faixa do novo álbum. Pela primeira vez na história da banda, uma composição de George Harrison abria o disco.

Algumas faixas"Taxman" foi uma música de protesto. Não a tradicional canção contra a guerra do Vietnam, muito em moda na época, mas contra a absurda carga de impostos que caía em cascata sobre ganhos financeiros numa Inglaterra administrada pelo então primeiro-ministro trabalhista Herold Wilson.

Em 1980, Lennon, em entrevista à Playboy, disse que George chegou a pedir-lhe ajuda com a música. Meio de má vontade (“sempre fomos Lennon e McCartney”), John sugeriu o backing vocal que, além de Herold Wilson, cita Edward Heath, líder conservador. Embora, pelo menos oficialmente, Harrison fosse o guitarrista solista da banda, foi McCartney que fez o antológico solo da música. Taxman continua atual. Nos Estados Unidos, ela é tocada nas rádios e nos noticiários de TV todo dia 15 de abril, data em que as declarações de renda devem ser entregues ao fisco americano.

Eleanor – Quatro violinos, duas violas e dois cellos pontearam a lúgubre "Eleanor Rigby" – esposa de um certo Thomas Wood, que morreu em 10 de outubro de 1939, aos 44 anos, enquanto dormia. É o que diz a lápide de granito perdida entre tantas outras no Woolton Cemetery, ao sul de Liverpool.  Ainda hoje, ouvidos musicais mais privilegiados (ou delirantes) garantem identificar algum sotaque de Bachianas Brasileiras, de Heitor Villa-Lobos, no fraseado de cordas que acompanha a desafortunada Eleanor até seu túmulo.

Dó maior – Em Revolver, os Beatles conseguiram acomodar uma melodiosa "Here, There and Everywhere" com a desconstrutivista, dadaísta até, "Tomorrow Never Knows", perturbadora obra proposta por John Lennon, cuja harmonia é um único acorde de dó maior.

Motow – Em "Got to Get You Into My Life", a voz forte de Paul foi buscar cumplicidade nos jazzistas britânicos, que comparaceram com três trompetistas (Eddy Thorton, Ian Hamer e Les Conlon) e dois saxofonistas (Alan Branscombe e Pete Coe), que atacaram a faixa com a energia dos gênios negros da norte-americana Motow.

Os Beatles e Revolver devem muito a Geoff Emerick, engenheiro de som da EMI que trabalhava com o produtor e ‘quinto beatle’ George Martin.  A Emerick e a suas subversões são creditadas a riqueza de timbres que emana do álbum. A EMI era uma empresa ortodoxa. Cheia de regras técnicas, não permitia a utilização de microfones junto aos instrumentos e amplificadores. Alegava que os sensíveis equipamentos seriam danificados.
John, Paul, Ringo e George em estúdio, durante as gravações de Revolver, em 1966.

Novo som – Inconformado com tais regras, Emerick aproximou os microfones dos amplificadores, violões, violinos, metais e, principalmente, da bateria. O resultado foi demolidor. O som dos Beatles mudou radicalmente. Para melhor. A EMI detestou e vetou a manobra. Os Beatles adoraram e desafiaram o status quo. Numa reunião tensa com a direção da gravadora, o ultimato: “De agora em diante, esse é o nosso som. Ou será assim ou não será de jeito nenhum”, disse um resoluto Paul McCartney, em nome do grupo.

Como seria mais fácil comprar microfones novos do que descobrir outra mina de ouro como os Beatles, a EMI cedeu. Revolver tornava-se um dos mais espetaculares disco da banda. Hoje, 49 anos depois, ele continua novo, à frente do tempo, surpreendente a cada nota, a cada verso. A um passo de se tornar eterno. Por falar em eterno, vale lembrar que depois de Revolver veio Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

E novas lendas estavam a caminho.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

It Ain't Me Babe - II

It Ain‘t Me Babe

"It Ain‘t Me Babe" é uma canção de Bob Dylan que originalmente apareceu em seu quarto álbum Another Side Of Bob Dylan, que foi lançado em 1964 pela Columbia Records. 

