domingo, 8 de março de 2015

Star Wars: As Cenas Dos Bastidores De Guerra Nas Estrelas

Encontrei por acaso em um site algumas fotos, tiradas com polaroid, da produção do filme Star Wars, fiquei curioso e resolvi pesquisar a respeito. Descobri que as fotos fizeram parte de uma exposição que ficou em cartaz (entre o final de 2014 e começo de 2015) no Reino Unido. Aproveitei a pesquisa e, além de recolher pela internet o máximo de fotos da exposição, colhi informações sobre quem tirou e porque. Espero que gostem.


Os bastidores de Guerra nas Estrelas em raros polaroides


Em 1976, começaram as filmagens de Star Wars, um filme descrito por seu roteirista e diretor George Lucas como um conto de fadas moderno "há muito tempo atrás, em uma galáxia muito, muito distante". Luke Skywalker (interpretado por Mark Hamill) sonha em se tornar um piloto espacial e escapar de sua vidinha simples como um garoto de fazenda no planeta deserto de Tatooine. Seu desejo se torna realidade quando ele se vê envolvido na guerra civil entre o Império Galáctico e um bando de rebeldes ousados, que tem na bela Princesa Leia (Carrie Fisher) uma de suas líderes.



Guerra nas Estrelas foi filmado em locações na Tunísia e no Elstree Studios em Hertfordshire. Seus efeitos especiais inovadores foram criados na Califórnia pela companhia de Lucas, a Industrial Light & Magic. O artista Ralph McQuarrie criou as primeiras ideias visuais que foram depois desenvolvidos por equipes de designers nos EUA (sob o comando de Joe Johnston) e no Reino Unido (que tinham entre seus integrantes o desenhista de produção John Barry, o figurinista John Mollo e o cineasta Gil Taylor.


A continuísta Ann Skinner fazendo anotações com sua máquina de escrever no deserto da Tunísia.

A supervisão de continuidade ficou a cargo de Ann Skinner cujo currículo impressionante também inclui Longe da Multidão (1967), Darling (1965) e Oh! O que Bela Guerra (1969). A continuidade é um papel extremamente importante, mas é muitas vezes esquecido quando se escreve sobre cinema. Os continuístas têm um trabalho extremamente exigente que requer uma sofisticada compreensão de todos os aspectos da produção e linguagem cinematográficas. Eles também precisam ter uma forte atenção aos detalhes e serem capazes de perceber e registrar quaisquer alterações ou discrepâncias na sequência de um filme. Historicamente a função freqüentemente fica a cargo de mulheres (embora isso esteja mudando recentemente) e por muitos anos a supervisora de continuidade era conhecida como a “menina do roteiro” ou “menina continuísta”.

Como supervisora de continuidade em Star Wars, Skinner precisava ter uma compreensão completa de todas as partes do roteiro. Era seu trabalho para garantir que as cenas filmadas com intervalo de dias ou semanas se encaixariam perfeitamente na hora de fazer a edição de imagens. Skinner descrevia seu papel como sendo o de "agente do editor no local de filmagens, o intermediário entre o diretor e o editor". Ela mantinha um registro detalhado do filme, repleto de anotações detalhadas, bem como fotografias Polaroid tomadas durante as filmagens.


A anotação no canto superior lembra que a foto se refere à cena 26 do roteiro.

O primeiro trabalho de Skinner, ao receber o roteiro, era anotar cada detalhe da produção e o tempo de duração das cenas gravadas (para manter produtor e diretor informados da duração total esperada do filme), verificar se as imagens eram gravadas nos mesmos horários ou se tinham a mesma luminosidade e seguir uma sequência lógica (erros de continuidade muitas vezes ocorrem durante as gravações), e para fazer anotações sobre roupas, adereços particulares e a posição dos atores em cenas específicas.


Para evitar erros de continuação eram tiradas polaroides para registrar como eram as roupas, cabelo e maquiagem da princesa Leia, uma anotação foi feita para lembrar que o bracelete estava no braço direito.

As páginas a seguir são da cena de abertura do filme, de como a espaçonave da Princesa Leia foi atacado por um Destroyer Imperialr. Darth Vader acredita que os rebeldes roubaram os planos para a Estrela da Morte, uma nova estação espacial concebido para se tornar a arma mais mortal do Império. Você pode ver as primeiras notas Ann feitas para seu roteiro em pré-produção em caneta vermelha e verde. A nota "USA" significa que esta cena é composta por efeitos especiais que estavam sendo criados na Industrial Light & Magic, na Califórnia. Outras notas destacam efeitos mais específicos (explosão e fumaça) e os adereços que são necessários (cinto de utilidades do Luke, electrobinóculos e fuzil).




Uma enorme quantidade de informação tem de ser capturado dentro de um curto espaço de tempo, por isso, fotos Polaroid forneciam uma referência visual rápida para obter mais detalhes, tais como as posições dos personagens, adereços e meandros do traje. Estes foram grampeadas no roteiro ao lado das cenas relevantes, e são geralmente acompanhadas de anotações adicionando mais informações.



Capturar informações sobre diferentes tomadas e mudanças de diálogos é uma parte central do trabalho do supervisor continuidade. As imagens abaixo mostram o ensaio e as diferentes posições tomadas para a cena em que Luke vai em busca do robo R2D2 e é atacado pelo Povo da Areia (Sandpeople). No final de cada dia, Ann tinha que datilografar tudo (na época não existiam laptops) em páginas de continuidade, usando seu script como referência. Isso pode incluir informações para o editor, incluindo aquilo que o diretor George Lucas quer usar na edição final.





Algumas cenas apresentaram desafios específicos em termos de continuidade. Depois de Luke, Han Solo (Harrison Ford) e Chewbacca (Peter Mayhew) resgatarem a Princesa Leia de sua cela na prisão da Estrela da Morte, eles tentam escapar pela única rota de fuga possível, descendo em um conteiner de lixo. Eles ficaram no fundo e as paredes do espremedor de lixo começam a fechar, ameaçando esmagar os personagens.


