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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

De "Abracadabra" A "Revolver", A Gênese De Um Álbum Dos Beatles

Li essa matéria no site do estadão alguns dias atrás, mas somente hoje encontrei-o novamente. Uma nota interessante, é que os Beatles tinham péssimas ideias iniciais para nomear seus álbuns. Abbey Road quase se chamou "Everest". Please Please Me quase se chamou "Off The Beatle Track" (para saber mais leia esse post antigo: http://naomedeixesermalinterpretado.blogspot.com.br/2014/04/beatlelandia-marco-de-1963.html. Felizmente a banda não deu esses nomes ridículos para seus álbuns... O link para o site do estadão é: http://cultura.estadao.com.br/blogs/sonoridades/de-abracadabra-a-revolvera-genese-de-um-album-dos-beatles/

De ‘Abracadabra’ a ‘Revolver’,a gênese de um álbum dos Beatles.

Carlos de Oliveira
08 setembro 2015 | 17:12

Rubber Soul levou os Beatles a Revolver, o álbum que decretou a maioridade musical da banda inglesa. É o disco das surpresas melódicas e da maturidade nas letras. Foi lançado há 49 anos, no dia 5 de agosto de 1966. Por pouco ele não se chamou "Abracadabra", com uma capa bem diferente. Coube ao alemão Klaus Voormann dar a aparência final do álbum.

O que seria do rock sem suas lendas, algumas delas bem verdadeiras? Muito provavelmente, ele perderia um pouco de seu magnetismo, de seu encanto. Por falar de encanto, essa palavra remete a um dos mais importantes álbuns dos Beatles, aquele em que eles deram o salto rumo à maturidade musical. Revolver nada teve a ver com a arma. Foi, sim, uma palavra para definir o movimento de rotação, nesse caso específico, a rotação de um disco na vitrola. Estávamos em 1966 e as vitrolas estavam em alta.
A capa de Abracadabra, rejeitada pelos Beatles. Em seu lugar surgiria Revolver, com capa desenhada pelo alemão Klaus Voormann.

Mas e a lenda? Vamos a ela: faltou pouco para Revolver nem existir. O sétimo álbum da banda quase se chamou Abracadabra. O nome, ligado de alguma forma à magia, ao encantamento, até que não estava muito fora da proposta de renovação, de surpresa, perseguida pela banda desde Rubber Soul.

Espiral – Mas era um título meio infantil, meio insosso, e foi recusado. Com o nome foi-se também a capa idealizada pelo brilhante fotógrafo Robert Freeman: uma colagem em espiral, feita com fotos repetidas do rosto de cada beatle.
A capa de Rubber Soul, que antecedeu Revolver: foto de Robert Freeman.

Freeman era velho conhecido dos Beatles, autor das fotos de outras capas como With the Beatles, Beatles for Sale, Help e Rubber Soul, além de uma série de outras fotos da banda.

Consumada a recusa de Abracadabra, John Lennon lembrou-se de Klaus Voormann, artista plástico e músico alemão, amigo dos Beatles dos tempos em que a banda tocava em inferninhos de Hamburgo, Alemanha, no início dos anos 60.

Existencialistas – Voormann era namorado da fotógrafa Astrid Kirshherr, autora das várias fotos que documentam a passagem dos ainda adolescentes beatles por Hamburgo. Ambos integravam um grupo de artistas orientados pelo existencialismo, os chamados Exis. Rompido o namoro com Klaus, Astrid uniu-se a Stuart Sutcliffe, na época baixista dos Beatles, que morreria pouco tempo depois, em 1962, de um derrame cerebral.
Os esboços de Klaus Voormann para a capa de Revolver: 40 libras de pagamento e um Grammy em 1966.
Klaus Voormann em 1966 e a versão final da capa de Revolver.
A foto que serviu de contracapa do álbum Revolver.

40 libras – A capa do novo disco foi produzida em poucos dias. Voormann fez cinco esboços e o escolhido encaixou-se perfeitamente com a proposta do álbum: ele teria de refletir algo novo, um certo sabor de vanguarda.

Aquele 1966 estava sendo um ano de descobertas, entre elas os tais estados alterados de percepção. Os Beatles haviam entrado na sua fase lisérgica. Terminado o trabalho (uma colagem mesclando fotos e desenhos), Voormann recebeu 40 libras e o Grammy de Melhor Capa de 1966.

Algumas palavras mais sobre Voormann. Além de artista plástico, o amigo alemão dos Beatles também era baixista. Tocou com a banda de Manfred Mann, com George Harrison no álbum All Things Must Pass, com Ringo Starr e com John Lennon, na fase pós-Beatles.

