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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Quando Um Homem É Homem - Mc Lintock!

Quando Um Homem É Homem - Mc Lintock!

O filme a seguir é outra (mais uma!) película que eu só vim a assistir graças à internet. Até onde me lembro, nunca havia visto ou ouvido falar desse filme estrelado por John Wayne. De fato, ele difere muito dos demais que costumamos associar ao Duke, como John Wayne costumava ser conhecido no meio cinematográfico. Claro que ele já havia estrelado produções de humor, como é o caso de Hatari!, mas quando o assunto é western, normalmente ele aparece empunhando uma arma enfrentando criminosos. Em Quando Um Homem É Homem (Mc Lintock!) ele interpreta o papel de G.W. Mc Lintock, um grande proprietário rural, em alguma região do meio oeste americano. Ele é casado, mas a esposa, mora longe há dois anos e, apesar de brigarem muito, eles ainda se amam. A filha que também mora longe, já que foi estudar fora, passa a ser objeto de disputa entre dois rapazes, um que fez faculdade e um rancheiro, e é este último por quem ela aos poucos se interessa.

Vocês verão que o filme é uma comédia romântica e, pelo que li na wikipédia, é vagamente baseado na peça A Megera Domada, de William Shakespeare. Exceto pelo final, onde o Sr Mc Lintock persegue e bate no traseiro da Sra Mc Lintock, como na peça de Shakespeare, não percebi relação alguma entre esse filme e a peça. Não quero contar muito sobre a história do filme, pois além de entregar o enredo, seria complicado contar todos os meandros da história. Uma curiosidade: Consta que o filme caiu em domínio público pois o estúdio United Artists perdeu a data para renovar seus direitos autorais sobre o filme, mas a trilha sonora não teve o mesmo destino e continua protegida por direitos autorais.

Dublado em português: (notem a dublagem da época)

Em inglês:

Em espanhol:

Em francês:


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Baby It's You - II

Baby It‘s You

"Baby It‘s You" foi escrita por Burt Bacharach (música), Luther Dixon (usando o pseudônimo de Barney Williams) e Mack David (letra). A canção foi originalmente produzida por Luther Dixon para o grupo vocal feminino Shirelles. Quando lançada como single em 1961, a música tornou-se rapidamente popular, chegando à oitava posição da para de sucessos da Billboard.

Mais tarde "Baby It’s You" foi lançada em um álbum com o mesmo nome. Os arranjos vocais criados para esta primeira versão provaram-se influentes e acabaram sendo reproduzidas na maioria das versões subsequentes, inclusive aquela lançada pelos Beatles.

Beatles
Os Beatles vinham tocando "Baby It’s You" em suas apresentações de 1961 até 1963, por influência de John Lennon, que era fã das Shirelles. Em 11 de fevereiro de 1963, os Beatles gravaram a canção para seu primeiro álbum, Please Please Me, juntamente com "Boys", outra canção lançada pelas Shirelles. A versão dos Beatles difere das Shirelles pela repetição do segundo verso em vez do primeiro. Então, se as Shirelles concluiam a canção "sentado em casa e chorando", a versão dos Beatles é mais otimista, com John Lennon cantando que ele vai continuar a amar, não importa o quê.

O single da versão dos Beatles alcançou o sétimo lugar na parada sucessos do Reino Unido e a posição 67 da Billboard Hot 100, nos Estados Unidos.