Skinner levou um grande número de Polaroids em cores e em preto e branco para registrar a posição das paredes e fragmentos em diferentes estágios na cena, muitas vezes ligando estas etapas para linhas de diálogo (como resposta sarcástica de Han às ordens de Leia: "Sim Vossa Alteza").



O roteiro de Skinner também inclui cenas que foram filmadas, mas não foram usadas na edição final. O roteiro de filmagem tem mais ação em Tatooine como a reunião de Luke Skywalker com seus amigos Fixer, Camie e Biggs (que aparecem novamente mais tarde no filme como combatentes rebeldes que se juntam ao assalto na Estrela da Morte).




O roteiro de Skinner foi um instrumento essencial da produção de Star Wars, criado para auxiliar a tarefa imensamente complicada de rodar um filme. Visto agora, porém, ele serve como um registro visual incrível da realização de um filme lendário. Por meio de suas notas e imagens, temos uma noção do que estava acontecendo no set, e como localização, estúdio e efeitos especiais trabalho malha juntos em pós-produção.

Nós também podemos ver os atores descontraídos, fora dos personagens e/ou trajados. Nas duas imagens a seguir, vemos Darth Vader (David Prowse) sem capacete, e Peter Cushing como Grande Moff Tarkin (descrito no roteiro como um "pequeno homem mau").




As fotos faziam parte de uma exposição chamada On-Set: Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança que foi exibido no Atrium, BFI Southbank no Reino Unido até o dia 4 de Janeiro desse ano (2015).

quarta-feira, 4 de março de 2015

Prêmio Pulitzer De Fotografia: Ano 1945

Ano passado comecei a postar uma série com as fotografias vencedoras do Prêmio Pulitzer. Estou retomando a sequência daquelas postagens escrevendo sobre o ganhador do prêmio de 1945. Sempre que possível irei também contar as histórias por trás de cada fotografia (contexto em que foi tirada, autor da foto, como foi tirada, a repercussão, etc), como nem sempre poderei ter todas as informações a minha disposição na hora em que postar, pode ser que eu reveja os textos, acrescentando ou corrigindo informações. Um aviso: O prêmio de fotografia de 1946 não teve ganhador.

Prêmio Pulitzer de 1945: Categoria Fotografia

Vencedor: Joseph John Joe Hosenthal da Associated Press

Título: “Raising The Flag On Iwo Jima” (“Hasteando A Bandeira Em Iwo Jima”)

Câmera: 4X5 Speed Graphic

Lente: 127mm

Velocidade E Abertura Do Obturador: Desconhecido

Filme: Kodak



Em 19 de agosto de 1945 os Estados Unidos invadiram Iwo Jima, uma ilha vulcânica, localizada a quase 1.200 quilômetros ao sul de Tóquio. Por estar localizada a meio caminho entre as Ilhas Marianas (de onde partiam os bombardeiros de longo alcance americanos) e o Japão, a conquista da ilha era de grande valor estratégico. Iwo Jima possuia estações de radar (que detectavam a presença das aeronaves americanas) e pistas de pouso de onde partiam aviões que atacavam os aviões e navios inimigos. A captura de Iwo Jima além de dar mais segurança aos pilotos e marinheiros americanos, também forneceria aos bombardeiros americanos danificados uma pista para pousos de emergência.

Cientes da invasão iminente, os japoneses fortificaram a ilha com uma rede de túneis e casamatas de onde resistiriam aos fuzileiros norte americanos. Por ser o primeiro solo pátria japonesa a ser capturado pelos americanos, os japoneses não pouparam esforços e vidas para evitar a queda de Iwo Jima. Diante da encarniçada resistência nipônica, restou aos fuzileiros americanos fazerem uso de cargas de demolição e lanças chamas com o objetivo de “desentocar” os japoneses das casamatas e limpar os túneis. O primeiro objetivo americano se concentrou em isolar e capturar o Monte Suribachi, um extinto vulcão, com 166 metros de altura, situado na ponta sul da ilha, meta que foi alcançada em 23 de fevereiro de 1945.

Os dois hasteamentos da bandeira
A histórica fotografia tirada por Joe Rosenthal retrata na verdade o segundo hasteamento da bandeira norte americana no Monte Suribachi. No início da manhã de 23 de fevereiro de 1945, o sargento Louis R. Lowery, da revista Leatherneck, registrou o primeiro hasteamento da bandeira logo após a tomada do Monte Suribachi. Mas a bandeira era pequena demais para ser vista claramente a partir das praias de desembarque, por isso providenciou-se uma bandeira maior que a primeira. Está foi levada até o cume pelo sargento Michael Strank, o cabo Harlon H. Block, os soldados de primeira classe Franklin R. Sousley e Ira H. Hayes. Logo após o soldado de primeira classe Rene A. Gagnon também foi enviado. Acompanhando a patrulha iam Joe Rosenthal (fotógrafo da Associated Press) e os fotógrafos da Marinha Americana Bob Campbell e Bill Genaust (este último foi morto em ação nove dias após o hasteamento da bandeira). No meio do caminho, os fotógrafos encontraram e conversaram com o sargento Louis R. Lowery, que tinha fotografado o hasteamento da bandeira anterior.

O grupo alcançou o cume, e os fuzileiros imediatamente trataram de substituir a bandeira menor pela maior. Joe Rosenthal largou a câmera e procurou a empilhar pedras, com a intenção de ficar em um ponto de vista mais alto, quando percebeu que os fuzileiros já havia começado a hastear a bandeira com o auxílio do marinheiro de segunda classe John Bradley (que havia participado do hasteamento da primeira bandeira). Rosenthal rapidamente levantou a câmera e tirou uma foto sem olhar pelo visor. Dez anos mais tarde, ele contou: 

"Com o canto do meu olho, eu tinha visto os homens começando a hastear a bandeira. Eu ergui minha câmera e registrei a cena. É assim que a foto foi tirada, e quando você tira uma foto como essa, você não sai dizendo que você tem uma grande foto. Você não sabe".