De volta a Revolver. Se era novidade o que os Beatles queriam, ela surgiu logo na primeira faixa do novo álbum. Pela primeira vez na história da banda, uma composição de George Harrison abria o disco.

Algumas faixas"Taxman" foi uma música de protesto. Não a tradicional canção contra a guerra do Vietnam, muito em moda na época, mas contra a absurda carga de impostos que caía em cascata sobre ganhos financeiros numa Inglaterra administrada pelo então primeiro-ministro trabalhista Herold Wilson.

Em 1980, Lennon, em entrevista à Playboy, disse que George chegou a pedir-lhe ajuda com a música. Meio de má vontade (“sempre fomos Lennon e McCartney”), John sugeriu o backing vocal que, além de Herold Wilson, cita Edward Heath, líder conservador. Embora, pelo menos oficialmente, Harrison fosse o guitarrista solista da banda, foi McCartney que fez o antológico solo da música. Taxman continua atual. Nos Estados Unidos, ela é tocada nas rádios e nos noticiários de TV todo dia 15 de abril, data em que as declarações de renda devem ser entregues ao fisco americano.

Eleanor – Quatro violinos, duas violas e dois cellos pontearam a lúgubre "Eleanor Rigby" – esposa de um certo Thomas Wood, que morreu em 10 de outubro de 1939, aos 44 anos, enquanto dormia. É o que diz a lápide de granito perdida entre tantas outras no Woolton Cemetery, ao sul de Liverpool.  Ainda hoje, ouvidos musicais mais privilegiados (ou delirantes) garantem identificar algum sotaque de Bachianas Brasileiras, de Heitor Villa-Lobos, no fraseado de cordas que acompanha a desafortunada Eleanor até seu túmulo.

Dó maior – Em Revolver, os Beatles conseguiram acomodar uma melodiosa "Here, There and Everywhere" com a desconstrutivista, dadaísta até, "Tomorrow Never Knows", perturbadora obra proposta por John Lennon, cuja harmonia é um único acorde de dó maior.

Motow – Em "Got to Get You Into My Life", a voz forte de Paul foi buscar cumplicidade nos jazzistas britânicos, que comparaceram com três trompetistas (Eddy Thorton, Ian Hamer e Les Conlon) e dois saxofonistas (Alan Branscombe e Pete Coe), que atacaram a faixa com a energia dos gênios negros da norte-americana Motow.

Os Beatles e Revolver devem muito a Geoff Emerick, engenheiro de som da EMI que trabalhava com o produtor e ‘quinto beatle’ George Martin.  A Emerick e a suas subversões são creditadas a riqueza de timbres que emana do álbum. A EMI era uma empresa ortodoxa. Cheia de regras técnicas, não permitia a utilização de microfones junto aos instrumentos e amplificadores. Alegava que os sensíveis equipamentos seriam danificados.
John, Paul, Ringo e George em estúdio, durante as gravações de Revolver, em 1966.

Novo som – Inconformado com tais regras, Emerick aproximou os microfones dos amplificadores, violões, violinos, metais e, principalmente, da bateria. O resultado foi demolidor. O som dos Beatles mudou radicalmente. Para melhor. A EMI detestou e vetou a manobra. Os Beatles adoraram e desafiaram o status quo. Numa reunião tensa com a direção da gravadora, o ultimato: “De agora em diante, esse é o nosso som. Ou será assim ou não será de jeito nenhum”, disse um resoluto Paul McCartney, em nome do grupo.

Como seria mais fácil comprar microfones novos do que descobrir outra mina de ouro como os Beatles, a EMI cedeu. Revolver tornava-se um dos mais espetaculares disco da banda. Hoje, 49 anos depois, ele continua novo, à frente do tempo, surpreendente a cada nota, a cada verso. A um passo de se tornar eterno. Por falar em eterno, vale lembrar que depois de Revolver veio Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

E novas lendas estavam a caminho.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Quando Michael Jackson Passou Para Trás Paul McCartney

Li esse artigo no site do jornal venezuelano Tal Cual. Por se tratar de um pedaço da história dos Beatles, decidi reproduzir em meu blog. Achei estranha a pontuação usada pelo autor, mas mantive ela como estava. O endereço é http://www.talcualdigital.com/Nota/118620/Cuando-Michael-Jackson-Estafo-A-Paul-Mccartney

Quando Michael Jackson passou para trás Paul McCartney

Quando Jackson explicou aos seus contadores o negócio, disseram a Jackson que era melhor se ele comprasse ATV e não dividisse com ninguém assim que fechasse o negócio e "passou para trás" o amigo que aconselhou-o como investir o seu dinheiro


