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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Baby It's You - II

Baby It‘s You

"Baby It‘s You" foi escrita por Burt Bacharach (música), Luther Dixon (usando o pseudônimo de Barney Williams) e Mack David (letra). A canção foi originalmente produzida por Luther Dixon para o grupo vocal feminino Shirelles. Quando lançada como single em 1961, a música tornou-se rapidamente popular, chegando à oitava posição da para de sucessos da Billboard.

Mais tarde "Baby It’s You" foi lançada em um álbum com o mesmo nome. Os arranjos vocais criados para esta primeira versão provaram-se influentes e acabaram sendo reproduzidas na maioria das versões subsequentes, inclusive aquela lançada pelos Beatles.

Beatles
Os Beatles vinham tocando "Baby It’s You" em suas apresentações de 1961 até 1963, por influência de John Lennon, que era fã das Shirelles. Em 11 de fevereiro de 1963, os Beatles gravaram a canção para seu primeiro álbum, Please Please Me, juntamente com "Boys", outra canção lançada pelas Shirelles. A versão dos Beatles difere das Shirelles pela repetição do segundo verso em vez do primeiro. Então, se as Shirelles concluiam a canção "sentado em casa e chorando", a versão dos Beatles é mais otimista, com John Lennon cantando que ele vai continuar a amar, não importa o quê.

O single da versão dos Beatles alcançou o sétimo lugar na parada sucessos do Reino Unido e a posição 67 da Billboard Hot 100, nos Estados Unidos.


Sha la la la la la la la/Sha la la la la la la la
Sha la la la la la la la/Sha la la la la
It's not the way you smile that touched my heart. (sha la la la la)
It's not the way you kiss that tears me apart.
Uh, oh, many, many, many nights go by,
I sit alone at home and I cry over you.
What can I do.
Can't help myself, 'cause baby, it's you.
(sha la la la la la la)
Baby, it's you.
Sha la la la la la la la/Sha la la la la la la la
You should hear what they say about you, "cheat," "cheat."
They say, they say you never never never ever been true. (cheat cheat)
Uh oh,
It doesn't matter what they say,
I know I'm gonna love you any old way.
What can I do, and it's true.
Don't want nobody, nobody, 'cause baby, it's you. (sha la la la la la la)
Baby, it's you. (sha la la la la la la)
Uh oh,
It doesn't matter what they say,
I know I'm gonna love you any old way.
What can I do, when it's true.
Don't want nobody, nobody, 'cause baby, it's you. (sha la la la la la la)
Baby, it's you. (sha la la la la la la)
Don't leave me all alone...

Smith
A versão de "Baby It’s You" feita pela banda Smith, liderada por Gayle McCormick, foi lançada em seu álbum de estréia, A Group Called Smith, em 1969. Produzida por Del Shannon, esta versão altera o arranjo vocal tradicional interpretada por as Shirelles e os Beatles em favor de um vocal mais próximo ao Soul. A canção alcançou a quinta posição da Billboard Hot 100. A versão do Smith foi utilizada por Quentin Tarantino na trilha sonora do filme Death Proof.

Covers e outras versões
Os Carpenters gravaram uma versão de "Baby It’s You", em 1970, para o seu álbum Close to You.

Sylvie Vartan, cantora francesa, em 1962

Masqueraders, em 1975

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Please Mr. Postman - II

Please Mr. Postman

Origens
Em meados de 1960, cinco moças da escola secundária Inkster, localizada no subúrbio de Detroit se reuniram para formar um grupo vocal. Elas eram Gladys Horton, Katherine Andreson, Georgeanna Tillman, Juanita Cowart e Georgina Dobbins. Em abril de 1961, o quinteto, agora chamado as Marvels, conseguiu uma audição para o selo fonográfico Tamla (que depois mudaria de nome para Motown) de propriedade do produtor Berry Gordy.

Precisando de uma canção original para sua audição, Georgia Dobbins procurou o compositor William Garret, seu amigo. Este tinha uma canção de Blues, que não se encaixava perfeitamente ao estilo musical das Marvels. Então Dobbins reescreveu completamente a canção, mantendo apenas o título. Depois da audição, e antes que as Marvels gravassem, Dobbins deixou o grupo para cuidar de sua mãe.
Gladys Horton, Katherine Andreson, Georgeanna Tillman, Juanita Cowart

Berry Gordy renomeou o grupo para as Marvelettes e contratou os compositores Brian Holland e Robert Bateman (conhecidos no meio musical pela alcunha "Brianbert") para-retrabalhar a música mais uma vez. Segundo algumas fontes, Holland teria sido o responsável por convidar um carteiro chamado Freddie Gorman, para ajudar na reformulação final da canção. Por conta da participação de tantos compositores, os créditos de "Please, Mr. Postman" são um tanto obscuros. No single lançado pelas Marvelettes em 1961, pela Tamla, os compositores são "Dobbins / Garett / Brianbert" e o produtor é a dupla "Brianbert". Nas listas de direitos autorais aparecem Georgia Dobbins, Brian Holland, Robert Bateman e Freddie Gorman, mas as agências de direitos autorais (aqueles que pagam o direitos autorais), listam apenas Holland, Bateman e Gorman. William Garrett é listado como um dos compositores em algumas publicações.