As imagens em movimento (filme) feitas por Bill Genaust do hasteamento da
bandeira quase que do mesmo ponto de vista de Joe Rosenthal

O destino dos envolvidos na fotografia
Dos seis homens que aparecem na foto (Michael Strank, Rene Gagnon, Ira Hayes, Franklin Sousley, Harlon Block e John Bradley) apenas três (Hayes, Gagnon, e Bradley) sobreviveram à batalha. Strank foi morto seis dias após o hasteamento da bandeira quando estilhaços de um projétil, provavelmente disparado de um destróier americano, abriu seu peito; Block foi morto por um morteiro japonês poucas horas depois de Strank; Sousley foi baleado e morto por um franco-atirador em 21 de março, cinco dias antes da batalha pela ilha terminar.

Ira Hayes, um nativo americano, passou a ter sentimento de culpa por se tornar um herói nacional, enquanto que amigos seus haviam morrido sem glórias militares e reconhecimento. Tornou-se alcoólatra e morreu de coma alcoólico em janeiro de 1955. Foi sepultado com honras militares no Cemitério Nacional de Arlington. Rene Gagnon também se tornou amargurado e um alcoólatra. Trabalhou em empregos mal remunerados e foi demitido da maioria deles. Morreu em outubro de 1979 de ataque cardíaco.

John Bradley nunca falou de seu envolvimento guerra, nem mesmo para sua família, exceto no primeiro encontro com sua futura esposa e durante uma entrevista, em 1985, a pedido de sua esposa por causa de seus netos. Depois de sua morte, em 1994, seu filho, James Bradley, entrevistou todos os familiares dos outros envolvidos no hasteamento da bandeira em Iwo Jima e publicou um livro A Bandeira de Nossos Pais, que mais tarde foi filmado, com Clint Eastwood como diretor. Seu filho acredita que Bradley, ficou traumatizado pelo fato de seu melhor amigo, Ralph Ignatowski, ter sido descoberto horrivelmente mutilado após ter sido capturado pelos japoneses. Bradley foi obrigado a limpar os restos mortais de seu amigo e de muitos outros soldados que encontraram uma morte violenta em Iwo Jima. Ele sofreu com sintomas de estresse pós-traumático e pesadelos por muitos anos.



Polêmica envolvendo a fotografia e sua repercussão
A foto da bandeira sendo hasteada foi rapidamente distribuído pela Associated Press e amplamente divulgada em jornais americanos. Chamando imediatamente a atenção de todos que a viam.

Durante anos, na verdade até os dias atuais, há quem acredite que a foto tenha sido posada. As teorias conspiratórias mais ridículas afirmam que a foto teria sido tirada dentro de um estúdio... A origem para essas teorias seriam:

Inveja de pessoas que não são americanas e quando veem o registro de um triunfo norte americano tentam desmerecer o heróico feito de seus soldados.

Desconhecimento da história por trás do hasteamento das duas bandeiras, que alguns por desconhecimento, outros propositalmente por má fé, creditam como sendo parte de uma encenação para produzir uma “foto perfeita”. Em parte, essa versão acabou ganhando força por conta de um mal entendido. Após ter tirado a foto do hasteamento da bandeira, Rosenthal pediu para os fuzileiros se perfilarem para uma fotografia em frente da bandeira. Poucos dias depois, de volta em Guam, perguntaram à Rosenthal se ele havia tirado uma foto montada (posada). Pensando que a pergunta era sobre a foto com os militares perfilados, ele respondeu: "Claro". Apesar das tentativas de acusar Rosenthal de fraude, O filme de Genaust e o claro testemunhos dos envolvidos no hasteamento das bandeiras, comprovam que a foto tirada por ele é autêntica e sem truques.



Os envolvidos no hasteamento da primeira bandeira ficaram ressentidos quando voltaram aos EUA e passaram a ser chamados de mentirosos em público. Durante anos poucos jornalistas tiveram interesse em divulgar a história toda, contando que tinha havido os dois hasteamentos. Somente na década de 1960 todo o evento foi bem divulgado por livros especializados e pela imprensa em geral.

Dado curioso I: A fotografia de Rosenthal é a única fotografia vencedora Pulitzer tomada no mesmo ano em que ganhou o prêmio.

Dado curioso II: A fotografia foi usada como base para a estátua, os EUA Marine Corps War Memorial, localizado no cemitério de Arlington.

Dado curioso III: Se quiserem ver mais fotos e ler sobre a história da foto e como ela ficou famosa, acessem: http://www.bravoartillery.org/IwoJimaPage1.html

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Política: Joga A Culpa No Fernando Henrique Cardoso!

Eu havia jurado para mim mesmo que não falaria de política nesse blog. Pelo menos não intencionalmente. Por conta disso, deixei de comentar a campanha eleitoral de 2014, o resultado das eleições, e até agora, o estelionato eleitoral da vencedora da eleição presidencial. Mas, depois da cínica declaração da presidente Dilma Roussef no dia 21 de fevereiro, ficou difícil manter minha promessa. Para deixar claro meu repúdio a esse governo que rouba, mente e cinicamente finge que nada faz de errado, resolvi escrever o texto abaixo como forma de protesto.

O culpado é o Fernando Henrique!

Depois de quase três meses se escondendo da imprensa, a presidente Dilma Roussef resolveu falar. Mas ela não abriu a boca para explicar porquê ela escolheu um banqueiro para ser ministro da fazenda, aumentou as tarifas dos combustíveis (apesar da queda do preço dos barris de petróleo) e da energia elétrica e quer restringir o pagamento do seguro desemprego entre outras medidas de seu pacote “de maldades” econômicas. Tudo isso após acusar os adversários da última campanha presidencial de governarem com e para, os banqueiros; aumentar as tarifas públicas; suprimir direitos trabalhistas e arrochar salários através da inflação, caso eles fossem eleitos.