Por Carlos M. Montenegro
É uma verdade indiscutível que os Beatles foram a banda de rock e pop de maior sucesso de todos os tempos desde a sua formação definitiva, em 1962, Ringo, George, Paul e John, revolucionaram a indústria musical com o seu humor pessoal e atitude em relação à música, abrindo as portas do Rock & Roll para toda uma onda de bandas de rock britânicas e depois mundialmente. Seu impacto inicial foi suficiente para estabelecer os Beatles como uma das forças culturais mais influentes do século XX, mas não se detiveram por aí.

Embora seu estilo inicial fosse muito original com músicas irresistivelmente cativantes, os Beatles passaram os anos 1960 expandindo fronteiras estilísticas do rock, sempre apostando em novas formas musicais em uma variedade de gêneros, incluindo folk-rock, country, pop, psicodelia , sinfônica e barroca, sem sacrificar a energia de seus primeiros trabalhos.

A popularidade adquirida desde suas primeiras gravações deixaram estabelecidas no imaginário popular que os Beatles são lendários, e enquanto permaneceram unidos tudo fluiu facilmente devido, talvez, a sua bem promovida imagem em filmes, publicações escritas e, acima de tudo, o estrondoso sucesso de suas canções.

Depois da grande explosão do Rock & Roll, em 1956, que revolucionou o mundo com Elvis Presley como ícone indiscutível, os Beatles protagonizaram uma segunda revolução, que conseguiu ofuscar o "rei", algo inimaginável até então. Depois de mais de meio século, o grupo de Liverpool continua vigente e até para os jovens que não tinham nascido até então, hoje sabem que o quarteto musical é o mais importante transcendendo os modismos.

Mas nem tudo foi fácil na carreira da banda, o sucesso não caiu do céu como maná bíblico. Poucos artistas trabalharam tão duro; além das intermináveis noites no início da carreira, em Liverpool ou em Hamburgo, onde tocavam onde fossem aceitos, desde 1962 quando lançaram seu primeiro single, "Love Me Do", tocaram quase 1.400 vezes ao vivo, em turnê com outros artistas ou apenas eles, recorde não batido por ninguém, e tudo em menos de cinco anos, pois os Beatles deram o seu último concerto ao vivo em 29 de agosto de 1966, em Candlestick Park, em San Francisco* para dedicar-se a escrever e gravar apenas disco que são história hoje.


A tudo isto deve ser adicionado milhares de horas de ensaios, o tempo de filmagem ou produção de seus cinco filmes: A Hard Day’s Night (1964), Help! (1965) Magical Mystery Tour (1967) Yellow Submarine (1968) e Let It Be (1970) e especialmente as maratônicas sessões no Estúdios Abbey Road com o produtor George Martin, com quem gravaram mais de 250 canções em apenas oito anos, a maioria composta pelos prolíficos Lennon e McCartney.

Os Beatles logo se tornou máquinas de fazer dinheiro, compartilhado de várias formas com vários agentes e empresários por todo o globo.

Seu agente pessoal era Brian Epstein, que supostamente os conheceu em novembro de 1961 quando tocavam em um pub no porão do número 10 da Rua Mathew em Liverpool: O Cavern Club. Epstein ficou entusiasmado com o grupo e conseguiu ser o seu representante, até sua morte prematura em 1967.

Epstein foi o criador da imagem formal dos Beatles, domado sua atitude agressiva, proibiu-os de fumar e comer no palco, ele dispensou as roupas de couro, o jeito "Teddy Boy", substituindo-o por um traje mais formal, com gravata, ao estilo "Mod" da classe média Inglesa; Ele criou o penteado com franja que se tornou moda universal e até lhes disse que depois de cada canção agradecessem os aplausos curvando-se elegantemente. Sua contribuição para a promoção e sucesso do grupo foi definitiva. Ele foi chamado de "o quinto Beatle".

No entanto era clara sua inexperiência no "show business", chegava à incompetência, em matéria de administração e finanças. O grupo gerou fortunas em suas turnês, a venda de discos, música impressa (partituras), "de merchandising" e, acima de tudo, como autores e compositores, como detentores de reprodução fonográfica, uso de imagem (cinema, publicidade, etc.) e direitos autorais.

Os números relativos aos três últimos itens, gerados principalmente pelas obras de Lennon e McCartney eram simplesmente formidáveis, considerando que os direitos são válidos por 70 anos após a morte do autor, sem ignorar os direitos gerados por suas canções executadas por outros artistas ou orquestras**.