Sha la la la la la la la/Sha la la la la la la la
Sha la la la la la la la/Sha la la la la
It's not the way you smile that touched my heart. (sha la la la la)
It's not the way you kiss that tears me apart.
Uh, oh, many, many, many nights go by,
I sit alone at home and I cry over you.
What can I do.
Can't help myself, 'cause baby, it's you.
(sha la la la la la la)
Baby, it's you.
Sha la la la la la la la/Sha la la la la la la la
You should hear what they say about you, "cheat," "cheat."
They say, they say you never never never ever been true. (cheat cheat)
Uh oh,
It doesn't matter what they say,
I know I'm gonna love you any old way.
What can I do, and it's true.
Don't want nobody, nobody, 'cause baby, it's you. (sha la la la la la la)
Baby, it's you. (sha la la la la la la)
Uh oh,
It doesn't matter what they say,
I know I'm gonna love you any old way.
What can I do, when it's true.
Don't want nobody, nobody, 'cause baby, it's you. (sha la la la la la la)
Baby, it's you. (sha la la la la la la)
Don't leave me all alone...

Smith
A versão de "Baby It’s You" feita pela banda Smith, liderada por Gayle McCormick, foi lançada em seu álbum de estréia, A Group Called Smith, em 1969. Produzida por Del Shannon, esta versão altera o arranjo vocal tradicional interpretada por as Shirelles e os Beatles em favor de um vocal mais próximo ao Soul. A canção alcançou a quinta posição da Billboard Hot 100. A versão do Smith foi utilizada por Quentin Tarantino na trilha sonora do filme Death Proof.

Covers e outras versões
Os Carpenters gravaram uma versão de "Baby It’s You", em 1970, para o seu álbum Close to You.

Sylvie Vartan, cantora francesa, em 1962

Masqueraders, em 1975

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Please Mr. Postman - II

Please Mr. Postman

Origens
Em meados de 1960, cinco moças da escola secundária Inkster, localizada no subúrbio de Detroit se reuniram para formar um grupo vocal. Elas eram Gladys Horton, Katherine Andreson, Georgeanna Tillman, Juanita Cowart e Georgina Dobbins. Em abril de 1961, o quinteto, agora chamado as Marvels, conseguiu uma audição para o selo fonográfico Tamla (que depois mudaria de nome para Motown) de propriedade do produtor Berry Gordy.

Precisando de uma canção original para sua audição, Georgia Dobbins procurou o compositor William Garret, seu amigo. Este tinha uma canção de Blues, que não se encaixava perfeitamente ao estilo musical das Marvels. Então Dobbins reescreveu completamente a canção, mantendo apenas o título. Depois da audição, e antes que as Marvels gravassem, Dobbins deixou o grupo para cuidar de sua mãe.
Gladys Horton, Katherine Andreson, Georgeanna Tillman, Juanita Cowart

Berry Gordy renomeou o grupo para as Marvelettes e contratou os compositores Brian Holland e Robert Bateman (conhecidos no meio musical pela alcunha "Brianbert") para-retrabalhar a música mais uma vez. Segundo algumas fontes, Holland teria sido o responsável por convidar um carteiro chamado Freddie Gorman, para ajudar na reformulação final da canção. Por conta da participação de tantos compositores, os créditos de "Please, Mr. Postman" são um tanto obscuros. No single lançado pelas Marvelettes em 1961, pela Tamla, os compositores são "Dobbins / Garett / Brianbert" e o produtor é a dupla "Brianbert". Nas listas de direitos autorais aparecem Georgia Dobbins, Brian Holland, Robert Bateman e Freddie Gorman, mas as agências de direitos autorais (aqueles que pagam o direitos autorais), listam apenas Holland, Bateman e Gorman. William Garrett é listado como um dos compositores em algumas publicações.

O acompanhamento musical foi feito pelos Funk Brothers, que tinha entre seus membros o baterista, e depois cantor e compositor de grande sucesso, Marvin Gaye. "Please, Mr. Postman" foi o primeiro sucesso número 1 da gravadora Tamla/Motown, que em pouco tempo tornou-se uma lenda da indústria musical ao produzir centenas de sucessos. A canção foi o primeiro single das Marvelettes e o único a alcançar o topo da parada de sucessos. Depois de algumas modificações, com a saída e entrada de integrantes, as Mavelettes desfizeram o grupo em 1969.
Vídeo com uma apresentação das Marvelettes em 1965, 
notem que nessa época eram apenas três as integrantes.