Sobre o reajuste das tarifas de energia elétrica um comentário rápido. Em 2013 ela anunciou com grande pompa, em cadeia de rádio e TV, que iria reduzir as contas de luz em 18%. Do ano passado para cá as tarifas já foram reajustadas em mais de 30%, e especialistas em economia falam de um aumento de mais 70% até o fim do ano...

Diante da sequência de más notícias para o governo (derrota na eleição para a escolha do presidente da Câmara dos Deputados, o Ministro da Justiça apanhado de conchavo com advogados dos empreiteiros envolvidos na Petrorroubalheira, corte de 7 bilhões de reais da receita do Ministério da Educação), e para a população (aumento de tarifas, corte de direitos trabalhistas, inflação, recessão, etc). O cartunista Alpino fez a charge abaixo.


A charge acabou revelando-se profética pois, dois dias depois, Dilma Roussef (talvez aconselhada pelo seu marqueteiro João Santana, ou incentivada pelo padrinho Lula) resolveu atirar em Fernando Henrique Cardoso (FHC), mas acabou atirando no próprio pé. Sinal claro de que a incompetência e a burrice andam lado a lado.

Disse Dilma: “Olhando os dados que vocês mesmos divulgam nos jornais, se em 96 ou 97 tivessem investigado e tivessem naquele momento punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras que ficou durante quase 20 anos [beneficiando-se] de corrupção”, disparou Dilma. “A impunidade, e isso eu disse durante a minha campanha, a impunidade leva água para o moinho da corrupção.”

Vocês notaram que enquanto fala ela se esforça para fazer cara de séria enquanto segura
o riso? De quem será que ela está rindo? Dos jornalistas, ou de você que votou nela?

Dilma referia-se a Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da Petrobras, que contou aos procuradores da Operação Lava Jato que começou a receber propinas da holandesa SBM em 1997. É verdade que nessa época, o presidente do Brasil era FHC, mas Barusco também declarou em depoimento que a petrorroubalheira foi “institucionalizada” a partir de 2004, sob a primeira gestão de Lula.

A declaração de Dilma foi muito mais que uma cretinice (outra de uma extensa coleção) com o intuito de tirar dela, e também de Lula e do PT, a responsabilidade pela petrorroubalheira. Com essa declaração, ela acabou por admitir que: Ou é incompetente (pois durante anos não viu a roubalheira que ocorria na Petrobras (só na Petrobras?!). Ou cometeu crime de prevaricação. Pois Dilma dá as cartas no setor petroleiro há 12 anos. Por que não agiu antes? Por que foi contra CPI’s para investigar a estatal? Por que permitiu que seu partido, o PT, amealhasse algo como US$ 200 milhões em petropropinas, segundo estimou o mesmo Barusco? Será que ela sabia o que ocorria?


Dilma estraçalhou o próprio pé ao insinuar que, 18 anos atrás, FHC tinha a obrigação de saber que Barusco embolsava sozinho propinas na Petrobras. Se FHC tinha mesmo que saber desses pequenos e individuais desvios na empresa, então Lula e também ela própria, tinham que saber do esquema que desviou quase um bilhão de dólares dos cofres da Petrobras, entre contratos superfaturados, gastos desnecessários e dinheiro simplemente desviado. Na prática, Dilma admitiu que a corrupção teria sido bem menor na Petrobras, e no Brasil se ela e Lula não tivessem deixado a corrupção tomar contra de toda a máquina pública.

Como não existe explicação plausível para compra (muito acima do valor de mercado) da refinaria de Pasadena ou a construção superfaturada da refinaria de Abreu e Lima, Dilma repetiu, sem conseguir convencer quem quer que seja, as mesmas bobagens ditas por Lula na comemoração dos 35 anos do PT. Fez uma declaração para imprensa, atribuindo a FHC todos os males do Brasil, achando que isso manteria a opinião pública ocupada discutindo se ele era ou não culpado pela petrorroubalheira.


Doze anos, um mês e vinte seis dias se passaram desde que Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a faixa presidencial de Fernando Henrique Cardoso. São quase 157 semanas. Tempo mais do que suficiente para que Lula, Dilma e o PT arrumassem uma desculpa melhor. Nem isso conseguiram. E a resposta veio rápida através da internet e das mídias sociais (as mesmas que o PT elogia quando são usadas por esbirros a soldo do Partido dos Trabalhadores, ou que fazem a defesa da quadrilha incrustrada no poder de graça. Fazer o que? Ainda tem gente que acredita em duendes, gnomos, e em petistas honestos...).

Abaixo uma pequena amostra da “tiração” de sarro com a presidente e com o PT. A reação foi tão forte que até mesmo os mais ferrenhos petistas acabaram por admitir que teria sido melhor Dilma ter ficado calada.





Por fim, um videozinho para você que ainda acredita naquilo que os petistas dizem, ou que finge acreditar para não ter que admitir a PTroubalheira.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Literatura - Lista De Clássicos Para Ler Em 2015

Li esse artigo publicado no site da revista Veja e achei ele muito interessante, além de pertinente e de interesse permanente. Por isso estou reproduzindo em meu blog. Deixei um aviso, no site da Veja, de que iria reproduzí-lo. Caso eles entrem em contato pedindo que eu apague, irei atender a solicitação. Por isso não estranhem o (possível) sumiço desse texto. O endereço original era: http://veja.abril.com.br/noticia/entretenimento/em-tempo-de-crise-classico-volta-a-ser-bom-negocio-na-literatura

Em tempo de crise, clássico volta a ser um bom negócio 

Por Maria Carolina Maia, com colaboração de Meire Kusumoto
O surgimento de duas pequenas editoras voltadas para o nicho e de coleções em editoras já consolidadas, a Rocco e a Hedra, mostra que o filão recupera fôlego em ano de economia fraca e de efemérides que lançam títulos como o campeão de vendas 'O Pequeno Príncipe' em domínio público. Sorte do leitor


Leitura (iStockphoto/Getty Images) 

Alguém pode dizer que um clássico nunca sai de moda. Isso não é inteiramente verdade. Há ciclos de interesse e de oferta que os tornam mais atraentes de tempos em tempos. Mais quentes. É o que se vê agora no mercado literário brasileiro, e em boa hora. Em um momento em que a economia caminha para a recessão e grandes títulos como O Pequeno Príncipe caem em domínio público ou rumam para tal, duas pequenas editoras começam a operar focadas nesse nicho, e outras duas já consolidadas, a Hedra e a Rocco, preparam coleções — de holandeses “esquecidos” e de obras canônicas para jovens, respectivamente. É uma boa notícia para o leitor, que tem no filão o seu investimento mais seguro.