Esta canção, junto com outras do álbum, marcou o momento em que Dylan começou a explorar as possibilidades da linguagem e níveis mais profundos da experiência humana. Segundo algumas fontes, todas as canções surgiram de uma tentativa de Dylan de escrever poemas para um livro. O livro não saiu, mas Dylan beneficiou do exercício mental de expor sentimentos e pensamentos mais elaborados sobre a vida. Biógrafos de Dylan em geral concordam que a música deve sua inspiração para sua ex-namorada Suze Rotolo. Ele teria começou a escrever a música durante sua visita à Itália em 1963, quando foi procurá-la. Outras versões dão conta que a cançãop teria sido escrita para Joan Baez. Seja como for a canção fala de um rapaz que tenta convercer a ex-namorada (ou será ele mesmo?) de que ele não serve para ela, e por isso ela deve esquecê-lo.

Este lendário álbum, foi gravado por Dylan em uma única sessão de estúdio durante toda a noite, auxiliado por "um par de garrafas de vinho Beaujolais. Segundo a lenda, o refrão "no, no, no, it ain‘t me babe" é uma resposta ao refrão dos Beatles "she loves you, yeah, yeah, yeah". Menos de um ano após o lançamento, a canção foi usada por diversos artistas que forjaram o movimento folk rock, incluindo Os Turtles e Os Byrds.

Covers e versões
Admirador de longa data da obra de Dylan, Johnny Cash fez um cover dessa canção, junto com sua esposa June Carter (com as bençãos de Dylan, que também admirava a obra de Cash) para o seu álbum Orange Blossom Special, de 1965.

A canção aparece no filme de 2005 Walk The Line, sobre a vida de Cash, e foi cantada por Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon.

Este foi o primeiro sussesso dos Turtles, que emplacaram a posição número 8 nas paradas de singles dos Estados Unidos, em 1965.

Outros artistas para gravar a canção incluem Joan Baez:

Jan e Dean, em 1965:

Nancy Sinatra, em 1966,

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

You Really Got Me - II

You Really Got Me

"You Really Got Me" foi escrita por Ray Davies, vocalista e principal compositor da banda Kinks, em algum momento entre 9 e 12 de Março de 1964. Inicialmente a canção era mais leve, com um ritmo mais próximo ao jazz, mas quando Dave Davies, irmão de Ray e guitarrista dos Kinks ouviu a faixa, decidiu que o riff seria muito mais poderoso na guitarra. A banda começou a executar a canção em suas apresentações, sendo bem recebidos.

Anos depois, Dave contou que a canção tinha sido inspirado pela canção de Jimmy Giuffre "The Train And The River". Ainda de acordo com o empresário da banda, Larry Page, o riff da música surgiu enquanto os integrantes da banda tocavam os acordes da canção "Louie Louie" dos Kingsmen.

A canção foi gravada pelos Kinks pelo menos duas vezes no verão de 1964. A demo da banda foi gravada em um estilo "bluesístico", enquanto que a versão de estúdio (gravada em junho) ficou mais lento e menos enfático do que a versão final lançada em single. Embora o banda quisesse regravar a canção, a Pye Records se recusava a fazer uma nova sessão de estúdio. Ray Davies então ameaçou se recusar a promover o single, a menos que ela fosse regravada. O impasse foi quebrado, com a decisão da banda de bancar uma nova sessão de estúdio.

O som de guitarra distorcida foi criado depois de o guitarrista Dave Davies cortado o cone do alto falante de seu amplificador com uma lâmina de barbear e cutucou-o com um alfinete.

Solo de guitarra
A melodia de guitarra na gravação final tem sido objeto de um mito segundo o qual, ele não teria sido tocado pelo guitarrista Dave Davies do Kinks, mas pelo músico Jimmy Page, que mais tarde se juntou ao Yardbirds e ao Led Zeppelin. Page sempre negou ter tocado a melodia de guitarra no meio de "You Really Got Me". O historiador do Rock e escritor Doug Hinman afirma que o boato foi criado e promovido por músicos britânicos descontentes com o fato de que uma banda de adolescentes, como os Kinks, pudesse produzir e gravar uma canção de blues poderosa e influente, aparentemente do nada. O produtor da banda, Shel Talmy, sempre foi enfático ao negar a participação de Page, mas o mito persiste mesmo assim. Alguns musicólogos descrevem "You Really Got Me" como a precursora dos gêneros heavy metal e do hard rock.