Oh yes, wait a minute Mister Postman
(Wait)
Wait Mister Postman
Please Mister Postman, look and see
(Oh yeah)
If there's a letter in your bag for me
(Please, Please Mister Postman)
Why's it takin' such a long time
(Oh yeah)
For me to hear from that boy of mine
There must be some word today
From my boyfriend so far away
Please Mister Postman, look and see
If there's a letter, a letter for me
I've been standin' here waitin' Mister Postman
So patiently
For just a card, or just a letter
Sayin' he's returnin' home to me
(Mister Postman)
Mister Postman, look and see
(Oh yeah)
If there's a letter in your bag for me
(Please, Please Mister Postman)
Why's it takin' such a long time
(Oh yeah)
For me to hear from that boy of mine
So many days you passed me by
See the tears standin' in my eyes
You didn't stop to make me feel better
By leavin' me a card or a letter
(Mister Postman)
Mister Postman, look and see
(Oh yeah)
If there's a letter in your bag for me
(Please, Please Mister Postman)
Why's it takin' such a long time
(Why don't you check it and see one more time for me, you gotta)
Wait a minute
Wait a minute
Wait a minute
Wait a minute
(Mister Postman)
Mister Postman, look and see

Beatles
Alterando o Eu lírico feminino para masculino, os Beatles incluiram "Please, Mr. Postman" como parte de seu repertório, em 1962, nas apresentações que faziam no Cavern Club, em Liverpool. Apesar de não ser mais tocada pela banda no ano seguinte, os Beatles resolveram gravá-la para seu segundo álbum With The Beatles. Produzida por George Martin, a canção exigiu algum trabalho no estúdio para trazê-la até um padrão sonoro aceitável, mesmo assim muitos criticaram a versão por ter uma "parede de som". Berry Gordy, dono da Motown, concordou em cobrar direitos autorais mais baixos para o uso dos Beatles pelas canções da sua gravadora, de olho no sucesso comercial que as mesmas teriam sendo gravadas pela maior banda de Rock And Roll do século.
Carpenters
"Please, Mr. Postman" voltou as paradas de sucesso, alcançando o topo da parada de sucessos americana e ficando na segunda posição na parada de sucessos britânica através da versão gravada pelos irmãos Carpenters. A versão deles, lançada em 1974, se assemelha a uma canção dos anos 1950 de Rock And Roll.
Clipe gravado em 1975 na Disneylandia

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Please Mr. Postman - I

Please Mr. Postman

Em outro post, eu havia dito que os Beatles haviam feito sucesso com versões de canções lançadas originalmente por grupos vocais femininos norte americanos. Vou aproveitar a deixa e publicar uma dessas versões, gravada pela banda em 1963. Depois eu escrevo sobre a canção.

Senhores e senhoras, com vocês... The Beatles!

Não encontrei vídeo dos Beatles tocando a música ao vivo. O mais perto que encontrei foi a apresentação deles na televisão, imagens acima, na qual fica claro que era um playback, e a imagem, como podem notar, esta bem deteriorada. Na falta de opções escolhi o vídeo acima. O endereço é: https://www.youtube.com/watch?v=EaXueMLN4dI

Wait, oh yes wait a minute mister postman
Wait, wait mister postman
Mister postman look and see
Is there a letter in your bag for me
I been waiting a long long time
Since I heard from that girl of mine
There must be some word today
From my girlfriend so far away
Please Mister postman look and see
If there's a letter, a letter for me
I been standing here waiting Mister postman
So patiently
For just a card or just a letter
Saying she's returning home to me
Mister postman look and see
Is there a letter in your bag for me
I been waiting a long long time
Since I heard from that girl of mine
So many days you passed me by
See the tear standing in my eye
You didn't stop to make me feel better
By leaving me a card or a letter
So Mister postman look and see
Is there a letter in your bag for me
I been waiting a long long time
Since I heard from that girlfriend of mine
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta check it and see, one more time for me
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta wait a minute, wait a minute
Deliver the letter, the sooner the better
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta wait a minute, wait a minute