O acompanhamento musical foi feito pelos Funk Brothers, que tinha entre seus membros o baterista, e depois cantor e compositor de grande sucesso, Marvin Gaye. "Please, Mr. Postman" foi o primeiro sucesso número 1 da gravadora Tamla/Motown, que em pouco tempo tornou-se uma lenda da indústria musical ao produzir centenas de sucessos. A canção foi o primeiro single das Marvelettes e o único a alcançar o topo da parada de sucessos. Depois de algumas modificações, com a saída e entrada de integrantes, as Mavelettes desfizeram o grupo em 1969.
Vídeo com uma apresentação das Marvelettes em 1965, 
notem que nessa época eram apenas três as integrantes.


Oh yes, wait a minute Mister Postman
(Wait)
Wait Mister Postman
Please Mister Postman, look and see
(Oh yeah)
If there's a letter in your bag for me
(Please, Please Mister Postman)
Why's it takin' such a long time
(Oh yeah)
For me to hear from that boy of mine
There must be some word today
From my boyfriend so far away
Please Mister Postman, look and see
If there's a letter, a letter for me
I've been standin' here waitin' Mister Postman
So patiently
For just a card, or just a letter
Sayin' he's returnin' home to me
(Mister Postman)
Mister Postman, look and see
(Oh yeah)
If there's a letter in your bag for me
(Please, Please Mister Postman)
Why's it takin' such a long time
(Oh yeah)
For me to hear from that boy of mine
So many days you passed me by
See the tears standin' in my eyes
You didn't stop to make me feel better
By leavin' me a card or a letter
(Mister Postman)
Mister Postman, look and see
(Oh yeah)
If there's a letter in your bag for me
(Please, Please Mister Postman)
Why's it takin' such a long time
(Why don't you check it and see one more time for me, you gotta)
Wait a minute
Wait a minute
Wait a minute
Wait a minute
(Mister Postman)
Mister Postman, look and see

Beatles
Alterando o Eu lírico feminino para masculino, os Beatles incluiram "Please, Mr. Postman" como parte de seu repertório, em 1962, nas apresentações que faziam no Cavern Club, em Liverpool. Apesar de não ser mais tocada pela banda no ano seguinte, os Beatles resolveram gravá-la para seu segundo álbum With The Beatles. Produzida por George Martin, a canção exigiu algum trabalho no estúdio para trazê-la até um padrão sonoro aceitável, mesmo assim muitos criticaram a versão por ter uma "parede de som". Berry Gordy, dono da Motown, concordou em cobrar direitos autorais mais baixos para o uso dos Beatles pelas canções da sua gravadora, de olho no sucesso comercial que as mesmas teriam sendo gravadas pela maior banda de Rock And Roll do século.
Carpenters
"Please, Mr. Postman" voltou as paradas de sucesso, alcançando o topo da parada de sucessos americana e ficando na segunda posição na parada de sucessos britânica através da versão gravada pelos irmãos Carpenters. A versão deles, lançada em 1974, se assemelha a uma canção dos anos 1950 de Rock And Roll.
Clipe gravado em 1975 na Disneylandia

sábado, 10 de maio de 2014

What'd I Say - II

What'd I Say

Todas as músicas tem uma história, mas algumas delas, seja pela importância, ou pelo interesse dos admiradores em contá-las, têm histórias mais ricas em detalhes, como é o caso de “What’d I Say”. Como vocês lerão abaixo, essa canção, escrita por Ray Charles, nasceu de um improviso em uma apresentação. Para que o texto não fique mais longo (do que ficou) irei resumir a história.

Origem
Segundo o relato do próprio Ray Charles, em dezembro de 1958, ele e sua banda de apoio já haviam tocado todo o repertório do cantor em um clube noturno, mas ainda faltavam doze minutos até o fim da apresentação. Ray Charles não costumava apresentar músicas não ensaiadas, mas nessa noite abriu uma exceção. Ele virou-se para a banda e disse que iria improvisar sem saber como terminar a música, portanto todos deviam seguir a melodia e o ritmo com que ele tocava. Para as vocalistas (The Raeletts) pediu que repetissem o que ele cantasse.

Então, o cantor passou a cantar tudo o que passava pela cabeça. Começou a canção como se fosse uma música religiosa (Gospel), mas com um ritmo meio latino (Rumba). Logo, ele combinou o ritmo do Blues com os vocais do Gospel. O sucesso foi instantâneo. Terminada a apresentação, o público aproximou-se do cantor perguntar qual o título da canção, pois queriam comprar o disco. Nas apresentações seguintes, Ray Charles voltou a executar a canção, sempre com grande sucesso. Diante do retornou favorável, Ray Charles gravou a "What'd I Say" tão logo pode.

Uma pequena controvérsia sobre a origem da canção: Segundo algumas fontes, o clube noturno ficava em Milwaukee, mas, outras fontes dizem que o evento deu-se em um clube na cidade de Brownsville, Pensilvânia.