Sucesso
"You Really Got Me" foi lançado como o terceiro single dos Kinks em 04 de agosto de 1964, tendo no lado B a canção "It’s All Right". Três depois do lançamento, "You Really Got Me" começou a aparecer na listas das mais tocadas, depois subiu para o topo das paradas britânicas, sendo o primeiro single da banda a fazê-lo. Ray Davies mais tarde afirmou que, devido à alta demanda do single, Pye Records deixou de produzir outros singles para usar toda a sua produção na fabricação de cópias de "You Really Got Me". Devido ao grande sucesso alcançado no Reino Unido, a canção foi lançada nos Estados Unidos, em 02 de setembro de 1964. Apesar de não aparecer nas paradas até 26 de Setembro, a canção chegou ao sétimo lugar da Billboard Hot 100. A canção mais tarde apareceu no álbum de estréia da banda, Kinks. Na versão americana do álbum, o título foi para You Really Got Me. Shel Talmy propôs que Ray cantasse versões da canção em francês, alemão, espanhol e japonês, para seus respectivos mercados, a proposta nunca foi adiante.

Uso de riffs de guitarra distorcidas pelos Kinks continuou com canções como "All Day and All of the Night", "Tired Of Waiting For You" e "Set Me Free", entre outros. Pete Townshend do The Who, cuja banda também foi produzida por Talmy na época, afirmou que seu primeiro single, "I Can‘t Explain", foi influenciado pelo trabalho dos Kinks na época.

Van Halen
A banda de hard rock americana Van Halen lançou um cover de "You Really Got Me" para o seu álbum de estréia, Van Halen, em 1978. Como o primeiro single da banda, foi um sucesso nas rádios populares, o que ajudou a dar início a carreira da banda. Esta versão, que foi citado por Eddie Van Halen como uma versão "atualizada" do original, destaque para a "histriônica" guitarra de Eddie Van Halen e as "travessuras vocais", de David Lee Roth. A canção vinha sendo tocada pela banda em apresentações durante anos, antes de seu lançamento estúdio. A canção acabou se transformando no primeiro single do Van Halen como resultado de um encontro entre Eddie Van Halen e o baterista da banda Angel, Barry Brandt. Eddie Van Halen mostrou um demo de "You Really Got Me" para Brandt em um encontro. No dia seguinte, o produtor do Van Halen, Ted Templeman, disse a Eddie Van Halen que os integrantes da banda Angel estavam gravando sua própria versão de "You Really Got Me". Como resultado, a canção foi gravada as pressas e lançada como um single antes que a banda Angel pudesse fazê-lo.

Outras versões e covers
A banda italiana I Califfi, em 1965:

13th Floor Elevators, em 1966:

Sly & Family Stone, em 1983:

domingo, 28 de junho de 2015

Get Off Of My Cloud - II

Get Off Of My Cloud

"Get Off Of My Cloud" foi escrita pela dupla Mick Jagger e Keith Richards como uma resposta às crescentes expectativas e cobranças feitas à banda Rolling Stones após o sucesso de "(I Can not Get No) Satisfaction". Ambas as canções tinham em comum o fato de retratarem a alienação da juventude e seu desejo de se distanciarem do mundo a sua volta.


A canção (em mi maior) guarde grande semelhança com o riff da canção "Louie Louie". O arranjo precedido pela bateria de Charlie Watts e seguido pelas guitarras gêmeas de Brian Jones e Keith Richards. E foi produzida por Andrew Long Oldham.


Na época surgiu uma controvérsia sobre a canção, dizendo que ela poderia ser sobre drogas. (um pequeno comentário: Ou os músicos da época estavam fazendo muitas canções com mensagens subliminares sobre o consumo e os efeitos dos entorpecentes, ou as pessoas da época andavam paranóicas achando que quase toda a música lançada era sobre o tema). Por conta dessa controversia, algumas estações de rádio se recusaram a reproduzir a canção.


Gravado em setembro 1965 e lançado em novembro daquele ano, a canção liderou as paradas no Reino Unido (por três semanas), Estados Unidos (duas semanas) e Alemanha, e atingiu a segunda posição na Austrália e na Irlanda. O lado B do single americano tinha a canção "I Am Free", mas esta permaneceu “obscura” até que foi regravada pelos Soup Dragons, em 1990. Em dezembro de 1965, a canção foi lançada no LP December's Children (And Everybody's).