A gestão de Epstein nesses casos foi simplesmente desastrosa. Após sua morte, os Beatles ficaram desorientados por ter confiado cegamente seu agente que foi sempre honesto. O grupo contratou um gerente, Allen Klein que ao verificar o estado de seus negócios, descobriu que nem mesmo controlavam os direitos de suas obras, seu principal patrimônio.

Em 1963, Epstein tinha decidido contar com um editor para administrar os números fabulosos gerados pelas obras do primeiro álbum Please Please Me. Já em 1962, a publicação das canções "Love Me Do" e "Please Please Me", indicavam o que estava por vir e George Martin sugeriu para Epstein, para proteger os direitos, para falar com um certo Dick James, que acabou por se revelar um velho músico aposentado sugador do sangue de compositores que vivem sob sua pequena editora Dick James Music (DJM). James percebeu que isso seria muito grande e sugeriu a Epstein criar uma publicação exclusivamente para proteger a obra dos Beatles.

Assim nasceu a Northern Songs que adquiria todas as canções compostas pelos Beatles desde a assinatura do contrato; Dick James administrar o catálogo através de sua editora que ficava com 50% dos lucros quando é habitual era apenas 10%.

Lennon e McCartney tinham uns 30%, Brain Esptein 10% e os outros 10% eram divididos entre George Harrison e Ringo Starr (1,7% cada) o restante (4,6%) outros parceiros de James, que controlava a Northern Songs . Relações com os Beatles estavam se deteriorando e James habilmente aproveitou que Paul e John estavam em lua de mel com suas esposas e vendeu a Northern Song para Lew Grade em vários proprietário ATV por 3,5 milhões de libras.



Em seu retorno Lennon e McCartney, enfurecidos, tentaram comprar a Northern Songs de Grade, mas ele se nagava a vender a não ser que comprassem a toda a ATV, que possui e obras de The Beatles, por 35 milhões de libras. Negociações fracassaram pois eles não tinham esse dinheiro e de novo não tinham mais controle sobre suas obras.

Anos depois da morte de Epstein e da dissolução dos Beatles, Paul McCartney e Michael Jackson gravaram várias canções em dueto como "Say Say Say" e "The Girl Is Mine". Em fevereiro de 1983, Paul recebeu em sua casa de campo Michael para filmar o videoclipe deste último.

Paul, aconselhou seu jovem amigo que investisse seus lucros em royalties, seus próprios e de outros compositores criando uma editora própria, e que poderia adquirir a ATV de Lew Grade, que já havia negado vender ou associar-se a eles - Paul e John – controlando a Northern Songs com todas as obras de Lennon-McCartney. Quando Jackson explicou aos seus contadores o negócio, disseram a Jackson que o melhor era comprar a ATV e não dividí-la com ninguém assim que fechasse o negócio e "passou para trás" o amigo que lhe aconselhou como investir o seu dinheiro.

Mas não termina aí, quando Jackson entrou em dificuldades financeiras por conta de seus casos judiciais e seus custoso estilo de vida. Tinha dívidas que não podiam pagar e decidiu vender ATV. Ele poderia ter oferecido a Paul, mas ele preferiu fechar o negócio com a editora da Sony, sua gravadora a quem devia uma fortuna em adiantamentos. A Sony tomou o negócio como uma forma de cancelar a dívida Jackson.

Assim se consumou a traição a Paul McCartney, que foi mais uma vez incapaz de acessar o controle das obras dos Beatles.

domingo, 13 de setembro de 2015

You’ve Got To Hide Your Love Away - II

You’ve Got To Hide Your Love Away

Em 1971, John Lennon contou durante uma entrevista à revista Rolling Stone que ele escreveu "You’ve Got To Hide Your Love Away" apenas com a intenção de fazer uma bela canção pop, sem expressar suas próprias emoções pessoais. Ele explicou: "Eu estava em Kenwood (a casa dele na época) e estava apenas compondo... e assim todos os dias eu tentava escrever uma música... uma daquelas que você canta um pouco triste para si mesmo”.

Era um período que Lennon estava trabalhando nas canções para o filme Help! Em seguida, Lennon disse que ouvir as canções de Bob Dylan estava começando a influenciar suas composições na época em que compôs “You’ve Got To Hide Your Love Away”. "Eu comecei a pensar sobre minhas próprias emoções. Eu não sei exatamente quando comecei (a compor canções) como "I’m A Looser" ou "You’ve Got To Hide Your Love Away” ou outras do tipo.