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Do Wah Diddy Diddy - II

Do Wah Diddy Diddy

A canção "Do Wah Diddy Diddy" foi escrita pela dupla de renomados compositores Jeff Barry e Ellie Greenwich, que buscavam fazer sua própria versão de uma outra canção, que havia estourado na parada de sucessos no ano de 1963, chamada “Da Doo Ron Ron”. A primeira dificuldade da dupla foi encontrar uma frase “tola”, mas com sonoridade e que pudesse ser cantada com facilidade. Depois de buscar diferentes combinações, a ideia para o refrão veio a partir do título de uma canção, composta e gravada por Bo Diddley, chamada "Diddy Wah Diddy". Esta é a única relação entre as duas canções.

Originalmente o título da canção era apenas "Do Wah Diddy", e falava sobre a felicidade que uma garota sentia ao sair com seu namorado. Anos depois, em uma entrevista, Ellie Greenwich manisfestou indignação diante do boato de que o refrão fizesse alusão ao prazer sentindo por alguém durante o ato sexual.

Exciters
Produzida por Jerry Leiber e Mike Stoller, com arranjos de Artie Butler, a canção foi gravada pela primeira vez pelo grupo vocal Exciters, que havia feito sucesso naquele mesmo ano com a canção "Tell Him". Lançada em novembro de 1963, primeiro como single, e no mês seguinte em um EP, a canção ficou apenas na posição 78 da parada de sucessos americana, sendo (inicialmente) considerada um fracasso, tanto pelo grupo vocal, quanto pelos compositores.
There he was just walking
Down the street, singing
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
Popping his fingers
And shuffling his feet, singing
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
He looked good (yeah, yeah)
He looked fine (yes, he did)
He looked good, he looked fine
And I nearly lost my mind
Before I knew it he was
Walking next to me, singing
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
He took my hand just as
Natural as can be, singing
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
We walked on (yeah, yeah)
To my door (sure did)
We walked on to my door
Then he said a little more
(My, my, my, my)
My, my, I knew
We were falling in love
(My, my, my, my)
My, my, I told him all
The things I was dreaming of
Now we're together
Nearly every single day, singing
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
Yeah, yeah, yeah
And we're so happy and that's
How we're gonna stay, singing
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
Oh, yeah
Well, I'm his (yeah, yeah)
And he's mine (yes, he is)
Well, I'm his and he's mine
And the wedding bells will chime
Now we're together
Nearly every single day, singing
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
We're so happy and that's
How we're gonna stay, singing
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
Yeah, yeah, yeah
Well, I'm his (yeah, yeah)
He's mine (yes he is)
Well, I'm his, he's mine
And the wedding bells will chime
Singing
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
Baby, come on, yeah
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
Can't you see us
Walking down the aisle, yeah
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
We're gonna be so happy, yeah
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
Every day now
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
I'm gonna love him so much
(Do wah diddy diddy dum diddy do)
Yeah, yeah, cause he's mine...

Manfred Mann
Inspirados pelo exemplo dos Beatles, que obtiveram algum sucesso fazendo versões de canções gravadas originalmente por grupos vocais femininos americanos, os membros da banda britânica Manfred Mann interessaram-se pela canção e começaram a tocá-la em suas apresentações. Fazendo algumas alterações (como mudar o Eu Lírico de feminino para masculino), eles gravaram uma versão em 10 de junho de 1964 nos Estúdios Abbey Road, com produção de John Burgess. A canção foi lançada em um single, no dia 10 de julho, tendo o nome alterado com o acréscimo de mais um "Diddly" (para torná-lo "Do Wah Diddly Diddly"). O sucesso foi imediato e, no dia 13 de agosto de 1964, a canção alcançou o topo da parada de sucessos britânica, ficando lá por mais duas semanas, e vendendo mais de 650.000 singles. Nos Estados Unidos o sucesso demorou mais um pouco, mas em outubro do mesmo ano a canção alcançou o topo da parada de sucessos da Bill Board, ficando lá também por duas semanas.