Cover s e versões
The Eyes, em 1965:

Los Johnny Jets, em 1966. Detalhe, aqui a música foi traduzida para o espanhol:

The Bubbles, em 1966. Apesar do nome é uma banda brasileira. Eles fizeram uma versão engraçada da canção, e que se encaixa perfeitamente com Mick Jagger:

Alexis Korner, em 1974:

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Day Tripper - II

Day Tripper

"Day Tripper" é uma canção de autoria de John Lennon e Paul McCartney, originalmente lançada como single, e depois em Long Play (LP). Sobre a composição, Lennon e McCartney deram versões diferentes (algumas delas parcialmente contraditórias) sobre quem compôs a canção e qual seria o significado da mesma.

A ideia para a canção partiu de John Lennon, que inspirou-se na canção “Watch Your Step”, de Bobby Parker, para compor o famoso riff de guitarra de “Day Tripper”. Em 1966, McCartney contou para a Melody Maker que as canções "Day Tripper" e "Drive My Car" (esta gravada três dias antes da outra) eram músicas engraçadas, músicas com piadas inseridas nas letras.


Criado por Lennon, o termo day tripper se referia à pessoas que eram hippies de fim de semana. Tal como pessoas que fazem pequenas viagens, de um dia apenas, mas voltam para a segurança de seus lares, os “day trippers” seriam pessoas que frequentavam as festas hippies, ouviam músicas psicodélicas, consumiam substâncias entorpecentes, mas não aderiam à contracultura e o movimento hippie.

Por conta disso, difundiu-se a explicação de que “Day Tripper” seria a primeira referência explícita ao LSD em uma canção dos Beatles, com Lennon e McCartney brincando sobre tomar, ou não tomar ácido (LSD). Sobre essa questão, Paul McCartney deu uma entrevista para o jornal Daily Mirror, em 2004, onde ele contou que as drogas influenciaram muitas das canções dos Beatles. Ele citou “Day Tripper” como sendo uma canção sobre LSD. Mas depois ele minimizou a questão dizendo “que as pessoas costumam superestimar a influência de drogas em suas músicas.


Gravação
“Day Tripper” foi gravada na tarde do dia 16 de Outubro de 1965, durante as sessões para o LP Rubber Soul. A banda passou algumas horas ensaiando o ritmo no estúdio e depois gravaram três tomadas, sendo apenas a última tomada completa.

Havia sido acordado que o single com a canção seria lançado com “Day Tripper” no lado A, mas após a gravação de “We Can Work It Out”, em 20 de outubro, os produtores e parte da banda mudaram de ideia, por considerarem “We Can Work It Out” como sendo uma canção mais comercial. Lennon protestou contra a decisão, e o resultado foi que o single acabou sendo comercializado com dois lados A.

O single rapidamente chegou ao topo da parada de sucessos britânica, e a posição número cinco da parada americana, já no ano de 1966.

Covers e versões
Jimi Hendrix:

Otis Redding:

Sérgio Mendes e Brazil '66, no LP Herb Albert Presents, em 1966:

James Taylor, no LP Flag de 1979:

Cheap Trick:

Lulu, no LP Love Loves To Love Lulu, em 1967:

segunda-feira, 30 de junho de 2014

I'm A Believer - II

I’m A Believer

“I’m A Believer” é uma canção composta por Neil Diamond e lançada pela primeira vez pela banda norte-americana The Monkees, em 1966. O single da canção é um dos mais vendidos de todos os tempos, tendo alcançado a marca de 10 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo.

Composição
Neil Diamond trabalhava no ramo musical, como músico e compositor, desde 1958, mas somente no início de 1966 é que ele obteve seu primeiro sucesso, com a composição "Cherry, Cherry". Essa canção chamou a atenção do também compositor e produtor musical Don Kirshner, que estava à procura de material para os Monkees. Inicialmente, Diamond ficou surpreso com o interesse de Kirshner em suas composições, mas fechou negócio com ele. Como parte do acordo entre ambos, foi acertado que Diamond esperaria um ano antes de lançar a sua versão de “I’m A Believer”, o que acabou beneficiando-o, pois a exposição da canção no programa de televisão do Monkees alavancou as vendas da versão dele.