A faixa com a guitarra básica foi gravada em primeiro lugar, imitando o jeito peculiar de Bob Dylan, com um certo apelo "folk". Depois foi gravada a guitarra de George Harrison e um pouco de percussão, com pandeiro e maraca, no segundo canal. John Scott gravou uma flauta tenor nos espaços em faixa vocal de Lennon e uma parte adicional de flauta alta, uma oitava mais alta do que a primeira, no último canal disponível da máquina de quatro canais.

No documentário The Beatles Anthology, uma versão diferente da canção é tocada enquanto se fala na morte do empresário da banda, Brian Epstein. Os biógrafos da banda e de Epstein dão com ser que ele era homossexual. Isso fez surgir uma lenda segundo a qual "You’ve Got To Hide Your Love Away" trataria sobre a dificuldade de um homossexual de assumir seu relacionamento. Mas basta um simples lida na letra para ver que Lennon está cantando para sua amada, e não amado.

Uma curiosidade: Na linha onde se lê "Feelin’ two-foot small" "sentindo dois pés menor" foi escrito orignalmente como "Feelin’two-foot tal" "sentindo (com) dois pés de altura." Lennon cantou errado, mas gostou do forma como ficou e deixou a canção dessa forma.

Outras versões e covers
O grupo folk Silkie, empresáriado por Epstein, em 1965:

Os Beach Boys, para o LP Beach Boys' Party!, de 1965:

Eddie Vedder, para o filme I am Sam, em 2001:

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

You've Got To Hide Your Love Away - I

You've Got To Hide Your Love Away

Fiquei uma semana sem postar (ando com uns problemas, mas não quero falar a respeito disso), para não deixar meu blog ficar abandonado (como aconteceu no ano passado, em um evento parecido), resolvi publicar essa canção. Já conhecia ela, há muitos anos, mas na semana passada coincidiu de ter ouvido duas versões dela pelo rádio. Depois disso ando ouvindo ela diariamente.

Agora com vocês... Os Beatles!

Havia muitos vídeos no YouTube reproduzindo o trecho do filme Help! no qual os Beatles interpretavam essa canção, mas esses vídeos foram apagados. Acho que a direção do YouTube apertou a fiscalização e suprimiu esses vídeos por eles violarem os direitos de exibição da película. No lugar coloquei esse vídeo mais simples. O endereço é: https://www.youtube.com/watch?v=g5alNm0hmtE

Here I stand head in hand
Turn my face to the wall
If she's gone I can't go on
Feeling two-foot small
Everywhere people stare
Each and every day
I can see them laugh at me
And I hear them say
Hey you've got to hide your love away
Hey you've got to hide your love away
How can I even try
I can never win
Hearing them, seeing them
In the state I'm in
How could she say to me
Love will find a way
Gather round all you clowns
Let me hear you say
Hey you've got to hide your love away
Hey you've got to hide your love away

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Baby It's You - II

Baby It‘s You

"Baby It‘s You" foi escrita por Burt Bacharach (música), Luther Dixon (usando o pseudônimo de Barney Williams) e Mack David (letra). A canção foi originalmente produzida por Luther Dixon para o grupo vocal feminino Shirelles. Quando lançada como single em 1961, a música tornou-se rapidamente popular, chegando à oitava posição da para de sucessos da Billboard.

Mais tarde "Baby It’s You" foi lançada em um álbum com o mesmo nome. Os arranjos vocais criados para esta primeira versão provaram-se influentes e acabaram sendo reproduzidas na maioria das versões subsequentes, inclusive aquela lançada pelos Beatles.

Beatles
Os Beatles vinham tocando "Baby It’s You" em suas apresentações de 1961 até 1963, por influência de John Lennon, que era fã das Shirelles. Em 11 de fevereiro de 1963, os Beatles gravaram a canção para seu primeiro álbum, Please Please Me, juntamente com "Boys", outra canção lançada pelas Shirelles. A versão dos Beatles difere das Shirelles pela repetição do segundo verso em vez do primeiro. Então, se as Shirelles concluiam a canção "sentado em casa e chorando", a versão dos Beatles é mais otimista, com John Lennon cantando que ele vai continuar a amar, não importa o quê.

O single da versão dos Beatles alcançou o sétimo lugar na parada sucessos do Reino Unido e a posição 67 da Billboard Hot 100, nos Estados Unidos.