Consagrados pela qualidade e pela maneira como tocam o público, tanto de sua época quanto das que se seguem a ela, clássicos são livros formadores não apenas de leitores, mas de escritores e de outras obras, de cultura e de imaginário coletivo. Quando se fala de amor, não conhecer a história de Romeu e Julieta é, guardadas as proporções, o mesmo que boiar naquela conversa sobre a novela que você não acompanha. “Um clássico nunca perde a importância. Lendo clássicos, a gente se aproxima do nosso passado comum”, diz Juliana Lopes Bernardino, da Poetisa, editora que iniciou trabalhos no final de 2014 com a ideia de tirar da gaveta traduções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde sua sócia, Cynthia Beatrice Costa, estuda. 

O primeiro livro lançado pela editora, que tem sede em Florianópolis, foi uma tradução integral de Bela e a Fera, que só contava com adaptações no mercado brasileiro. O texto é assinado por Marie-Hélène Catherine Torresta, professora da UFSC. O próximo título da Poetisa, previsto para março, será o infantil O Coelho de Veludo, da inglesa Margery Williams (1881-1944), nunca editado no país. 

Lançado em 1922 na Inglaterra, o livro está entrando em domínio público, algo que, pelas leis brasileiras, acontece 70 anos após a morte do autor. “Nossa intenção é ter de quatro a cinco lançamentos em 2015. Além de clássico ter um retorno mais garantido, há a questão do domínio público. São obras que não custam tanto para a editora”, diz Juliana.

Os clássicos de aventura

A Odisseia
Espécie de sequência de Ilíada, que narra a Guerra de Troia, A Odisseia retrata a volta de Odisseu, o herói do conflito, para seu reino, Ítaca, e para sua mulher, Penélope. Ao longo de 24 cantos e mais de 12 000 versos, o personagem enfrenta uma tormenta e perde seu rumo, o que o leva a encarar toda a sorte de aventuras e levar dez anos para concluir a viagem. No Brasil, o livro é publicado por casas como Penguin, Cosac Naify e Editora 34. Ao lado de Ilíada, este poema épico escrito por volta do século VIII a.C. e atribuído a Homero é considerado o texto inaugural da literatura ocidental.

Dom Quixote
Considerado o primeiro romance moderno, Dom Quixote foi publicado em 1605. No livro, o espanhol Miguel de Cervantes retrata o fidalgo decadente Alonso Quijano, ardoroso fã das histórias de cavalaria que perde o juízo e assume a personalidade de Dom Quixote de La Mancha, partindo em aventuras ao lado do fiel escudeiro Sancho Pança. Idealista, Dom Quixote está sempre em busca de justiça e chega a enfrentar um conjunto de moinhos, que pensa se tratar de gigantes que se colocam em seu caminho. No Brasil, o livro é publicado por casas como Companhia das Letras e Editora 34.

Moby Dick
No livro publicado em 1851, o americano Herman Melville retrata a viagem do navio baleeiro Pequod, da costa dos Estados Unidos para o Pacífico Sul. O narrador da história, o marinheiro Ishmael, aceita integrar a tripulação sem saber que a trajetória da embarcação foi definida por seu capitão, Ahab, que deseja se vingar do cachalote Moby Dick. Em uma de suas viagens anteriores, Ahab enfrentou o animal e sobreviveu, mas perdeu uma das pernas e seu antigo navio. No Brasil, o livro é publicado por casas como Cosac Naify e Editora Landmark.

Robinson Crusoé
No romance de 1719 do inglês Daniel Defoe, Robinson Crusoé é um marujo que perde quase tudo ao naufragar perto de uma ilha da América do Sul. No local, que ele apelida de Ilha do Desespero, ele sobrevive com os objetos que consegue resgatar do navio, no que será uma longa espera por resgate. Ele vive por vinte anos sem qualquer contato com outro ser humano, até que encontra e salva um nativo de um ataque de canibais e o transforma em seu criado. No Brasil, o livro é publicado por casas como Companhia das Letras e Edições BestBolso.

O Coração das Trevas
Publicada originalmente como uma série na revista inglesa Blackwood (1817-1980), a história do britânico de origem polaca Joseph Conrad foi transformada em livro em 1902 e serviu de inspiração para um dos filmes mais conhecidos do diretor Francis Ford Coppola, Apocalypse Now (1979). O enredo acompanha a viagem do marinheiro Charles Marlowe pela selva africana, onde descobre a crueldade dos métodos empregados na exploração e na venda de marfim, principalmente por Kurtz, um comprador do material. No Brasil, o livro é publicado por casas como Companhia das Letras e Hedra.

Em domínio público também entrou neste ano outro clássico que, como Bela e a Fera, é consumido por crianças e adultos, o campeão de vendas O Pequeno Príncipe, de Antoine Saint-Exupéry (1900-1944). Presença constante nas listas de mais vendidos, onde pode ser visto com a marca da Agir, editora que o publica no país desde 1952, o livro agora deve ganhar edições da L&PM, da Geração Editorial e da Autêntica, entre outras. Preocupada com a perda de seu menino de ouro, a editora do grupo Ediouro já tratou de preparar produtos que compensem o fim da sua exclusividade. No final de 2014, a Agir firmou um contrato de licenciamento com os representantes e herdeiros de Saint-Exupéry para a criação de novos projetos, que já começam a ser publicados a partir de abril deste ano. O primeiro deles é uma versão adaptada para crianças pequenas, feita por Geraldo Carneiro e Ana Paula Pedro.