Os Monkees
O grupo musical Monkees foi criado em 1965, pela rede de televisão americana NBC, com a intenção de “tirar proveito” do sucesso que das bandas britânicas faziam no mercado norte americano. Algumas fontes afirmam que a intenção da NBC seria a de “rivalizar” com os Beatles, enquanto que outras afirmam que a intenção seria fazer uma paródia dos Beatles. A emissora colocou um anúncio de jornal, procurando por “quatro loucos entre 17 e 21 anos”, e, depois de vários testes, escolheu Davy Jones, vocalista e multi-instrumentista, Michael Nesmith, guitarrista, Micky Dolenz, baterista e vocalista e Peter Tork, baixista e tecladista. O programa de TV durou duas temporadas, de setembro de 1966 até março de 1968, mas a banda ainda continuou em atividade por alguns anos, com esporádicos reencontros dos integrantes.


“I’m A Believer” foi produzida por Jeff Barry e lançada como single em 21 de novembro de 1966, no lado B estava “(I’m Not Your) Steppin’ Stone”. Apesar de os integrantes dos Monkees saberem tocar os instrumentos musicais, eles apenas gravaram a parte vocal da canção. Os produtores do single preferiam contratar músicos de estúdio para gravar a parte instrumental das músicas dos Monkees, pois não estavam convencidos do talento dos rapazes. Esse fato se repetiu durante as gravações das primeiras canções do grupo, e foram necessários meses de brigas até que os integrantes da banda pudessem tocar suas próprias canções.
A canção também foi lançada no LP More Of The Monkees

O single chegou a posição número um na parada de sucessos americana na última semana de 1966 e ficou na primeira posição por sete semanas seguidas. Devido as encomendas antecipadas de lojistas, diante da grande procura do público, o single garantiu as vendas de 1.051.280 de cópias, conseguindo o feito de ganhar um disco de ouro apenas dois dias após o lançamento. A canção também ficou no topo da parada de sucessos britânica por quatro semanas entre janeiro e fevereiro de 1967.

Outras versões
Mais de vinte versões de "I'm A Believer" foram gravadas, abaixo algumas delas.

Neil Diamond fez duas versões da canção, uma em 1967, para o seu LP Just For You:

E outra, com acréscimos na letra, para o LP September Morn, de 1979:


A banda Four Tops, em 1967:

A banda britânica EMF fez uma versão em 1995. Foi com essa versão que ouvi pela a primeira vez a canção. No vídeo dá para perceber que os integrantes da banda não levaram muito a sério o cover:

A banda Smash Mouth gravou uma versão, para o filme Shrek, em 2001:

Obs: Eddie Murphy, dublando o personagem “Donkey” também gravou uma versão da música para o filme.

A banda Weezer também fez sua versão para o filme Shrek, em 2010:

domingo, 29 de junho de 2014

I'm A Believer - I

I'm A Believer

Gravada em 1966, "I'm A Believer" tornou-se sucesso imediato, ajudando a tornar a banda The Monkees famosa internacionalmente. A canção é até hoje regravada por diversos artistas ao redor do mundo e muito utilizada na trilha sonora de filmes.

Agora com vocês... The Monkees!

Os Monkees foram uma banda criada da rede NBC, dos Estados Unidos, para estrelar um seriado de televisão. No início, os integrantes apenas cantavam, já que músicos de estúdio eram contratados para tocar a parte instrumental. Com o sucesso, os integrantes do Monkees passaram a tocar eles mesmos os instrumentos. O clipe reproduzido acima é de um dos episódios do programa de televisão. O link é:  https://www.youtube.com/watch?v=XfuBREMXxts

I thought love was only true in fairytales
Meant for someone else but not for me
Love was out to get me
That's the way it seemed
Disappointment haunted all my dreams
Then I saw her face, now I'm a believer
Not a trace of doubt in my mind
I'm in love, I'm a believer
I couldn't leave her if I tried
I thought love was more or less a givin' thing
Seems the more I gave the less I got
What's the use in trying?
All you get is pain
When I needed sunshine I got rain
Then I saw her face, now I'm a believer
Not a trace of doubt in my mind
I'm in love, I'm a believer
I couldn't leave her if I tried
Love was out to get me
Now that's the way it seemed
Disappointment haunted all my dreams
Oh then I saw her face, now I'm a believer
Not a trace of doubt in my mind
I'm in love, I'm a believer
I couldn't leave her if I tried
Yes I saw her face, now I'm a believer
Not a trace of doubt in my mind
Said I'm a believer, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah
(I'm a believer)
(I'm a believer)
(I'm a believer)