Sha la la la la la la la/Sha la la la la la la la
Sha la la la la la la la/Sha la la la la
It's not the way you smile that touched my heart. (sha la la la la)
It's not the way you kiss that tears me apart.
Uh, oh, many, many, many nights go by,
I sit alone at home and I cry over you.
What can I do.
Can't help myself, 'cause baby, it's you.
(sha la la la la la la)
Baby, it's you.
Sha la la la la la la la/Sha la la la la la la la
You should hear what they say about you, "cheat," "cheat."
They say, they say you never never never ever been true. (cheat cheat)
Uh oh,
It doesn't matter what they say,
I know I'm gonna love you any old way.
What can I do, and it's true.
Don't want nobody, nobody, 'cause baby, it's you. (sha la la la la la la)
Baby, it's you. (sha la la la la la la)
Uh oh,
It doesn't matter what they say,
I know I'm gonna love you any old way.
What can I do, when it's true.
Don't want nobody, nobody, 'cause baby, it's you. (sha la la la la la la)
Baby, it's you. (sha la la la la la la)
Don't leave me all alone...

Smith
A versão de "Baby It’s You" feita pela banda Smith, liderada por Gayle McCormick, foi lançada em seu álbum de estréia, A Group Called Smith, em 1969. Produzida por Del Shannon, esta versão altera o arranjo vocal tradicional interpretada por as Shirelles e os Beatles em favor de um vocal mais próximo ao Soul. A canção alcançou a quinta posição da Billboard Hot 100. A versão do Smith foi utilizada por Quentin Tarantino na trilha sonora do filme Death Proof.

Covers e outras versões
Os Carpenters gravaram uma versão de "Baby It’s You", em 1970, para o seu álbum Close to You.

Sylvie Vartan, cantora francesa, em 1962

Masqueraders, em 1975

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Please Mr. Postman - II

Please Mr. Postman

Origens
Em meados de 1960, cinco moças da escola secundária Inkster, localizada no subúrbio de Detroit se reuniram para formar um grupo vocal. Elas eram Gladys Horton, Katherine Andreson, Georgeanna Tillman, Juanita Cowart e Georgina Dobbins. Em abril de 1961, o quinteto, agora chamado as Marvels, conseguiu uma audição para o selo fonográfico Tamla (que depois mudaria de nome para Motown) de propriedade do produtor Berry Gordy.

Precisando de uma canção original para sua audição, Georgia Dobbins procurou o compositor William Garret, seu amigo. Este tinha uma canção de Blues, que não se encaixava perfeitamente ao estilo musical das Marvels. Então Dobbins reescreveu completamente a canção, mantendo apenas o título. Depois da audição, e antes que as Marvels gravassem, Dobbins deixou o grupo para cuidar de sua mãe.
Gladys Horton, Katherine Andreson, Georgeanna Tillman, Juanita Cowart

Berry Gordy renomeou o grupo para as Marvelettes e contratou os compositores Brian Holland e Robert Bateman (conhecidos no meio musical pela alcunha "Brianbert") para-retrabalhar a música mais uma vez. Segundo algumas fontes, Holland teria sido o responsável por convidar um carteiro chamado Freddie Gorman, para ajudar na reformulação final da canção. Por conta da participação de tantos compositores, os créditos de "Please, Mr. Postman" são um tanto obscuros. No single lançado pelas Marvelettes em 1961, pela Tamla, os compositores são "Dobbins / Garett / Brianbert" e o produtor é a dupla "Brianbert". Nas listas de direitos autorais aparecem Georgia Dobbins, Brian Holland, Robert Bateman e Freddie Gorman, mas as agências de direitos autorais (aqueles que pagam o direitos autorais), listam apenas Holland, Bateman e Gorman. William Garrett é listado como um dos compositores em algumas publicações.

O acompanhamento musical foi feito pelos Funk Brothers, que tinha entre seus membros o baterista, e depois cantor e compositor de grande sucesso, Marvin Gaye. "Please, Mr. Postman" foi o primeiro sucesso número 1 da gravadora Tamla/Motown, que em pouco tempo tornou-se uma lenda da indústria musical ao produzir centenas de sucessos. A canção foi o primeiro single das Marvelettes e o único a alcançar o topo da parada de sucessos. Depois de algumas modificações, com a saída e entrada de integrantes, as Mavelettes desfizeram o grupo em 1969.
Vídeo com uma apresentação das Marvelettes em 1965, 
notem que nessa época eram apenas três as integrantes.