Se a Agir corre para mitigar o prejuízo causado pela queda em domínio público de O Pequeno Príncipe, a L&PM comemora a novidade. A gaúcha anuncia que a sua edição corrigirá “erros” presentes na da rival, como a omissão de uma estrela em uma cena em que o astrônomo olha por um telescópio. “Na margem interna da página, vê-se uma estrela (justamente o corpo celeste que está sendo observado pelo personagem). Nas edições brasileiras disponíveis para o público até 1º de janeiro de 2015, a estrela era omitida”, diz a editora, que tem 30% de suas vendas feitas de clássicos e para 2015 prepara também uma nova edição de A Divina Comédia, de Dante.

“Para o leitor, o benefício óbvio de toda essa movimentação entre as editoras é que há uma diversificação maior nas prateleiras: o mercado brasileiro atualmente é um dos mais aquecidos do cenário literário internacional, pois as editoras querem agir com rapidez para colocar nas prateleiras o que o público quer ler”, diz Larissa Helena, editora na Rocco Jovens Leitores, que prepara a coleção Memória do Futuro, organizada pelo poeta e tradutor Marco Lucchesi. Outra boa notícia: os livros terão texto na íntegra, e não aquelas adaptações para leitores iniciantes que quase sempre empobrecem a obra. “Clássicos são histórias com apelo universal, que têm qualidade extraordinária na narrativa e que deixaram marcas indeléveis na literatura.”

Histórias clássicas de amor

Romeu e Julieta
A trágica história de amor de Romeu e Julieta foi escrita por William Shakespeare entre os anos 1591 e 1595. Filhos únicos de famílias inimigas, os Montecchio e os Capuleto, os jovens se conhecem em uma festa promovida pelo pai de Julieta e se apaixonam. Para fugir do casamento arranjado pelo pai com Páris, Julieta bebe uma poção que a fará dormir e parecer ter morrido, mas acordará a tempo de ser salva por Romeu. O mocinho, no entanto, descobre a morte da amada antes de saber que ela se trata de uma farsa e toma veneno, tirando a própria vida. Ao acordar, Julieta percebe o que aconteceu e se mata com o punhal de Romeu. No Brasil, o livro tem edições por casas como L&PM e Saraiva.

Madame Bovary
O livro do francês Gustave Flaubert causou controvérsia ao ser publicado, em 1856, por contar a história de uma mulher adúltera. Emma, uma jovem sonhadora que passou a adolescência na companhia de romances açucarados e arrebatadores, se vê frustrada em um casamento entediante com Charles Bovary, um médico do interior da França. Para escapar de seu dia a dia maçante, ela se aventura fora do casamento duas vezes, primeiro com Rodolphe, depois com Léon. No Brasil, o livro tem edições por casas como Penguin e L&PM.

Anna Karenina
Publicado originalmente entre 1875 e 1877 na revista The Russian Messenger, o livro do russo Liev Tolstói conta a história de Anna Karenina, casada com o político Aleksey Karenin, com quem leva uma vida confortável. Ao visitar um irmão em São Petersburgo, Anna conhece o Conde Vronsky, por quem se apaixona. Seu marido logo descobre o caso, mas pede apenas discrição do casal para que sua reputação não seja abalada. Anna concorda, mas engravida de Vronsky e se vê obrigada a deixar o marido. No Brasil, o livro é publicado pela Cosac Naify.

Orgulho e Preconceito
O livro da inglesa Jane Austen sobre o relacionamento de Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy foi publicado em 1813. Elizabeth (Lizzy) é filha de um casal sem muitas posses e tem quatro irmãs, ainda solteiras, que ficam em polvorosa quando dois jovens abastados, Charles Bingley e Darcy, alugam uma casa próxima da propriedade da família. Eles se conhecem e Bingley se apaixona por Jane, filha mais velha dos Bennet, enquanto Darcy se aproxima e se surpreende com o gênio orgulhoso de Lizzy, que, por sua vez, despreza a arrogância do jovem. No Brasil, o livro pode ser encontrado em edições de casas como Penguin, L&PM e Editora Landmark.

O Morro dos Ventos Uivantes
O livro foi publicado pela inglesa Emily Brontë em 1847, sob o pseudônimo de Ellis Bell. Na história, a família Earnshaw adota um garoto, Heathcliff, que logo conquista seus pais e sua irmã adotiva, Catherine, deixando o filho legítimo, Hindley, enciumado. Quando o casal morre, Hindley passa a maltratar e humilhar Heathcliff. Ele deixa a casa e só volta anos mais tarde, rico, quando sua amada Catherine já está casada com Edgar Linton. Cathy morre no parto e Heathcliff decide levar a cabo seu plano de vingança contra Edgar e Hindley. No Brasil, o livro é publicado por casas como L&PM e Editora Landmark.

Do outro lado do balcão – Não são apenas os leitores que ganham com os clássicos. Para as editoras, eles também são um ótimo investimento. De acordo com Regina Zilberman, professora de literatura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), clássicos são o que as editoras chamam de backlog, catálogo que fica no fundo da livraria e não na vitrine (frontlog), e que tem sempre procura. “Basta que pertença a um certo cânone da literatura que vai vender sempre, seja para escolas seja para o leitor que quer se instruir. Então, ele garante uma certa estabilidade para as editoras”, diz. “E ainda conta com a propaganda boca-a-boca e com as compras do governo para escolas e bibliotecas, que sem dúvida são interessantes.”