Outras versões
O grupo vocal Reparata and the Delrons, para o LP Whenever A Teenager Cries, em 1965:

Andrew Gold, para o LP What's Wrong With This Picture, de 1976:


Hounds, em 1979:


Barry Palmer, em 1987:

sábado, 24 de maio de 2014

Don't Be Cruel - II

Don’t Be Cruel

Composição“Don’t Be Cruel” foi escrita em 1956 por Otis Blackwell, um compositor e cantor responsável pela criação de alguns dos maiores sucessos de Elvis Presley, como "Return to Sender", "All Shook Up" entre outros. Segundo o discotecário e historiador musical Ron Foster, na véspera do Natal de 1955, Blackwell estava na rua em frente ao Edifício Brill (endereço de muitos escritórios de compositores e agentes musicais), em Nova York. As coisas não estavam indo bem para ele - estava chovendo, havia furos nas solas de seus sapatos e ele passava frio. Seu amigo Leroy Kirkland passou e perguntou se Blackwell tinha novas composições. Ele disse que sim e, ao longo da semana, conseguiu vender 6 delas para uma editora por 25 dólares cada. Os agentes musicais no Edifício Brill gostaram tanto de seu trabalho que ofereceram-lhe um emprego como compositor em tempo integral, e Blackwell aceitou.

Algum tempo depois, ele recebeu uma proposta de uma estrela do Rock And Roll em ascenção. O acordo era dividir em meia a meio os direitos autorais da gravação entre o cantor e o compositor. Blackwell inicialmente recusou, afirmando que não abriria mão de metade do que era seu, mas seus amigos o convenceram de que metade de alguma coisa era melhor do que 100% de nada. Além disso, este novo cantor era o único capaz de fazer a música estourar na parada de sucessos, e se isso ocorresse, o lucro de Blackwell com metade de seus royalties seria tremendo. Blackwell por fim concordou. O cantor era Elvis Presley, mas não era ele que queria metade da dos royalties, e sim seu empresário, o Coronel Tom Parker.

Gravação
Presley gravou a canção em 2 de julho de 1956, durante uma exaustiva sessão de gravação nos estúdios da RCA em Nova York. Na mesma sessão ele também gravou "Hound Dog" e "Any You Want Me". A canção contou com banda normal de Elvis Presley de Scotty Moore na guitarra (com Presley geralmente fornecendo guitarra) , Bill Black no baixo, DJ Fontana na bateria e backing vocals dos Jordanaires . O crédito a produção foi dado a RCA Steve Sholes , embora as gravações de estúdio revelam que Presley produziu as canções nesta sessão, selecionando a canção, refazer o arranjo no piano, e insistindo em fazer 28 takes, antes de se dar por satisfeito. Ele também realizou 31 takes para "Hound Dog".


Lançamento
Um single foi lançado em 13 de julho de 1956 com “Don’t Be Cruel” no lado A e "Hound Dog" no lado B. É o único single na história a ter as duas músicas chegando a posição número 1 na parada de sucessos americana. Segundo Joel Whitburn, que escreve livros sobre a música americana, “Hound Dog” foi o primeiro título a ser listado como número 1. A lista dos “Mais Vendidos em Lojas” da Billboard listou a canção em primeiro lugar no dia 18/8/56 como sendo "Hound Dog/Don 't Be Cruel". A mesma forma como alcançou a posição número 1 da categoria “Mais tocadas em juke boxes” no dia 1/9/56. Não há dúvidas de que as vendas e audições iniciais foram para “Hound Dog”. Mas lista de “Músicas mais executadas por disc-jóqueis” indicam “Don’t Be Cruel” como sendo a número 1. Até o fim de 1956, o single vendeu mais de quatro milhões de cópias.