Oh yes, wait a minute Mister Postman
(Wait)
Wait Mister Postman
Please Mister Postman, look and see
(Oh yeah)
If there's a letter in your bag for me
(Please, Please Mister Postman)
Why's it takin' such a long time
(Oh yeah)
For me to hear from that boy of mine
There must be some word today
From my boyfriend so far away
Please Mister Postman, look and see
If there's a letter, a letter for me
I've been standin' here waitin' Mister Postman
So patiently
For just a card, or just a letter
Sayin' he's returnin' home to me
(Mister Postman)
Mister Postman, look and see
(Oh yeah)
If there's a letter in your bag for me
(Please, Please Mister Postman)
Why's it takin' such a long time
(Oh yeah)
For me to hear from that boy of mine
So many days you passed me by
See the tears standin' in my eyes
You didn't stop to make me feel better
By leavin' me a card or a letter
(Mister Postman)
Mister Postman, look and see
(Oh yeah)
If there's a letter in your bag for me
(Please, Please Mister Postman)
Why's it takin' such a long time
(Why don't you check it and see one more time for me, you gotta)
Wait a minute
Wait a minute
Wait a minute
Wait a minute
(Mister Postman)
Mister Postman, look and see

Beatles
Alterando o Eu lírico feminino para masculino, os Beatles incluiram "Please, Mr. Postman" como parte de seu repertório, em 1962, nas apresentações que faziam no Cavern Club, em Liverpool. Apesar de não ser mais tocada pela banda no ano seguinte, os Beatles resolveram gravá-la para seu segundo álbum With The Beatles. Produzida por George Martin, a canção exigiu algum trabalho no estúdio para trazê-la até um padrão sonoro aceitável, mesmo assim muitos criticaram a versão por ter uma "parede de som". Berry Gordy, dono da Motown, concordou em cobrar direitos autorais mais baixos para o uso dos Beatles pelas canções da sua gravadora, de olho no sucesso comercial que as mesmas teriam sendo gravadas pela maior banda de Rock And Roll do século.
Carpenters
"Please, Mr. Postman" voltou as paradas de sucesso, alcançando o topo da parada de sucessos americana e ficando na segunda posição na parada de sucessos britânica através da versão gravada pelos irmãos Carpenters. A versão deles, lançada em 1974, se assemelha a uma canção dos anos 1950 de Rock And Roll.
Clipe gravado em 1975 na Disneylandia

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Please Mr. Postman - I

Please Mr. Postman

Em outro post, eu havia dito que os Beatles haviam feito sucesso com versões de canções lançadas originalmente por grupos vocais femininos norte americanos. Vou aproveitar a deixa e publicar uma dessas versões, gravada pela banda em 1963. Depois eu escrevo sobre a canção.

Senhores e senhoras, com vocês... The Beatles!

Não encontrei vídeo dos Beatles tocando a música ao vivo. O mais perto que encontrei foi a apresentação deles na televisão, imagens acima, na qual fica claro que era um playback, e a imagem, como podem notar, esta bem deteriorada. Na falta de opções escolhi o vídeo acima. O endereço é: https://www.youtube.com/watch?v=EaXueMLN4dI

Wait, oh yes wait a minute mister postman
Wait, wait mister postman
Mister postman look and see
Is there a letter in your bag for me
I been waiting a long long time
Since I heard from that girl of mine
There must be some word today
From my girlfriend so far away
Please Mister postman look and see
If there's a letter, a letter for me
I been standing here waiting Mister postman
So patiently
For just a card or just a letter
Saying she's returning home to me
Mister postman look and see
Is there a letter in your bag for me
I been waiting a long long time
Since I heard from that girl of mine
So many days you passed me by
See the tear standing in my eye
You didn't stop to make me feel better
By leaving me a card or a letter
So Mister postman look and see
Is there a letter in your bag for me
I been waiting a long long time
Since I heard from that girlfriend of mine
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta check it and see, one more time for me
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta wait a minute, wait a minute
Deliver the letter, the sooner the better
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta wait a minute, wait a minute
You gotta wait a minute, wait a minute

domingo, 3 de maio de 2015

You're Going To Lose That Girl - II

You’re Going To Lose That Girl

"You’re Going To Lose That Girl" (Você Vai Perder Essa Garota) é uma canção escrita por John Lennon e Paul McCartney em 1965, e gravada em 19 de fevereiro do mesmo ano. Ela foi composta na casa de Lennon em Weybridge e foi a ultima das canções utilizadas no filme Help! a ser gravada. Na letra o cantor avisa um "amigo" que, se ele não valoriza sua namorada, o cantor vai "fazer algo que a fará deixá-lo".


Para tornar o som mais denso, durante as sessões de gravação McCartney tocou um piano de fundo e Ringo Starr acrescentou o som de bongos, fazendo uso de ritmos de percussão latino-americanos. Essa foi a forma que os Beatles encontraram para utilizar todas as possibilidades da mesa de som de quatro canais que tinham a disposição.