Editor-executivo de ficção nacional e não ficção nacional e estrangeira da gigante Record, Carlos Andreazza confirma o que diz a professora da UFRGS. “Não publicamos livro por caridade. Publicamos porque dá lucro. Clássico dá prestígio e visibilidade, vende e dá lucro. Clássico dá lucro”, diz Andreazza, lembrando que a Record edita um dos maiores clássicos nacionais, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, com mais de 2 milhões de exemplares vendidos desde meados de 1970 – 70.000 cópias só no ano passado.

Luis Dolhnikoff, da Hedra, que tem metade do catálogo feita de clássicos e 80% das vendas garantidas por eles, faz coro. A editora, que inicia sua coleção de holandeses com a coletânea Contos Holandeses (1839-1937), prevista para o primeiro semestre deste ano, mira nesse nicho desde seu início, há quinze anos, porque, além de uma importância intrínseca, clássicos têm público assegurado. "No primeiro semestre, também vamos lançar A Demanda do Santo Graal, traduzido a partir do alemão do século XIII. Um clássico do Rei Arthur que pode atingir até quem é fã de Tolkien”, diz Dolhnikoff, mostrando faro comercial.

A Carambaia, editora que começa a operar agora com o lançamento de três títulos considerados “furos literários” – Homens em Guerra, do austro-húngaro Andreas Latzko (1876-1943), Soldados Rasos, do australiano Frederic Manning (1822-1935), e Juncos ao Vento, da italiana Grazia Deledda (1871-1936) –, aposta em novos canais para atingir um público leitor que amadurece. “Vamos vender pela internet e via parceria com institutos de fomento à cultura. Livrarias podem entrar em um segundo ano, em parcerias pontuais, com exclusividade”, diz Fabiano Curi, criador da editora, que focará em livros de domínio público. “Não vamos trabalhar com livraria, porque ela fica em média com 50% do preço de capa.”

Esse novo florescimento dos clássicos, para Leandro Sarmatz, editor na Companhia das Letras, que estreitou sua relação com os clássicos ao ser adquirida pela Penguin, em 2011, deve trazer benefícios a leitores e a editoras. “Os benefícios são diversos, e vão desde questões como preço, diversidade de traduções e amadurecimento do mercado à popularização do melhor repertório literário da humanidade. Mercados maduros têm várias edições de Homero, ou Flaubert, ou Tolstói. Isso está começando a vicejar entre nós. E só pode ser algo positivo.”

Os clássicos do modernismo

O Som e a Fúria
Publicado em 1929, o livro do americano William Faulkner é organizado em quatro capítulos, contados a partir da visão de quatro personagens, entre 1910 e 1928. Os três primeiros são rememorações de três irmãos da família Compson – Benjy, Quentin e Jason – sobre sua irmã, Caddy. Já o último capítulo é narrado pelo próprio Faulkner, mas a partir das lembranças de Dilsey, uma cozinheira que ajudou a família na criação de seus filhos. Como pano de fundo, está o sul dos Estados Unidos, arrasado após a Guerra de Secessão. O livro é publicado no Brasil pela Cosac Naify.

Em Busca do Tempo Perdido
Os sete volumes da obra do francês Marcel Proust foram publicados entre 1913 e 1927. Nas mais de 3 000 páginas, o narrador, cujo nome é vagamente revelado como sendo Marcel, no quinto volume, lembra toda a sua vida, desde a infância. A história, baseada levemente na trajetória de Proust, se passa entre o fim do século XIX e o começo do século XX e entrelaça acontecimentos na França, no mundo e na vida do narrador, incluindo seus pensamentos e suas emoções. Os livros foram publicados no Brasil pela Biblioteca Azul e a Companhia das Letras também planeja uma edição.

Ulysses
Publicado em 1922 pelo escritor irlandês James Joyce, o livro foi inspirado em A Odisseia, de Homero. Ao contrário do poema épico que retrata dez anos da vida de Odisseu, a história de dois amigos, Leopold Bloom e Stephen Dedalus, se passa em apenas um dia, 16 de junho de 1904, em Dublin. Bloom passa por diversas provações ao longo de seu caminho até voltar para casa, onde sua mulher o espera.

Vidas Secas
O alagoano Graciliano Ramos publicou Vidas Secas em 1938. A história se passa em um ano não determinado, no Nordeste brasileiro, e retrata uma família composta por Fabiano, Sinha Vitória, dois filhos – menino mais novo e menino mais velho –, a cachorra Baleia e um papagaio, que foge da seca em busca de melhores condições de vida. A família encontra uma fazenda e se estabelece, mas logo a seca também atinge o lugar, obrigando-os a sair de lá. O romance é publicado no Brasil pela editora Record.

Grande Sertão: Veredas
No livro publicado em 1956, o mineiro João Guimarães Rosa dá voz a Riobaldo, que lembra passagens de sua vida e fala de suas inquietações a um “doutor”, que nunca aparece ou se identifica. Ele fala de sua trajetória como jagunço, primeiro no bando de Zé Bebelo, depois no de Joca Ramiro, ao lado de Diadorim, e depois no de Titão Passos. O livro é publicado no Brasil pela Nova Fronteira.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Tá No Ar: A TV Na TV - Edição 2015

No ano passado estreiou na Rede Globo o programa Tá No Ar: A TV Na TV. Fazendo sátira com a linguagem televisiva (a começar pela rápida mudança de quadros cômicos, simulando o "zapping" com o controle remoto) o programa caiu no gosto popular, e o que parecia ser apenas uma atração de curta duração, acabou se tornando um programa permanente da grade da Rede Globo de Televisão.

O texto abaixo é de autoria da jornalista Cristina Padiglione do Jornal O Estado De São Paulo. Eu deveria ter postado esse texto a mais tempo (ele foi publicado no site do Estadão no dia 13 de fevereiro), mas estive meio sem tempo. Mesmo atrasado vale publicação. O link para a crítica dela é: http://cultura.estadao.com.br/blogs/cristina-padiglione/ta-no-ar-avanca-na-acidez-do-humor/

"Tá no Ar" avança na acidez do humor

Por Cristina Padiglione
“Mas é realmente necessário lembrar ao público que a festa que a gente promove há décadas é bancada pela contravenção?”