Gravação
O estúdio da Atlantic Records tinha acabado de comprar um gravador com 8 fitas e o engenheiro de som responsável pelo equipamento, Tom Dowd, ainda estava aprendendo a usá-lo. Em fevereiro de 1959, Charles e sua banda gravaram “What’d I Say” no estúdio de pequenas dimensões. Sobre a gravação, Dowd contou que transcorreu de forma corriqueira, sem nenhum fato que indicasse que aquela seria uma música especial.

O trabalho de estúdio não durou muito, apenas dois ensaios antes de gravar, pois a banda já tinha aperfeiçoado o acompanhamento musical durante a turnê. Mas nem por isso faltaram problemas. O primeiro dizia respeito a duração da gravação, que durou quase sete minutos. Na época, as rádios tocavam apenas músicas de pouco mais de dois minutos, logo, era necessário fazer uma versão mais curta. O segundo problema era a letra. Apesar de não ser obscena, ela claramente fazia uma alusão a um encontro amoroso. Como definiu, certa vez, um crítico musical, “What’d I Say” começava na igreja e terminava no quarto. Para não ter problemas judiciais e não provocar a repulsa das rádios e público, a gravadora fez três versões, removeu alguns versos de duplo sentido e lançou um single com duas partes de cerca de três minutos cada. O disco, por fim, foi lançado em julho de 1959.

Apesar de ter uma recepção crítica morna, a gravadora começou a receber telefonemas de protesto. Estações de rádio e lojas de disco se recusavam a tocar a música por considerá-la obscena. Mesmo assim “What’d I Say” fez grande sucesso, chegando a posição numero 6 da parada de sucessos americana, o que rendeu um disco de ouro para Ray Charles.

Algumas rádios (cuja audiência era majoritariamente branca) recusaram-se a tocar a canção por considerar imoral o uso do Gospel (um ritmo religioso, tradicionalmente negro) para fazer menção a um encontro amoroso. Enquanto que outras rádios (cujo público era majoritariamente negro) além de achar imoral a canção, também consideravam um sacrilégio fazer uso do Gospel para fazer sucesso junto ao público branco.

A canção dividiu o público entre aqueles que mudavam a estação de radio, tão logo ela começava, e aqueles que, mesmo sabendo do teor sexual, aumentavam o som do rádio para cantar. Sobre a polêmica, Ray Charles reconheceu que a batida era cativante, mas boa parte do publico foi a traída pelo alusivo verso: “See the woman with the diamond ring” (“Olhe para a garota com anel de diamante”), “She knows how to shake that thing” (“Ela sabe como balançar/agitar aquilo”).

Outras versões
“What’d I Say” foi regravada por diversos artistas de estilos diferentes. Se nos Estados Unidos a música foi recebida inicialmente com ressalvas, na Europa tornou-se um sucesso imediato, e o impacto na cena musical foi mais evidente. A lista de artistas que tocaram a música em seus shows, ou gravaram é enorme: Cliff Richard, Eric Clapton, John Mayal and The Bluesbreakers, The Big Three, Eddie Cochan, Bobby Darin, Nancy Sinatra, Sammy David Jr, etc. Citarei abaixo algumas das versões mais famosas ou representativas.

Etta James:

The Beatles: Paul McCartney ficou impressionado quando ouviu a canção pela primeira vez, ao ponto de se convencer que queria ser realmente músico. George Harrison, contou que ouviu pela primeira vez “What’d I Say” em uma festa, que tocou a canção por 7 horas seguidas. Durante sua permanência em Hamburgo, os Beatles tocavam a música em todas as apresentações, afim de testar a receptividade junto ao publico. John Lennon, impressionou-se com a sonoridade poderosa do piano, e tentou reproduzi-lo com a guitarra. Ele defendia a tese que o uso de riffs de guitarra em diversas músicas de Rock And Roll, se devia a forma como Ray Charles usava o piano.


Jerry Lee Lewis fez uma versão que ficou 8 semanas nas paradas de sucesso, chegando a posição número 30. Por sinal essa é a minha versão favorita:

Elvis Presley, usou a canção em uma cena bem insinuante (explicitamente insinuante) de dança em seu filme "Viva Las Vegas", de 1964, e também lançou um single, com essa canção no lado B:

Roy Orbison:

Johnny Cash, imprimiu seu estilo na versão que gravou ao lado de June Carter, parece que a música é de 1967:

Algumas informações
Ray Charles notou que muitas estações de rádio, que até então nunca tinha tocado suas canções, começaram a exibi-las após diversos artistas brancos gravarem versões de "What'd I Say", e outras canções dele.

Alguns historiadores da música norte americana consideram Ray Charles como o criador do Soul, um subgênero do Rhytm And Blues, a partir da criação de canções como “I Got A Woman”, a primeira a combinar alguns elementos do Gospel e do Blues, e “What’d I Say”, a primeira a ter a fusão perfeita dos dois estilos musicais.

Ainda que a canção seja intitulada “What’d I Say”, Charles sempre insistia que o nome correto da canção seria “What I Say” como, aliás, ele pronuncia.