Curiosidade 1: Na edição americana do disco Help! (lançada pela Capitol Records) a canção é intitulada como sendo “You’re Gonna Lose That Girl” (Você Está Perdendo Essa garota).

Filme Help!
Desculpem, não encontrei outro vídeo com as cenas do filme no YouTube, e não consegui baixar vídeo de outros sites.

No filme, o grupo aparece cantando essa música em um estúdio de gravação. Nas cenas, John Lennon e George Harrison aparecem tocando suas guitarras e nos vocais, Paul McCartney aparece tocando seu baixo e em alguns trechos também toca um piano e Ringo Starr começa a canção em sua bateria, mas em alguns instantes está sentado tocando bongos.

Curiosidade 2: Vale mencionar que na “gravação” da canção, Ringo aparece fumando um cigarro. Naquela época, essa cena além de não ter nada de mais, ainda passaria uma ideia de descontração. Nos dias de hoje, com a existência do “politicamente correto” e do “cerco” ao fumo, uma cena dessas seria impossível de ser gravada pelo membro de uma grande banda de Rock and Roll.

Curiosidade 3: Ao final da cena um dos bandidos consegue serrar o piso abaixo da bateria de Ringo com a intenção de raptá-lo.

Covers e paródias
No LP Leave Home, de 1977, Os Ramones gravaram uma canção intitulada "You're Gonna Kill That Girl" (Você Vai Matar Essa Garota), que pode ser entendido como uma paródia da canção dos Beatles.



Em 1978, o grupo de humor musical The Rutles gravaram a canção "Now She's Left You” (Agora Ela Deixou Você), como paródia declarada da canção do Beatles.



Renato e Seus Blue Caps gravaram uma versão em português, onde apenas a música se assemalha ao original, pois a letra nada tem em comum com o original. A versão foi lançada no LP Isto É Renato E Seus Blue Caps, de dezembro de 1965.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

You're Going To Lose That Girl - I

You're Going To Lose That Girl

Depois de muito tempo, voltarei a postar uma música. Faz muito tempo que queria postar essa canção, mas era apenas pelos atributos artísticos. Nas últimas semanas, ela ganhou outro significado. Diria até que é um aviso que o Lennon está mandando para mim...

Sem mais delongas, com vocês... The Beatles!


Procurei no YouTube algum vídeo com uma apresentação ao vivo deles cantando essa canção, ou o trecho do filme HELP! (onde eles cantam a mesma). Até um ano atrás havia pelo menos dois vídeos reproduzindo o trecho do filme, mas eles foram retirados do ar (imagino que tenham violado direitos autorais). Sendo assim, o jeito é reproduzir esse vídeo, onde o som está nítido. o endereço do vídeo é: https://www.youtube.com/watch?v=BRsDOr4H0cs

You're going to lose that girl
(Yes, yes you're going to lose that girl)
You're going to lose that girl
(Yes, yes you're going to lose that girl) 
If you don't take her out tonight
She's going to change her mind
(She's going to change her mind)
And I will take her out tonight
And I will treat her kind
(I'm going to treat her kind) 
You're going to lose that girl
(Yes, yes you're going to lose that girl) 
You're going to lose that girl
(Yes, yes you're going to lose that girl) 
If you don't treat her right, my friend
You're going to find her gone
(You're going to find her gone)
'Cause I will treat her right and then
You'll be the lonely one
(You're not the only one) 
You're going to lose that girl
(Yes, yes you're going to lose that girl) 
You're going to lose that girl
(Yes, yes you're going to lose that girl) 
You're going to lose
(Yes, yes you're going to lose that girl) 
I'll make a point of taking her away from you, yeah
(Watch what you do)
The way you treat her, what else can I do? 
(You're going to lose that girl)
(You're going to lose that girl) 
You're going to lose that girl
(Yes, yes you're going to lose that girl) 
You're going to lose that girl
(Yes, yes you're going to lose that girl) 
You're going to lose
(Yes, yes you're going to lose that girl) 
I'll make a point of taking her away from you, yeah
(Watch what you do) 
The way you treat her, what else can I do? 
If you don't take her out tonight
She's going to change her mind
(She's going to change her mind)
And I will take her out tonight
And I will treat her kind
(I'm going to treat her kind) 
You're going to lose that girl
(Yes, yes you're going to lose that girl) 
You're going to lose that girl
(Yes, yes you're going to lose that girl) 
You're going to lose that girl
(Yes, yes you're going to lose that girl)