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Dancing In The Street - II

Dancing In The Street

Escrita por Marvin Gaye, Ivy Hunter e William “Mickey” Stevenson, compositores da lendária gravadora Motown, em 1964, “Dancing In The Street” (Dançando Na Rua) tornou-se um dos maiores sucessos da década de 1960.

Composição
William “Mickey” Stevenson teve a ideia inicial para a canção durante um passeio, com seu amigo Marvin Gaye, pelas ruas de Detroit, em um quente dia de verão. Ele viu alguns jovens brincando sob o jato de água de um hidrante aberto e, a partir da impressão de que os garotos estavam dançando, escreveu o rascunho da letra da música. A ideia inicial era compor uma balada, mas quando Gaye leu o rascunho concluiu que a canção soava muito mais dançante. A dupla reescreveu a canção e ofereceu-a para a cantora Kim Weston, que não se interessou em gravá-la. A seguir a canção foi apresentada para a cantora Martha Reeves, que pediu modificações na canção (segundo algumas fontes por considerá-la repetitiva).

Com a contribuição de (George) Ivy Hunter, um compositor recém-contratado pela Motown, uma nova versão foi criada. Segundo consta, Hunter achava que a música precisava de uma batida mais forte e bem marcada, então ele teve a ideia de bater com um pé de cabra em um pneu para conseguir o efeito sonoro que precisava.

Martha And The Vandellas
Martha Reeves era cantora profissional e tinha ido para Detroit atrás de um contrato com alguma gravadora da cidade. Enquanto não conseguia uma audição, ela trabalhava como secretária na Motown, e frequentemente gravava fitas demo com as novas composições (para serem depois ouvidas pelos cantores da casa). Sua voz impressionou os executivos da Motown e assim obteve um contrato com a gravadora em 1962. Ela convenceu-os a também contratar suas antigas colegas de banda, Annette Sterling e Rosalind Ashford, e registrá-las como um trio, com o nome de Martha And The Vandellas.

O trio já tinha obtido grande sucesso com algumas canções, como é o caso do single “Heat Wave”, quando entraram em estúdio para gravarem “Dancing In The Street”, em agosto de 1964. O single chegou na segunda posição na parada de sucessos americana e a posição numero 28 na parada britânica do mesmo ano. Em 1969 o single foi relançado no Reino Unido e obteve a posição numero 4 na parada de sucessos daquele pais.


Embora tenha sido composta sem qualquer mensagem oculta (era apenas uma dançante música de festa), em pouco tempo, criou-se uma controvérsia política em torno dela. “Dancing In The Street” começou a ser executada pelos organizadores das passeatas em favor dos direitos civis para atrair participantes. Por conta disso, algumas estações de rádio tocavam a música para apoiar e organizar manifestações, enquanto que outras rádios retiraram a canção de sua grade musical. 

Sobre o assunto, Martha Reeves declarou, em diversas ocasiões, que “Dancing In The Street” era uma música de festa. Por sinal ela manifestava certo desconforto quando percebia que tentavam transformá-la em uma líder politica. Berry Gordy, fundador e presidente da gravadora Motown, tinha como objetivo produzir canções voltadas para o publico em geral e fez o máximo para impedir que “Dancing In The Street”, bem como todas as demais canções do seu selo fonográfico, fossem tomadas como canções de protesto.

Outras versões
Entre as versões e covers de “Dancing In The Street”, feitas ao longo dos anos, vale a pena citar:

The Kinks, lançada no disco Kinda Kinks, de 1965


A versão, quase um cover, do grupo The Mamas And The Papas é a melhor de todas (segundo minha opinião, pelo menos). Foi lançada em 1966 como single, tendo no lado B a canção “Words Of Love”, e depois, no mesmo ano, no LP The Mamas & The Papas. A canção foi gravada em um momento conturbado da banda. A vocalista Michelle Phillips havia sido demitida e depois recontratada, nesse meio tempo, outra cantora foi contratada para gravar algumas músicas que foram usados no álbum. Por causa disso, não sei dizer se os vocais femininos da canção foram gravados apenas pela cantora “Mama” Cass Eliot. Abaixo, a apresentação deles no Festival Pop de Monterey, em 1967.