Essa seria a pergunta que Marcius Melhem, Marcelo Adnet e Maurício Farias ouviriam, poucos anos atrás, de algum grande diretor da Globo, sobre o clipe que encerrou o episódio de estreia da 2ª temporada do humorístico Tá No Ar, nessa quinta-feira.

Jamais se viu crítica tão contundente à indústria carnavalesca que sustenta Sapucaí e Anhembi, na tela da Globo, em produção digna de padrão Globo, do figurino e maquiagem à qualidade de áudio. Adnet puxa o samba-enredo Amarelo e Cinza, obra superior a muito exemplar desse repertório desfilado por essas plagas. É demais para quem acostumou-se a ver a Globo com um filtro politicamente correto.

Se o programa foi comparado ao TV Pirata no ano passado, quando surgiu, pode apostar que nem aquele TV Pirata dos primórdios ousou cutucar a própria casa tão de perto. O paralelo vale mais para a paródia de filmes publicitários, quesito que a antiga direção da Globo foi anulando da pauta do velho Casseta & Planeta, e agora ressurge, em exemplos revigorados, no Tá no Ar.

Teve até o “Cereal Killer”, piada com Bruno Gagliasso, que reencarna seu papel da série Dupla Identidade e atira cruelmente no tigre fofo da Kellog’s.

Viva o oxigênio dos novos tempos.

Cena do quadro cômico Balada Vip. Não sei de quem é a autoria desta foto...

Autocrítica, aliás, abriu e fechou o episódio de estreia desta temporada. Adnet e Melhem pegaram carona no BBB, em cena gravada no quarto do líder, com direito a poema ao modo Pedro Bial, com quem interagiram por meio do monitor da casa dos brothers, como se estivessem no reality show. E não foi necessário qualquer retoque de maquiagem para explicitar a imitação ao mestre de cerimônias do BBB. Bastaram o ritmo e o conteúdo da declamação. “Pode sair daí, vai pra casa descansar, Pedro Bial, porque acabou o BBB“. O anúncio se emendou a um quadro que explorou o drama dos ex-BBBs, uma analogia à cracolândia, de candidatos esquecidos pela mídia, após adquirirem o “vício da fama”.

De novo, não houve, nem fora da Globo, crítica que expusesse de modo mais eficaz a praga do BBB.

E daí? O reality vai se desgastar por isso? Nem de longe. O que os humoristas fazem, com aval da emissora, é honrar o senso de oportunidade: se tanta gente adora odiar o BBB, nada mais rentável do que se valer desse discurso, por meio do humor.

O crítico da Rede Globo, militante nordestino vivido por Adnet, está mais inquieto que nunca. Encarregou-se de bater no esquete que poderia render protestos da militância negra – um comercial do século retrasado que, ao modo Casas Bahia, vendia escravos em ritmo de grande liquidação. “Esse processo de michaeljackzação da TV brasileira… ” “Por que Escrava Isaura era branca? Pra que Lucélia, se nós tínhamos Zezé Motta?” Numa segunda aparição, o crítico militante misturou FHC, Bill Clinton, Mujica e William Waack na mesma panela, ao falar sobre o “cigarrinho” que fumam lá pelas bandas de Jacarepaguá, não por acaso, onde está o Projac. Como de praxe, ele surge na tela nervoso, num vídeo caseiro, cheio de chuviscos, como se impusesse um recado pirata, e nunca consegue concluir o que quer dizer.

Também de volta, tivemos o Jardim Urgente, paródia aos Cidades Alertas e Datenas da vida, em que o apresentador, na pele de Welder Rodrigues, destrói o discurso sensacionalista por meio de personagens infantis. “Foca em Mim!”, pede ao câmera, que atira uma foca em sua direção.

E o ótimo Balada Vip, deboche sem filtro da elite de São Paulo, de uma maneira que só alguém de fora de São Paulo poderia fazer. Sim, paulistanos sempre ofendidos com as provocações cariocas, aquele personagem existe na vida real e está personificado em Amaury Jr., assim como seu entrevistado, Tony Karlakian, que promove “o carnaval mais diferenciado do País”, antes do carnaval, pra poder ir a Aspen no feriado.

Entre as novas esquetes, ponto para Vingança dos Famosos, quando Regina Duarte, numa inversão de papéis, aborda um tabelião durante o almoço dele com a família num restaurante.

Não sei de quem é a autoria desta foto, apenas sei que foi
 usada para ilustrar o texto original da Cristina Padiglione.

Na nova temporada, o Tá no Ar está ainda mais frenético na edição do efeito zapping, cortes curtos que dão ao espectador a sensação de quem passeia por 100 canais, sem dar à maioria das emissoras mais que dois segundos de chance de ser vista.

Quando se pensa que o programa acabou, vem o ponto mais alto, o tal samba-enredo.
Afinado e afiado, Adnet endossa a capacidade, da qual tanto duvidaram quando veio da MTV, de fazer bom uso de seu cérebro na estrutura monumental do Projac.

Diz a letra do samba:
“Veio da esquina, do dinheiro da contravenção / Qual foi o bicho que deu / Explode caça-níquel de emoção / Um grito se espalha pelo ar, num enredo patrocinado / Close na bunda e replay pra disfarçar / Que o dinheiro não foi declarado / E o tráfico de armas vai bancando o abre alas / Nosso patrono não veio por motivos de força maior / Alô, Bangu 3 (…) / Deixou no lugar o seu primo, laranja que segura o B.O. / E o Rio, de preços divinais, superfatura nossos carnavais / E a pseudocelebridade, fazendo juras de amor à comunidade / Festa da hipocrisia / Camarote lado a lado / O político e o bicheiro /celebrando abraçados / Tem quizumba na bunfunfa, mulata fenomenal, incentivando o turismo sexual (…)”

É o que há.