Presley cantou "Don’t Be Cruel” em suas três de suas aparições no programa “The Ed Sullivan Show”, realizadas entre setembro de 1956 e janeiro 1957. Apesar de lançado em single em 1956, somente em 1958 a canção foi lançada em um álbum, Elvis Golden Records.

Outras versões
Diversos cantores gravaram “Don’t Be Cruel”, a lista é enorme, então vou exibir as versões mais interessantes.
Connie Francis, gravação de 1959:


Barbara Lynn (1963). Obs: O vídeo original foi suprimido e tive que improvisar com este abaixo.


Jerry Lee Lewis gravou a música duas vezes. A versão abaixo é de 1963, e é, após a versão de Elvis Presley, a minha favorita: Não consigo anexar o vídeo, não sei explicar o motivo.

A versão abaixo foi gravada em 1972: Não consigo anexar o vídeo, não sei explicar o motivo.

A versão de Cheap Trick foi gravada em 1987 e lançada no álbum Lap of Luxury. Fez grande sucesso, alcançando a posição número 4 na parada americana.


Por fim, esta versão, da dupla de cantoras Country conhecidas como The Judds, que chegou a posição número 10 na parada americana em 1987.

domingo, 13 de abril de 2014

"Beatlelândia", Março De 1963

Havia lido esse artigo em março do ano passado, por conta dos cinquenta anos de gravação do primeiro Long Play do Beatles. Ele foi publicado no site do jornal espanhol El Mundo. Tive que fazer algumas adaptações na hora de traduzir do espanhol para o português. Espero que o resultado tenha ficado bom. O link está abaixo:

http://www.elmundo.es/elmundo/2013/03/19/cultura/1363682628.html

Beatlelândia, março de 1963

Por Julian Ruiz
Em uma sexta-feira como esta, sexta-feira 22 de março, faz exatamente 50 anos, a EMI, através de sua pequena gravadora Parlophone, lançou Please Please Me, o primeiro álbum de um grupo de Liverpool chamado The Beatles. A primeira edição apareceu apenas em mono.

Uma semana depois, a versão estéreo foi lançada. Não chegaram a prensar nem 5.000 cópias. Oito das 14 músicas contidas no álbum levavam a assinatura McCartney-Lennon. Ninguém se atrevia a tanto. Os iniciantes só gravavam versões de composições mais ou menos famosos, mas os Beatles disseram que suas composições eram poderosas.

Inicialmente, 'Sir' George Martin, o produtor e diretor musical, queria chamar o álbum de Off the Beatle Track. Até se atreveu a idéia grotesca para a capa. Nada mais e nada menos do que fotografar os quatro Beatles do lado de fora da Casa dos Insetos do Zoológico de Londres, lugar assíduo por Martin, uma vez que não estava longe de Abbey Road.

Felizmente, a capa foi resolvida com uma foto linda de Angus McBean, tirada do mezanino dos escritórios da EMI em Manchester Square (que não existem mais hoje em dia) e com os Beatles três andares acima, olhando para o chão apoiados no parapeito. Finalmente, se chamou o álbum de “Please Please Me”, porque Martin estava convencido de que este título tinha apelo comercial. O dia da apresentação do álbum, os Beatles estavam em turnê e tocaram no cinema Gaumont em Doncaster. No dia anterior tinha sido um dia infernal, já que gravaram para a BBC três de suas canções para o programa “On the Scene”. E pela primeira vez eles se sentiram como se já tivessem alcançado o sucesso. Mas quando? Como? Em que condições se gravou esse primeiro álbum uma carreira milagrosa.