Black Oak Arkansas, no seu álbum Street Party, de 1974.


Van Halen, no LP Diver Down, de 1981


Versão para o Live Aid
Por fim, a versão de Mick Jagger e David Bowie, em 1985. O dueto fazia parte da campanha para arrecadas fundos para combater a fome na Africa, o Live Aid. A ideia original era fazer cada cantor se apresentar em um estádio localizado de cada lado do Oceano Atlantico e, com a ajuda de um sinal de satélite, fariam o dueto, que seria exibido em telões instalados em ambos os estádios, mas por problemas técnicos não foi possível realizar o projeto. Então, Jagger e Bowie se reuniram de junho de 1985 para gravar em um estúdio a canção e, na sequencia. gravarem um vídeo clip, concluindo todo o trabalho em apenas de treze horas. O vídeo foi exibido duas vezes no Live Aid, e os lucros advindos da venda do single foram direcionados para a caridade. 

Os cantores fizeram diversas modificações e acréscimos na letra original. Durante a canção eles fazem menção a diversos países, com o objetivo de fazer da caridade e a ajuda aos mais necessitados um objetivo mundial. Essa versão chegou ao topo da parada de sucesso do Reino Unido e alcançou a posição numero 7 na parada americana.


domingo, 4 de maio de 2014

Dancing In The Street - I

Dancing In The Street

Dando prosseguimento as minhas postagens sobre músicas dos anos 60, vou mostrar aquela que é, em minha opinião, a melhor de todas as interpretações já feitas da canção “Dancing In The Street”. No próximo post falo mais da história da canção e seus interpretes.

Agora com vocês: O grupo vocal The Mamas And The Papas!


Tentei encontrar algum vídeo do conjunto The Mamas And The Papas tocando ao vivo. Achei uma apresentação ao vivo no Festival de Monterey, que irei postar em breve, e uma apresentação muito ruim na TV americana (o playback foi mal feito, cortaram a apresentação da banda, etc). O vídeo acima saiu do endereço: https://www.youtube.com/watch?v=6bt7YnNgktU

Callin' out around the world
Are you ready for a brand new beat?
Summer's here and the time is right
For dancin' in the streets
They're dancin' in Chicago
Down in New Orleans
Up in New York City
All we need is music (sweet music)
Sweet music (sweet music)
There'll be music everywhere (everywhere)
There'll be swingin' and swayin' and records playin'
And dancin' in the streets
Oh, it doesn't matter what you wear
Just as long as you are there
So come on, every guy grab a girl
Everywhere around the world
There'll be dancing
They're dancing in the street
This is an invitation
Across the nation
A chance for the folks to meet
There'll be laughin', singin', and music swingin'
And dancin' in the streets
Philadelphia, P.A. (Philadelphia, P.A.)
Baltimore and D.C. now (Baltimore and D.C. now)
Yeah, don't forget the Motor City (Can't forget the Motor City)
All we need is music (sweet music)
Sweet music (sweet music)
There'll be music everywhere (everywhere)
There'll be swingin' and swayin' and records playin'
And dancin' in the street, yeah
Oh, it doesn't matter what you wear
Just as long as you are there
So come on, every guy grasp a girl
Everywhere around the world...
There'll be dancin'
Be dancin' in the streets
Philadelphia, P.A. (Philadelphia, P.A.)
Baltimore and D.C. now (Baltimore and D.C. now)
Can't forget that Motor City (Can't forget the Motor City)
Way down in L.A., California (Way down in L.A., California)
Not to mention Halifax, Nova Scotia (Not to mention, indeed)
And [?] they do that [?] you know (Yes, I know)
Manchester? (And, oh, Amherst, Amherst)
Alexandria? (Virginia, Virginia)
Falls Church (Where's that?)
Ooh, Boyle Heights! (Boyle Heights, never heard of it)