Os Beatles já haviam lançado dois singles, “Love Me Do” e “Please Please Me”, com seus respectivos lados “B”, mas um long play de vinil, naqueles dias, deveria ter pelo menos 14 canções. Caso contrário, pareceria uma farsa. Pois bem, os Beatles tiveram que gravar 10 faixas em pouco mais de um dia. Foi na desagradável, fria e chuvosa segunda-feira, 11 de fevereiro de 1963. Não, não era habitual que os artistas tivessem que gravar em um só dia todo um long play, mas o ranheta “Sir” George Martin acreditou que poderiam fazê-lo para economizar alguns xelins. O produtor disse que a EMI tinha pago nada menos que 400 Libras Esterlinas pelo aluguel de 16 horas do Estúdio 2 de Abbey Road. A miséria sempre perseguiu Martin, que como diretor artístico do pequeníssimo selo Parlophone geria os orçamentos de seus artistas. Anos mais tarde, reconheceu que foi mesquinho e desprezível com os Beatles, tendo como tinha 55.000 libras de orçamento anual.



Os Beatles cobraram para o trabalho naquele dia 7 Libras e 10 xelins cada. O salário mínimo imposto pelo sindicato dos músicos. Outra miséria, já era mais do que notável que um grupo de músicos podudesse gravar 10 faixas válidas em apenas duas sessões. A primeira das 10h00 às 13h00. A segunda, das 14h30 às 17h00, que na prática terminou às 18h00 . Como o resultado não foi o suficiente, Martin exigiu que se fizesse uma terceira sessão das 19h30 até 22h45.

Os Beatles acabaram exaustos, histéricos, mas felizes porque tinham gravado 14 canções. Entre aquelas que não foram usadas no álbum, estava uma versão de “Besame Mucho”, que Paul cantava desde que se apaixonou por essa música e já havia sido exibida na “demo” para a gravadora Decca. A Decca rejeitou o talento Beatles. A piada corrente é que os Beatles viajaram em uma pequena van sem aquecimento. No domingo à noite haviam tocaram em Sunderland e parece que eles tinham de dormir no veículo. Quando chegaram às 09:30 no estúdio 2 da Abbey Road Studio, Paul Mc Cartney estava com muito frio e resfriado. O estado de John Lennon era ainda pior, com febre e congestão.

O pior foi que os Beatles deixaram para o final das sessões, justamente a música mais difícil de cantar, quando eles tinham suas gargantes destruídas. A gravação difícil era uma versão de “Twist And Shout”, uma canção que Phil Spector tinha produzido para os Top Notes dois anos antes. Os Beatles tomaram como referência a versão que os Isley Brothers tinham feito pouco depois do original.

Um John Lennon em estado febril, “cheio de pastilhas” para a garganta, chá, leite e algo mais forte, cantou duas vezes “Twist And Shout” direto. Paul sempre dizia que ele não sabia de onde John obtido forças para cantar. Tentou-se uma terceira tomada de gravação, mas John não conseguia mais. Era quase 23:00 h, e haviam cantado durante todo o dia. A versão no long play foi a primeira tomada. Ouve-se um John com uma voz aguda e rouca de roqueiro negro, talvez por seu estado febril.

Todas as músicas foram gravadas através de uma mesa de apenas quatro canais, projetada pelos mesmos engenheiros da EMI. Mas a fita, uma Série 3 de um British Tape Recorder, só admitia a gravação de dois canais. A Abbey Road usava essas fitas de duas faixas desde que foram testados durante a Segunda Guerra Mundial.

Parece que os Beatles nem sequer dormiram em Londres. Era muito caro e preferiram jantar e voltar para a estrada, porque no dia seguinte tinham duas apresentações. Uma na Arena Ballroom, em Sheffield e mais tarde no Salão Astoria, em Oldham, estivesse como estivesse a febre de John Lennon.

É impossível descrever o frescor, a beleza, o mistério divino deste primeiro álbum dos Beatles há 50 anos. Era como se os deuses se juntassem no mesmo dia para dar o primeiro sopro mágico no grupo mais impressionante em toda a história da música.